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Dólar

Entenda os motivos da queda do dólar para menos de R$ 5

Analistas já projetam níveis abaixo dos atuais R$ 4,90 para a moeda americana.

26/06/2021 16:00:01

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Entenda os motivos da queda do dólar para menos de R$ 5 Foto de Vladislav Reshetnyak no Pexels

Nas últimas semanas, a cotação do dólar ficou abaixo dos R$ 5, marca que não era atingida há pelo menos um ano. A moeda registrou queda na quarta-feira (23) quando foi cotada a R$ 4,96.

Diversos analistas já projetam níveis abaixo dos atuais R$ 4,90 para a moeda americana devido a uma conjunção de fatores, como o rali das commodities, a elevação da taxa básica de juros e as perspectivas mais fortes de crescimento econômico.

Contudo, vale lembrar que ao longo da pandemia, o dólar chegou a bater patamares altos por duas vezes: acima dos R$ 5,80 no auge da primeira onda de coronavírus, em maio de 2020, e mais recentemente em março.

Veja abaixo os principais fatores que dão apoio à queda recente do dólar:

Diferencial de juros

Desde março, quando o Banco Central (BC) deu início a um ciclo de alta de juros, a Selic subiu de 2,0% para 4,25%. A autoridade monetária já indicou, inclusive, que pretende levar o juro básico ao nível neutro, que seria em torno de 6,5%. 

O juro em alta no Brasil aumenta o diferencial em relação às taxas de outros países. O aumento no diferencial de juros tende a atrair recursos estrangeiros de curto prazo, ainda mais em um contexto de apetite global por risco. 

Assim, existe uma pressão de valorização sobre o real, até porque o ajuste monetário no Brasil tem sido bem mais rápido do que em outras economias emergentes.

Cenário externo

Outro fator observado com atenção pelos agentes do mercado é o comportamento do Banco Central dos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed). 

Com a economia americana pujante, os dirigentes do Fed começam a indicar que darão início às discussões sobre a redução dos estímulos monetários implementados desde o início da pandemia. 

Há divisão entre os dirigentes do comitê decisório Banco Central americano (o Fomc, na sigla em inglês) sobre esse assunto, mas o presidente da instituição, Jerome Powell, tem destacado que vê a alta da inflação no curto prazo como temporária e, assim, tem tentado afastar pressões para uma ação voltada ao aperto monetário no curto prazo. Esse fator também tem deixado o dólar mais enfraquecido de forma global.

Conta corrente

No Relatório Trimestral de Inflação (RTI) divulgado na quinta-feira, o BC revelou que projeta um superávit em conta corrente de US$ 3 bilhões para este ano, o que evidencia a sobra de dólares no país, que pode exercer pressão de baixa na cotação da divisa americana. 

O chefe de pesquisa econômica para América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, nota que a dinâmica de conta corrente permanece favorável no curto prazo “dada a sólida demanda de exportação e a melhora dos termos de troca diante da fraca demanda doméstica e de uma taxa de câmbio competitiva”.

Na nota do setor externo divulgada pelo BC nesta sexta-feira, cabe destacar que o fluxo de investimentos em ações e em títulos públicos no Brasil somou R$ 5,951 bilhões em maio e essa entrada de capitais estrangeiros, que têm ligação com o aumento do diferencial de juros, tem sido um dos fatores a impulsionar a queda do dólar contra o real.

Previsões do dólar

No Brasil, o Banco Central divulga toda semana o Boletim Focus, que é uma pesquisa com as previsões feitas por alguns dos principais agentes econômicos do mercado brasileiro.

No primeiro boletim deste ano, em 8 de janeiro, o Focus previa que o dólar terminará 2021 cotado a R$ 5. Dois meses depois, quando o real chegou a sua maior cotação neste ano (R$ 5,87), o Focus já mostrava uma previsão de que o dólar encerrará o ano cotado a R$ 5,30, uma alta de 6% em relação à previsão anterior.

Com a queda recente da cotação da moeda, as previsões voltaram a apontar para baixo. O mais recente Boletim Focus estima que o dólar vai terminar 2021 cotado a R$ 5,10. Na semana anterior, os mesmos analistas previam R$ 5,18.

Um relatório da corretora XP do dia 17 de junho, sobre riscos que persistem na economia brasileira, sinaliza que a queda atual do dólar poderia ser apenas de curto prazo. A consultoria projeta que a moeda termine o ano acima da cotação atual.

"Para o médio prazo os riscos fiscais estruturais, dívida elevada, juros altos, orçamento engessado, perduram. O país caminha para um ciclo eleitoral que pode ser volátil. E existe a possibilidade de mudanças na orientação da política monetária em países desenvolvidos", diz o relatório assinado por seis economistas da XP.

"Desta forma, somos cautelosos em projetar a taxa de câmbio muito abaixo dos patamares atuais. Projetamos R$ 5,10 para o final deste ano e do próximo. Não descartamos, no entanto, que no curto prazo a taxa de câmbio possa vir abaixo deste patamar."

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