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Para Malan, responsabilizar o valor justo é atribuir a culpa ao mensageiro

Sete meses foram o bastante para Pedro Malan aprender o suficiente sobre contabilidade. Em sua primeira apresentação no Brasil desde que assumiu,

15/10/2008 00:00:00

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Sete meses foram o bastante para Pedro Malan aprender o suficiente sobre contabilidade. Em sua primeira apresentação no Brasil desde que assumiu, no fim de março, como um dos curadores do conselho que fica acima do Comitê de Normas Internacionais de Contabilidade (Iasb), o Iasc Foundation, o ex-ministro da Fazenda não podia mostrar afinação maior no assunto. Na época, ao ser convidado para o posto, Malan chegou a argumentar que não entendia do tema.

"Culpar o valor justo é culpar o mensageiro", afirmou ele ontem, durante abertura de um seminário do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), realizado ontem em São Paulo, já demonstrando sua familiaridade com o mundo contábil. Durante sua exposição, falou sobre as lições da crise atual. "Sou daqueles que entendem que as crises também se configuram como oportunidades."

Para ele, um dos maiores aprendizados com a situação é como a contabilidade irá refletir o cenário, uma vez que a liquidez foi afetada ao ponto de prejudicar a confiança nos valores negociados pelo mercado. Ele lembrou que o Merrill Lynch vendeu por US$6,7 bilhões títulos de obrigações colaterais (CDO) antes registrados por US$30,6 bilhões. "Qual o valor efetivo desses papéis agora? Certamente não é US$6,7 bi. Mas também não são os US$30,6 bi pelos quais estavam registrados antes."

Na avaliação de Malan, o cenário exigirá um enorme compromisso daqueles que produzem as demonstrações financeiras, em função da subjetividade que permeia o padrão internacional.

Malan falou de como a crise internacional está afetando a rotina do Iasb. Enfatizou como a crise está exigindo novas posturas de todas as instituições. "Os bancos centrais, que costumavam ser os financiamentos de última instância, em alguns países, foram os de única instância." Não poderia, por tanto, deixar de afetar a rotina de trabalhos do comitê internacional.

Segundo ele, alguns temas ganharam urgência no tratamento diante da gravidade da situação. Entre os assuntos que estão na linha de frente na lista de prioridades está a avaliação do conceito do valor justo, a questão dos ativos fora do balanço, e ainda como esses ativos devem ser tratados na consolidação que já está ocorrendo e que deverá se acentuar ainda mais.

A despeito da flexibilização na regra do valor justo anunciada pelo Iasb na segunda-feira, o ex-ministro defendeu o conceito, fazendo coro à importância desse conceito junto com técnicos do assunto. "É importante que fique claro que os custos das instituições já foram incorridos. O que está se discutindo agora é apenas como serão registrados. A contabilidade não tem culpa de nada. Se não gostam do que vêem, não culpem seu espelho." Segundo ele, os bancos já fizeram sofreram baixas superiores a US$700 bilhões, enquanto a capitalização está abaixo de US$400 bilhões.

O ex-ministro também destacou que o trabalho de convergência entre o Iasb e o Fasb (comitê americano de normas contábeis) é de grande prioridade. A idéia, segundo ele, é que os projetos possam estar completos até 2011.

Malan assumiu no fim de março o posto no órgão internacional, na vaga deixada por Roberto Teixeira da Costa, que completou dois mandatos de quatro anos, o máximo permitido pela entidade. O Iasc Foundation - que regula o Iasb em seu equilíbrio geográfico - é constituído por 22 membros, sendo seis representantes da América do Norte, seis da Europa, seis da Ásia e Oceania e mais quatro de "outras partes do mundo ". O papel dos curadores do Iasc Foundation é discutir as diretrizes e estratégias principais do Iasb, além de aprovar e decidir as principais bases do orçamento do órgão. Não são esses representantes que fazem a letra da norma, mas são eles que pensam sobre o que é importante que a norma contenha e que trabalham pela adoção global do padrão IFRS - já adotado na União Européia, Ásia, Austrália, Canadá e África do Sul, entre outros.

Fonte: Valor Econômico

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