A emissão da Nota Fiscal de Serviço Eletrônica (NFS-e) com padrão nacional, que passou a ser obrigatória neste primeiro mês de 2026, começou o ano já cercada de reclamações de contadores e tributaristas que estão enfrentando instabilidades no sistema, com dificuldades de acesso, divergências na solicitação de códigos e limitações na usabilidade do relatório mensal.
Segundo apuração do Portal da Reforma Tributária, são inúmeros profissionais que estão compartilhando suas dificuldades em grupos de WhatsApp e redes profissionais, onde dividem imagens do sistema com falhas, como por exemplo o erro de “cadastro não encontrado” e indicações de sistemas desconfigurados, apesar de profissionais afirmarem ter seguido os procedimentos exigidos.
Entre as cidades citadas nas reclamações estão Fortaleza (CE), São Paulo (SP) e Juiz de Fora (MG), além de municípios menores, onde as queixas também se repetem.
Posicionamento da Receita Federal
Procurada pelo Portal da Reforma Tributária nesta terça-feira (6), a Receita Federal reconheceu que houve instabilidade em âmbito nacional até o dia 5 de janeiro, atribuída ao “alto número de acessos e consultas no banco de dados”.
Apesar disso, o órgão negou que haja impedimentos para emissão neste momento e informou que o ambiente está sob acompanhamento contínuo.
“Na data de hoje (06/01/2026) o ambiente da NFS-e está em contínuo monitoramento e não há nenhum problema no ambiente que impeça a emissão de NFS-e”, afirmou a Receita ao Portal.
A Receita também afirmou que parte das dificuldades atuais pode estar ligada ao processo de adesão recente de muitas prefeituras ao convênio, com implementações ainda incompletas.
Segundo o Fisco, um município pode ter firmado o convênio e ainda não ter realizado as configurações necessárias — por exemplo, estar ativo sem adotar o emissor nacional; estar ativo e com emissor nacional, mas sem habilitar contribuintes; entre outros cenários.
Diante disso, a orientação oficial é que contribuintes e profissionais busquem diretamente às prefeituras para resolver dificuldades na emissão.
Entenda a obrigatoriedade da NFS-e nacional
Janeiro de 2026 marca o início da obrigatoriedade da NFS-e com padrão nacional, etapa prevista no processo de implementação prática da reforma tributária do consumo.
A partir deste ano, o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) começam a ser destacados em caráter de teste para empresas do Lucro Presumido e do Lucro Real. A emissão do documento permanece vinculada ao nível municipal, o que exige que as prefeituras ativem e configurem corretamente o convênio com o sistema nacional.
De acordo com a Receita Federal, “quase” 2.000 municípios ativaram o acesso no início do ano — o que corresponde a cerca de 35% das 5.571 cidades brasileiras, indicando uma adesão considerada tardia por parte relevante dos entes municipais.
Conforme dados do portal de acompanhamento de adesão, 106 municípios ainda não teriam aderido às regras, todos de pequeno porte.
Com informações adaptadas Portal da Reforma Tributária













