x

Cooperativa vira opção às micro

As cooperativas de crédito estão se firmando como alternativa de financiamento às micro e pequenas empresas, desde que o governo autorizou a constituição de

27/06/2005 00:00:00

2,3 mil acessos

  • compartilhe no facebook
  • compartilhe no twitter
  • compartilhe no linkedin
  • compartilhe no whatsapp

As cooperativas de crédito estão se firmando como alternativa de financiamento às micro e pequenas empresas, desde que o governo autorizou a constituição de cooperativas de livre adesão - grupos de pequenas e médias empresas, mesmo em atividades diferentes. A partir da Resolução 3.106/2003, que regulamentou a livre adesão, 13 novas cooperativas foram registradas e outras 10 estão em análise no Banco Central (BC). Antes da Resolução, as cooperativas só poderiam ser constituídas por pessoas físicas, profissionais de um mesmo ramo. Até dezembro de 2004, as cooperativas tinham R$ 7,924 bilhões em empréstimos realizados, segundo dados do BC (veja tabela ao lado). Não há dados sobre o total destinado às micro e pequenas empresas. Entidades de classe como o Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae), o Centro das Indústrias de São Paulo (Ciesp), Câmaras de Diretores Lojistas, associações comerciais e federações estaduais de indústrias apoiaram a constituição da maioria das novas cooperativas. "O Sebrae está envolvido em 36 iniciativas, algumas mais outras menos avançadas", afirma Carlos Alberto dos Santos, Gerente da Unidade de Acesso a Serviços Financeiros do Sebrae. "Na visão do Sebrae, o sistema cooperativo cumpre um papel fundamental, ao conseguir colocar crédito mais barato na ponta e operar com pessoas que o sistema financeiro não aceita", completou Santos. "Conseguimos dar acesso a crédito a pequenas indústrias com taxa média final de 2,5% ao mês contra 4% a 4,5% nos bancos", afirma Luiz Claudio Miquelin, diretor de Crédito do Ciesp. Entre outras iniciativas, o Ciesp apoiou o lançamento de três novas cooperativas. Elas levam o nome de Sicredi (porque são ligadas à esta central) Ciesp ABCD - região industrial da Grande São Paulo que inclui os municípios de São Bernardo, São Caetano, Santo André e Diadema-, Sertãozinho e Birigüi, estas no interior do Estado, pólos industriais nas atividades de agronegócios e calçados, respectivamente. Segundo Miquelin, em seis meses as três cooperativas já conseguiram crescer quatro vezes o volume inicial de capital emprestado e aumentaram de 90 para mais de 500 empresas atendidas. O tíquete médio de empréstimos está na faixa de R$ 15 mil a R$ 20 mil e o alvo são indústrias com faturamento até R$ 15 milhões. A Sicred Ciesp ABCD atende a sete municípios da região, onde existem aproximadamente mil empresas associadas ao Ciesp, das quais 80% são micro e pequenas, informa Cesar Garbus, presidente da cooperativa e empresário da área de segurança patrimonial em São Bernardo. Fundada em abril de 2004, a cooperativa só começou a funcionar em setembro, com 31 sócios que colocaram R$ 5 mil cada um, em cotas. O capital inicial foi reforçado com um aporte de R$ 300 mil do sistema Fiesp/Ciesp. Hoje o número de associados é de 171, que também detém R$ 1,8 milhão em depósitos a prazo efetuados na cooperativa. O saldo de empréstimos é de R$ 248 mil em cheque especial e R$ 906 mil em crédito parcelado. As taxas de juros das linhas de cheque especial e rotativo do cartão de crédito variam de 4,5% ao mês a 5% - os bancos cobram de 8% a 12% ao mês. Nas linhas de desconto de duplicatas e cheques, capital de giro e "hot money", vai de 2,5% a 2,7% ao mês. "A maioria dos associados usa os recursos da cooperativa para capital de giro e comprar mercadorias e matérias-primas. Ele tem que oferecer avalista, fiador e garantias em duplicatas ou cheques", explica Garbus. A garantia é uma exigência da regulamentação do BC. A vantagem sobre os empréstimos tradicionais é a ausência de IOF, tarifas cadastrais e reciprocidades, diz o empresário. Além de empréstimos, a Sicred Ciesp ABCD oferece serviços financeiros como cartão de crédito - com um programa de incentivo que retorna 1% de cada transação para a própria cooperativa e seguros de acidentes pessoais. "Nosso plano de negócios era chegar ao ponto de equilíbrio em um ano e oito meses, mas conseguimos em três meses", garante Garbus. Carlos Alberto dos Santos, do Sebrae, está otimista. "A médio prazo, nos próximos cinco anos, a tendência é que os grandes sistemas cooperativos sejam convertidos para livre adesão, em um passo para a criação de um grande banco de gestão e propriedade cooperativa", aposta Santos. O lado negativo desse cenário futuro é que "os mecanismos de controle social tendem a diminuir", o que pode colocar em risco a operação, reconhece o executivo do Sebrae. Há também o desafio de controlar a estrutura e os custos. "O cooperativismo de crédito voltado a pequenas empresas, em um ambiente de alta competitividade e queda progressiva dos juros, tem que estar preparado para a competição dos bancos, dado que o diferencial de juros tende a se reduzir consideravelmente", afirmou. Na quinta-feira, o BC anunciou que pretende reforçar a fiscalização sobre as cooperativas.

Fonte: Valor Econômico

VER COMENTÁRIOS

O Portal Contábeis se isenta de quaisquer responsabilidades civis sobre eventuais discussões dos usuários ou visitantes deste site, nos termos da lei no 5.250/67 e artigos 927 e 931 ambos do novo código civil brasileiro.