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Convenção Multilateral

Brasil adere à Convenção Multilateral da OCDE para combater a erosão tributária

Adesão ao Instrumento Multilateral (MLI) permite ao Brasil modernizar 26 acordos de bitributação e reforçar o combate à evasão fiscal.

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Brasil formaliza adesão à Convenção Multilateral da OCDE

Brasil adere à Convenção Multilateral da OCDE para combater a erosão tributária

O governo brasileiro formalizou, nesta segunda-feira (20), sua adesão à Convenção Multilateral para a Aplicação das Medidas Relativas aos Tratados Tributários Destinadas a Prevenir a Erosão da Base Tributária e a Transferência de Lucros, conhecida internacionalmente como Instrumento Multilateral (Multilateral Instrument – MLI).

Com a assinatura, o Brasil passa a integrar o grupo de 106 países que participam do acordo, cujo objetivo é fortalecer a integridade do sistema tributário internacional e evitar práticas abusivas de planejamento tributário.

Cerimônia de assinatura em Paris

A cerimônia de assinatura ocorreu em Paris, sede da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com a presença do Embaixador Sarquis José Buainain Sarquis, Delegado do Brasil junto à organização, e do Secretário-Geral da OCDE, Mathias Cormann.

O ato marca um passo importante na aproximação do Brasil às práticas tributárias recomendadas internacionalmente, alinhando o país aos padrões da OCDE e do G20 para combater a erosão da base tributária e a transferência artificial de lucros para jurisdições de baixa tributação.

Impacto sobre os Acordos de Dupla Tributação

Após a ratificação pelo Congresso Nacional, o MLI permitirá atualizar 26 Acordos para Evitar a Dupla Tributação (ADTs) firmados pelo Brasil com outros países.

O objetivo é eliminar a bitributação de rendas internacionais sem criar brechas para não-tributação ou tributação reduzida indevida, reforçando o combate à evasão e elisão fiscal e assegurando maior equidade e previsibilidade nas relações econômicas internacionais.

Origem e finalidade do Instrumento Multilateral

O MLI foi desenvolvido em 2016 pela OCDE, com base nas recomendações do Relatório Final da Ação 15 do Projeto BEPS (Base Erosion and Profit Shifting), conduzido conjuntamente pela OCDE e pelo G20.

O instrumento foi criado para modernizar rapidamente milhares de tratados internacionais de bitributação em vigor no mundo, sem a necessidade de renegociação individual de cada acordo. Trata-se, portanto, de uma ferramenta de adesão opcional, voltada à harmonização e atualização de regras fiscais globais de maneira coordenada.

Próximos passos e importância estratégica

Com a adesão, o Brasil reforça seu compromisso com a transparência fiscal internacional e com o padrão de governança tributária preconizado pela OCDE, consolidando um ambiente jurídico mais estável para investimentos estrangeiros.

O próximo passo será a ratificação pelo Congresso Nacional, etapa necessária para que as modificações previstas no MLI sejam incorporadas oficialmente aos tratados brasileiros de bitributação.

A expectativa é que a medida fortaleça a segurança jurídica, evite a dupla tributação injustificada e estimule o fluxo de investimentos internacionais, mantendo a neutralidade fiscal e o equilíbrio entre arrecadação e competitividade.

A adesão brasileira à Convenção Multilateral representa um avanço institucional significativo na modernização do sistema tributário internacional do país.

Ao alinhar-se às práticas da OCDE e do G20, o Brasil consolida sua posição no cenário econômico global, aprimora o combate à evasão e à transferência artificial de lucros e dá um passo estratégico rumo à integração plena às políticas fiscais internacionais.

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