O salário mínimo é o menor valor que uma empresa pode pagar a um funcionário por uma jornada completa de trabalho. No Brasil, ele é um instrumento de política pública para garantir que as necessidades básicas do cidadão como moradia, alimentação, saúde e transporte sejam atendidas, conforme previsto na Constituição Federal.
Como acontece a atualização?
Anualmente, o Governo Federal revisa esse valor. O objetivo central é evitar que o trabalhador perca o chamado "poder de compra", ou seja, garantir que ele consiga comprar hoje o que comprou no ano passado.
O salário mínimo é atualizado com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado nos 12 meses até novembro, mais um componente de crescimento econômico (PIB), respeitando os limites legais vigentes
O cenário atual
No ano de 2024, o salário mínimo foi definido em R$1.412,00, um salto importante em relação ao ano anterior. Já para 2025, as projeções e decretos apontaram para um valor de R$1.518,00, refletindo as novas diretrizes de valorização que buscam trazer ganhos reais acima da inflação.
Para 2026, o salário mínimo foi oficializado em R$ 1.621,00, com vigência a partir de 1º de janeiro de 2026. Esse novo valor representa um reajuste de 6,79% em relação ao valor de 2025 e será refletido no salário recebido a partir de fevereiro de 2026.
Os pilares do reajuste
- Inflação (INPC): O Índice Nacional de Preços ao Consumidor é o principal balizador. Ele mede o custo de vida para famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos. Se o feijão e o aluguel subiram, o INPC sobe, e o mínimo precisa acompanhar.
- Crescimento do PIB: Quando a economia cresce, o governo pode optar por repassar parte desse "lucro" nacional para o piso salarial, gerando o que chamamos de ganho real.
O impacto real na vida e na economia
O salário mínimo é uma engrenagem que move vários setores:
- Previdência e benefícios: Aposentadorias, pensões e o BPC (Benefício de Prestação Continuada) são diretamente atrelados ao mínimo. Se o piso sobe, o gasto também aumenta.
- Consumo interno: Quando o trabalhador de baixa renda recebe um pouco mais, esse dinheiro volta quase instantaneamente para a economia através da compra de alimentos, roupas e serviços básicos, girando o comércio local.
- Redução de desigualdades: Em um país com disparidades tão grandes, o salário mínimo atua como uma ferramenta de distribuição de renda, tentando reduzir o abismo social.
Retrospectiva: a evolução do salário mínimo nacional
| Vigência | Valor Mensal | Valor Diário | Valor Hora | Norma Legal |
| 01.01.2026 | R$ 1.621,00 | R$ 54,04 | R$ 7,37 | Decreto 12.797/2025 (publicado no DOU em 24/12/2025) |
| 01.01.2025 | R$ 1.518,00 | R$ 50,60 | R$ 6,90 | Decreto 12.342/2024 |
| 01.01.2024 | R$ 1.412,00 | R$ 47,07 | R$ 6,42 | Decreto 11.864/2023 |
| 01.05.2023 | R$ 1.320,00 | R$ 44,00 | R$ 6,00 | MP 1.172/2023 |
| 01.01.2022 | R$ 1.212,00 | R$ 40,40 | R$ 5,51 | MP 1.091/2021 |
| 01.01.2021 | R$ 1.100,00 | R$ 36,67 | R$ 5,00 | MP 1021/2020 |
