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DÍVIDAS RURAIS

Câmara aprova proposta que permite a repactuação de dívidas rurais acumuladas em 2023

Proposta aprovada na Câmara abrange contratos do Pronaf e Pronamp de agricultores impactados por crises climáticas ou queda nos preços dos produtos.

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Câmara aprova renegociação de dívidas rurais de 2023

Câmara aprova proposta que permite a repactuação de dívidas rurais acumuladas em 2023

Nesta segunda-feira (28), foi divulgado que a Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados aprovou um projeto que autoriza a renegociação de dívidas rurais não quitadas entre janeiro e dezembro de 2023. A medida vale para produtores afetados por eventos climáticos extremos ou desvalorização de produtos e abrange contratos firmados no Pronaf e no Pronamp.

O texto aprovado é um substitutivo do deputado Alexandre Guimarães (MDB-TO), que unifica sete projetos de lei com o objetivo de viabilizar a repactuação, conceder subvenções extraordinárias e criar linhas de crédito emergenciais. A proposta ainda será analisada pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Quem poderá renegociar as dívidas rurais

A medida contempla agricultores familiares e médios produtores que tenham contratado financiamentos pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e pelo Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp).

Poderão aderir à renegociação aqueles que ficaram inadimplentes entre janeiro e dezembro de 2023, desde que a inadimplência tenha sido provocada por fatores como:

  • Eventos climáticos adversos (como estiagens ou enchentes);
  • Queda nos preços dos produtos agropecuários.

Condições da repactuação das dívidas

O projeto aprovado pela Comissão de Agricultura estabelece que os contratos poderão ser renegociados com pagamento em até duas parcelas anuais. As condições variam conforme o perfil do produtor:

  • Agricultores familiares (Pronaf): juros de até 3% ao ano e possibilidade de redução de 20% sobre juros e multas;
  • Médios produtores rurais (Pronamp): juros limitados a 6% ao ano.

O prazo para adesão à repactuação será de até seis meses após a sanção da futura lei. Além disso, a renegociação não impedirá o acesso a novas linhas de crédito rural, conforme previsão expressa na proposta.

Financiamento da renegociação poderá vir de fundos públicos

O custo da repactuação das dívidas poderá ser financiado por recursos dos seguintes fundos:

  • Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE);
  • Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO);
  • Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO);
  • Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé);
  • Tesouro Nacional (União), em casos específicos.

Esses instrumentos já são utilizados para apoiar financeiramente a atividade rural e poderão cobrir os encargos da renegociação aprovada.

Proposta unifica sete projetos de lei

O texto aprovado na Comissão de Agricultura é o substitutivo do deputado Alexandre Guimarães (MDB-TO), que consolidou sete propostas sobre o tema:

  • PL 4601/23
  • PL 4722/23
  • PL 5036/23
  • PL 5213/23
  • PL 6095/23
  • PL 919/24
  • PL 2811/24

Segundo o relator, “as medidas oferecem significativa contribuição para a retomada do equilíbrio econômico e financeiro da atividade rural, mas exigiriam complexa implantação”. O projeto original, de autoria do deputado Lucio Mosquini (MDB-RO), previa apenas a renegociação de dívidas de pecuaristas e produtores de leite.

Com a ampliação proposta, o substitutivo passou a abranger também agricultores familiares, outros tipos de produção e medidas de fomento à recuperação da capacidade produtiva do campo.

Próximas etapas para aprovação da proposta

Para se tornar lei, o projeto ainda precisa passar pelas seguintes comissões da Câmara:

  • Comissão de Finanças e Tributação (CFT), que avaliará o impacto orçamentário e a viabilidade financeira da medida;
  • Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), responsável por analisar a legalidade e a constitucionalidade do texto.

Caso aprovado nessas etapas, o texto será enviado ao Senado Federal, onde deverá ser aprovado em comissão e em plenário. Após essa tramitação, o projeto segue para sanção presidencial.

Contexto e impacto para o setor rural

Segundo levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), os eventos climáticos extremos afetaram significativamente a produção rural em 2023, com prejuízos estimados em R$ 19 bilhões apenas entre janeiro e outubro.

As regiões Sul e Centro-Oeste foram especialmente impactadas por estiagens prolongadas, enquanto o Nordeste enfrentou chuvas intensas e alagamentos, comprometendo colheitas e rebanhos. Paralelamente, a queda nos preços de commodities como o milho e o leite reduziu a margem de lucro dos produtores, dificultando o pagamento de dívidas contratadas em anos anteriores.

A proposta de repactuação busca oferecer alívio financeiro e evitar o aumento da inadimplência no setor, que, segundo o Banco Central, superou 6% entre os médios produtores em 2023, o maior patamar desde 2017.

Repercussão entre entidades do setor

Representantes de cooperativas e federações agropecuárias apoiaram a medida. Em nota, a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) afirmou que a proposta é “fundamental para preservar a atividade rural em regiões afetadas por adversidades climáticas”.

Já a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) destacou que “a medida pode evitar a falência de centenas de propriedades familiares e contribuir para manter empregos no meio rural”.

O que muda para contadores e empresas do setor

A aprovação da proposta de repactuação de dívidas rurais exige atenção especial de profissionais da contabilidade que atuam junto a produtores rurais e cooperativas. Isso porque será necessário:

  • Atualizar o planejamento financeiro com base nas novas condições de pagamento;
  • Analisar a viabilidade da adesão à repactuação para cada cliente;
  • Revisar as projeções de fluxo de caixa e resultados operacionais;
  • Auxiliar na documentação necessária para formalizar a renegociação junto às instituições financeiras.

Com informações da Agência Câmara de Notícias

Contadores também poderão orientar os produtores sobre o impacto tributário da renegociação, especialmente se houver remissão de encargos, redução de juros ou postergação de parcelas.

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