Com o início de 2026, os proprietários de veículos em todo o Brasil já acompanham o calendário de vencimento do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). Entre as modalidades de pagamento disponíveis, o parcelamento via cartão de crédito tem se tornado uma alternativa cada vez mais utilizada — porém com custos que podem superar 40% do valor original do imposto.
Descontos e opções de parcelamento nos estados
Alguns estados ofereceram desconto de 3% a 15% para pagamento em cota única. Já o parcelamento tradicional feito pelos sites das Secretarias Estaduais da Fazenda (Sefaz) geralmente foi limitado a 5 vezes no boleto, com vencimentos entre janeiro e maio. Essa limitação levou muitos contribuintes a recorrerem ao parcelamento no cartão de crédito por meio de empresas credenciadas ao Detran.
Parcelamento em 12 vezes pode elevar dívida em até 44%
Embora a possibilidade de dividir o IPVA em até 12 vezes no cartão de crédito possa parecer vantajosa à primeira vista, o custo total pode mais que dobrar. Segundo simulação feita pelo portal Campo Grande News em 12 de janeiro, uma dívida de R$ 2.244,02 — referente a parcelas vencidas de 2025 e valores de 2026 — chegou a R$ 2.795,01 já com taxas administrativas. Após a aplicação dos juros das operadoras, o valor final variou de R$ 3.437 a R$ 4.030, dependendo da empresa e do número de parcelas escolhidas.
A simulação foi realizada em plataformas autorizadas que ofereciam o serviço de parcelamento, como Zapay e Zignet. Em ambas, o valor da dívida aumentou entre 23% e 44% em relação ao valor original.
A revista Quatro Rodas também realizou uma simulação com base em um IPVA de R$ 805,16 (alíquota de 4% sobre um veículo com valor venal de R$ 20.129 em São Paulo). Veja o comparativo:
- À vista (com desconto): R$ 781,00 — sem taxas adicionais
- Zapay (12x): R$ 86,25 por parcela — R$ 1.035,05 no total (+28,55% de juros)
- Zignet (12x): R$ 92,12 por parcela — R$ 1.105,44 no total (+37,29% de juros)
Serviço é autorizado, mas requer atenção
O serviço de parcelamento via cartão é reconhecido por órgãos como a Sefaz-SP, mas os custos operacionais e as taxas de juros são definidos pelas empresas intermediárias, como Zapay e Zignet — muitas delas integradas a serviços de mobilidade, como Sem Parar e Veloe. O valor final depende da operadora do cartão, número de parcelas e tarifas aplicadas.
Além disso, especialistas alertam para o risco de golpes. O contribuinte deve sempre verificar se a empresa está devidamente credenciada junto ao Detran e utilizar apenas canais oficiais para realizar pagamentos.
Quando vale a pena parcelar no cartão?
De acordo com as simulações, o parcelamento em 12 vezes pode gerar um custo até 37% maior do que o valor original do IPVA. Por isso, especialistas recomendam que essa modalidade seja utilizada apenas em casos de extrema necessidade — como evitar a apreensão do veículo por falta de regularização ou quando o contribuinte não dispõe do valor integral à vista.
Caso contrário, o ideal é se planejar para aproveitar os descontos oferecidos no pagamento à vista ou optar por parcelamentos sem juros diretamente pelos canais oficiais da Sefaz.
Segundo especialistas, os juros dessas plataformas muitas vezes superam o rendimento de aplicações financeiras conservadoras.














