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DÍVIDAS

71 milhões de brasileiros endividados, como sair do vermelho até o fim do ano?

Especialista explica quais são os melhores caminhos para os endividados quitarem as dívidas o mais rápido possível.

13/07/2023 18:00:06

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71 milhões de brasileiros endividados, como sair do vermelho até o fim do ano?

71 milhões de brasileiros endividados, como sair do vermelho até o fim do ano? Foto: Mikhail Nilov/Pexels

Colocar a vida financeira em dia exige comprometimento e mudança de postura em relação às finanças. Não será exatamente rápido sair das dívidas, mas com um bom planejamento é possível encerrar o ciclo de endividamento. 

A falta de planejamento financeiro é um dos grandes responsáveis pelo alto índice de inadimplência no país. De acordo com o último Mapa de Inadimplência e Renegociação de Dívidas do Serasa, o Brasil atingiu 71,9 milhões de famílias endividadas, um total de 44,9% de lares no país. Já o estado de São Paulo está em 10º lugar no ranking de inadimplentes, batendo 45,9% de devedores. 

A professora do curso de Ciências Contábeis da Anhanguera, Ma. Valéria Vanessa Eduardo, ressalta que sair das dívidas é tarefa difícil e que exige bastante determinação. “Normalmente a pessoa se torna inadimplente por manter o padrão de consumo e gastos acima de suas capacidades financeiras. Obviamente, existem exceções como gastos inesperados com doença, família etc., mas em todos os casos, cuidar das contas e honrar seus compromissos é essencial”, explica a docente. 

Ainda de acordo com Valéria, o maior vilão do endividamento das famílias são os cartões de crédito, cuja taxa média está em 201% ao ano e o percentual médio do cartão rotativo (cobradas de clientes que não quitam toda a fatura mensal) é de 448% ao ano, ou seja, é um crédito ruim. “Importante destacar que 75% dos brasileiros parcelam suas compras, e o cartão de crédito se tornou uma saída para suprir necessidades básicas. Entretanto, a inadimplência com cartão chega a mais de 50%, evidenciando como altas taxas de juros e inflação afetam significativamente o orçamento das famílias”, completa. 

Para evitar o endividamento e alcançar a estabilidade financeira até o final do ano, a especialista sugere algumas estratégias simples e eficazes: relacione todas as dívidas e entre em contato com os credores para negociar os pagamentos, procure feirões que ofereçam descontos de até 99% para renegociar suas dívidas e utilize o 13º salário para amortizar essas pendências. “É crucial que o endividado só feche acordos se as condições forem compatíveis com sua realidade financeira. Quebrar o contrato de débito pode levar à perda dos descontos oferecidos, cancelamento da renegociação e retomada de juros”. 

Além disso, a professora destaca a importância do autoconhecimento para evitar novas dívidas. Compreender o motivo das compras, evitar compras compulsivas, comparações sociais, materialismo e vulnerabilidade de consumo são fatores cruciais para um melhor controle financeiro. “Para equilibrar a renda, destine 50% para gastos essenciais, como aluguel, alimentação e transporte; 30% para estilo de vida, como academia e lazer; e 20% para pagamento de empréstimos ou investimentos”. 

A especialista enfatiza a importância de evitar o uso desordenado do cartão de crédito e recomenda estabelecer objetivos claros, como sair do endividamento, adquirir um imóvel ou fazer uma viagem, para motivar a família a ter maior consciência financeira. 

Para evitar novas dívidas, Valéria oferece as seguintes dicas: 

  • Tenha uma planilha de controle de gastos, incluindo despesas fixas mensais e gastos com cartão de débito. 
  • Faça uma lista antes de ir ao supermercado, defina uma data fixa para compras mensais e pesquise preços. 
  • Evite ter muitos cartões de crédito, priorize o pagamento à vista e, se precisar parcelar, escolha o número de parcelas sem juros. 
  • Opte por um carro mais econômico e faça revisões regularmente para evitar gastos excessivos com reparos. 
  • Planeje passeios com uma média de gastos prevista e busque opções de lazer gratuitas. 
  • Adote hábitos de consumo consciente para economizar alimentos, água e energia. 
  • Ao renovar o contrato de aluguel, proponha uma renegociação ao proprietário e explique sua situação. 
  • Por fim, Valéria aconselha organizar-se para os pagamentos sazonais do primeiro trimestre do ano, como IPTU, IPVA e mensalidades escolares, e utilizar o 13º salário para fazer reservas, se possível.

“Seguindo essas orientações, é possível alcançar a tão desejada estabilidade financeira”. 

Fonte: Valéria Vanessa Eduardo, professora do curso de Ciências Contábeis da Anhanguera

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