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INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Brasil avança em regulação da inteligência artificial com novas regras para empresas e governo

Projeto de lei estabelece normas para supervisão, penalidades e incentivos à inovação, incluindo medidas específicas para tecnologias de alto risco.

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Regulamentação da IA no Brasil: o que muda com o novo projeto de lei

Brasil avança em regulação da inteligência artificial com novas regras para empresas e governo

O projeto de lei que estabelece regras para o desenvolvimento e uso da inteligência artificial (IA) no Brasil está em análise no Congresso Nacional, com votação prevista para a próxima semana. A proposta busca criar um marco regulatório para a tecnologia, definindo normas para empresas, mecanismos de fiscalização e medidas de proteção à sociedade.

Entre os destaques do texto está a criação do Sistema Nacional de Regulação e Governança de Inteligência Artificial (SIA), que será responsável por regulamentar, monitorar e fiscalizar o setor.

Estrutura de supervisão

O SIA será composto por diferentes entidades, incluindo:

  • Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que exercerá a coordenação;
  • Outros órgãos do Poder Executivo;
  • Conselho Permanente de Cooperação Regulatória de Inteligência Artificial (CRIA);
  • Comitê de Especialistas e Cientistas de Inteligência Artificial (CECIA).

Esses órgãos atuarão em conjunto para assegurar o cumprimento das regras e garantir que a tecnologia seja usada de forma responsável e ética.

Penalidades previstas

O projeto estabelece sanções para empresas que descumprirem as normas, incluindo:

  • Advertências;
  • Multas de até R$ 50 milhões ou 2% do faturamento anual;
  • Suspensão temporária de sistemas;
  • Proibição de tratamento de bases de dados.

Essas medidas visam coibir práticas irregulares e proteger os direitos dos usuários e da sociedade.

Tecnologias de alto risco

O texto classifica como de alto risco os sistemas que podem causar danos significativos a indivíduos ou grupos. A definição e inclusão de novas tecnologias nessa categoria serão realizadas pelo SIA, com participação social. Exemplos incluem:

  • Seleção de estudantes;
  • Recrutamento de trabalhadores;
  • Concessão de serviços públicos;
  • Gestão de processos migratórios;
  • Avaliação de chamadas para serviços essenciais;
  • Operação de veículos autônomos;
  • Sistemas de identificação biométrica.

Sistemas de alto risco estarão sujeitos a governança rigorosa, com monitoramento constante e exigência de medidas de mitigação de vieses. Empresas que utilizarem essas tecnologias deverão realizar testes de segurança e adotar práticas que assegurem a transparência e a equidade. 

Órgãos públicos, por sua vez, terão que oferecer mecanismos para revisão humana de decisões automatizadas.

Exclusões e regulamentações futuras

Alguns tópicos, como algoritmos de redes sociais e moderação de conteúdo online, foram excluídos do projeto atual e deverão ser tratados em legislações futuras. Já sistemas proibidos incluem:

  • Armas autônomas;
  • Ferramentas de ranqueamento de cidadãos para acesso a bens e serviços públicos;
  • Avaliações de risco de comportamento criminoso.

Direitos autorais e uso de dados

A regulamentação também aborda a questão dos direitos autorais. Empresas que utilizarem conteúdos protegidos para treinar ferramentas de IA deverão remunerar os titulares das obras, considerando princípios de proporcionalidade e razoabilidade. Será obrigatória a transparência sobre os materiais utilizados.

Exceções estão previstas para instituições de pesquisa, museus e bibliotecas, desde que o uso não tenha fins comerciais e não prejudique a exploração normal das obras.

Impactos no mercado de trabalho

Os impactos da IA sobre os trabalhadores também foram considerados. O SIA trabalhará em parceria com o Ministério do Trabalho para mitigar efeitos negativos, promover impactos positivos e incentivar programas de capacitação profissional.

Incentivo à inovação

Empresas de pequeno porte terão regras diferenciadas para fomentar a inovação. O projeto prevê a adoção de regulações simplificadas e a promoção da pesquisa científica e tecnológica.

Aplicações excluídas

O texto exclui da regulamentação:

  • Sistemas em fase de teste e desenvolvimento;
  • Tecnologias destinadas à defesa nacional;
  • Usos particulares e sem fins econômicos.

A proposta busca equilibrar o avanço tecnológico com a proteção de direitos, promovendo um ambiente regulatório que incentive o crescimento responsável da inteligência artificial no Brasil.

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