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PF prende donos da Schincariol e mais 60

Uma megaoperação da Receita Federal e da Polícia Federal prendeu ontem donos, diretores e advogados da Schincariol, segunda maior cervejaria do Brasil, e pelo

16/06/2005 00:00:00

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Uma megaoperação da Receita Federal e da Polícia Federal prendeu ontem donos, diretores e advogados da Schincariol, segunda maior cervejaria do Brasil, e pelo menos outras 60 pessoas em 12 Estados envolvidas no que foi divulgado como sendo o maior esquema de combate à sonegação. Também foi preso um dos donos da cervejaria Petrópolis, Walter Faria, que fabrica a cerveja Itaipava, além de representantes de distribuidoras de bebidas e oito servidores públicos (seis fiscais estaduais e dois policiais militares). Chamada de "Operação Cevada", a ação acusa os detidos de participar de uma quadrilha que teria sonegado ao menos R$ 1 bilhão nos últimos cinco anos em impostos federais, como Imposto de Renda e IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), e estaduais, como o ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias). O grupo é acusado de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, sonegação de impostos, evasão de divisas e corrupção de funcionários públicos. Os acusados negaram as acusações e reclamaram de violência policial. Em São Paulo, foram presos os irmãos Adriano (diretor-superintendente) e Alexandre Schincariol (diretor de recursos humanos) -filhos do fundador da companhia, José Nelson Schincariol, assassinado em agosto de 2003. O vice-presidente Gilberto Schincariol e seus dois filhos José Augusto e Gilberto Schincariol Júnior, ambos diretores da cervejaria, também foram presos na sede da PF. Outros três diretores da sede da empresa em Itu (interior de SP) também estão presos: José Domingos Franschinelli (planejamento), José de Assis (comercial), Alcides Vagas Porteiro (industrial) e Carlos Rafael, um dos diretores da fábrica no Rio. Também foram presos dois advogados da empresa -Gustavo Camargo e Vinícius Camargo Silva. A operação ocorreu um dia após o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) depor em Brasília e envolver membros do governo no suposto esquema de "mensalão". PF e Receita afirmam que a ação já estava sendo preparada há meses e dependia de autorização da Justiça -foram 134 mandados de busca e apreensão e 77 de prisão. A força-tarefa mobilizou 180 funcionários da Receita e mais de 600 policiais nos 12 Estados: Paraná, São Paulo, Rio, Minas, Espírito Santo, Goiás, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Tocantins e Pará. A investigação, feita também em parceria com o Ministério Público Federal, teve início em maio de 2004, quando o serviço de inteligência da Receita Federal identificou possível sonegação fiscal na fábrica do grupo Schincariol em Cachoeiras de Macacu, interior do Rio. As denúncias sobre a suposta sonegação chegaram de forma anônima à Receita Federal. "Foi desmontada uma quadrilha que atuava como uma organização clandestina e criminosa", afirmou o superintendente regional da Polícia Federal em São Paulo, José Ivan Guimarães Lobato. A PF abriu inquérito criminal contra a direção da empresa e pediu a prisão temporária dos envolvidos. Como há acusação de sonegação de impostos federais e estaduais, cópia do inquérito policial será encaminhada ao MP estadual para que seja apurada a sonegação em nível estadual. O Ministério Público Federal deve oferecer denúncia contra a família pela suspeita de crime de formação de quadrilha com possível conexão com o crime de corrupção ativa. A pena para a formação de quadrilha varia de um a três anos. Para corrupção ativa, a pena vai de um a oito anos. Os executivos foram trazidos de Itu em camburões da PF e, após prestarem depoimentos, ficariam presos em celas especiais, de 30 metros quadrados, com banheiro e um colchonete. São dois presos por cela. A eles, será servido café da manhã , almoço e jantar. No local podem ficar presos por até dez dias. Após esse prazo, serão encaminhados ao presídio, caso a Justiça determine a prisão. A operação começou por volta das 6h, quando dois ônibus com fiscais da Receita e policiais chegaram em Itu, onde apreenderam computadores e mais de dez malas com notas fiscais e documentos. Para copiar os conteúdos dos computadores, a PF levou pelo menos oito horas. Na empresa, foi achado um cofre com dinheiro -os policiais não souberam informar quanto estava no local. Enquanto apreensões eram feitas na empresa, simultaneamente um grupo chegava à casa dos diretores. Na casa de Gilberto houve ameaça de uso de explosivos -porque a residência é considerada um "bunker", segundo policiais. No local, um cofre também foi achado com dinheiro - a quantia não foi informada. "Tenho certeza que os meios de persuasão usados pela polícia foram meios legais", disse Lobato. No aeroporto de Belo Horizonte (MG), policiais também prenderam um funcionário de uma distribuidora de bebidas com R$ 500 mil que seriam entregues ao grupo -esse dinheiro seria do "caixa dois" da empresa, segundo a PF. Segundo a PF, a sonegação fiscal de tributos estaduais e federais envolvia pelo menos 20 distribuidoras de bebidas (algumas de fachada) que usavam um esquema de subfaturamento na venda de seus produtos com o recebimento "por fora" da diferença entre o real valor de venda da cerveja e o valor declarado nas notas fiscais. A força-tarefa encontrou ainda operações de exportação fictícia em Foz do Iguaçu (PR) e importação de matéria-prima da Ilha da Madeira (Portugal) sem a devida documentação fiscal. Caminhões de distribuidoras usariam placas frias, disse a PF.

Fonte: CRC-SP

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