| 01.02.2020 | R$ 1.045,00 | R$ 34,83 | R$ 4,75 | MP 919/2020 |
| 01.01.2020 | R$ 1.039,00 | R$ 34,63 | R$ 4,72 | MP 916/2019 |
| 01.01.2019 | R$ 998,00 | R$ 33,27 | R$ 4,54 | Decreto 9.661/2019 |
| 01.01.2018 | R$ 954,00 | R$ 31,80 | R$ 4,34 | Decreto 9.255/2017 |
| 01.01.2017 | R$ 937,00 | R$ 31,23 | R$ 4,26 | Decreto 8.948/2016 |
| 01.01.2016 | R$ 880,00 | R$ 29,33 | R$ 4,00 | Decreto 8.618/2015 |
| 01.01.2015 | R$ 788,00 | R$ 26,27 | R$ 3,58 | Decreto 8.381/2014 |
| 01.01.2014 | R$ 724,00 | R$ 24,13 | R$ 3,29 | Decreto 8.166/2013 |
| 01.01.2013 | R$ 678,00 | R$ 22,60 | R$ 3,08 | Decreto 7.872/2012 |
| 01.01.2012 | R$ 622,00 | R$ 20,73 | R$ 2,83 | Decreto 7.655/2011 |
| 01.03.2011 | R$ 545,00 | R$ 18,17 | R$ 2,48 | Lei 12.382/2011 |
| 01.01.2011 | R$ 540,00 | R$ 18,00 | R$ 2,45 | MP 516/2010 |
| 01.01.2010 | R$ 510,00 | R$ 17,00 | R$ 2,32 | Lei 12.255/2010 |
| 01.02.2009 | R$ 465,00 | R$ 15,50 | R$ 2,11 | Lei 11.944/2009 |
| 01.03.2008 | R$ 415,00 | R$ 13,83 | R$ 1,89 | Lei 11.709/2008 |
| 01.04.2007 | R$ 380,00 | R$ 12,67 | R$ 1,73 | Lei 11.498/2007 |
| 01.04.2006 | R$ 350,00 | R$ 11,67 | R$ 1,59 | MP 288/2006 |
| 01.05.2005 | R$ 300,00 | R$ 10,00 | R$ 1,36 | Lei 11.164/2005 |
| 01.05.2004 | R$ 260,00 | R$ 8,67 | R$ 1,18 | MP 182/2004 |
| 01.04.2003 | R$ 240,00 | R$ 8,00 | R$ 1,09 | MP 116/2003 |
| 01.04.2002 | R$ 200,00 | R$ 6,67 | R$ 0,91 | MP 35/2002 |
| 01.04.2001 | R$ 180,00 | R$ 6,00 | R$ 0,82 | MP 2.142/2001 |
| 03.04.2000 | R$ 151,00 | R$ 5,03 | R$ 0,69 | Lei 9.971/2000 |
O diferencial de São Paulo: o piso estadual
A lógica é simples: o custo de vida na capital paulista e em grandes polos industriais do estado é muito superior à média nacional. Para o trabalhador paulista ter uma vida digna, o governo estadual estabelece um valor maior.
O reajuste do piso salarial de São Paulo (2024-2026)
Em 2024, o governador Tarcísio de Freitas sancionou um novo aumento para o piso salarial estadual. Com um reajuste de 5,81%, o valor saltou de R$ 1.550,00 para R$ 1.640,00, passando a valer a partir de 1º de junho de 2024, beneficiando, entre outras, as seguintes categorias:
- Trabalhadores domésticos;
- Auxiliares de serviços gerais;
- Operadores de telemarketing;
- Trabalhadores agropecuários e florestais.
Em 2025, o piso salarial paulista foi novamente reajustado. A Lei nº 18.153/2025 fixou o valor em R$ 1.804,00, com vigência a partir de 1º de julho de 2025. Esse valor permanece vigente em 2026, até que uma nova lei estadual estabeleça outro reajuste.
Comparativo e histórico paulista
É notável como o piso de São Paulo se mantém consistentemente acima do salário mínimo federal. Em 2026, enquanto o salário mínimo nacional é de R$ 1.621,00, o piso paulista permanece em R$ 1.804,00, uma diferença de mais de R$ 180, que impacta diretamente o poder de compra e o sustento das famílias paulistas.
Evolução recente em SP:
- 2026: R$ 1.804,00 (mantido até nova revisão)
- 2025: R$ 1.804,00
- 2024: R$ 1.640,00
- 2023: R$ 1.550,00
- 2022: R$ 1.284,00
- 2021: R$ 1.163,55













