O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) iniciou uma nova etapa do Programa de Gerenciamento de Benefícios (PGB) com o objetivo de melhorar o fluxo de análise de requerimentos previdenciários e reduzir o volume de solicitações pendentes em todo o país. A medida ocorre em um cenário de crescimento do número de processos aguardando avaliação administrativa.
Dados divulgados nos boletins estatísticos da Previdência Social indicam que, em novembro de 2025, aproximadamente 2,9 milhões de pessoas aguardavam resposta do INSS para requerimentos de benefícios. O número representa aumento em relação ao estoque registrado no início de 2023, quando cerca de 1,2 milhão de segurados estavam na fila por período superior a 45 dias.
O PGB já havia sido implementado anteriormente, mas passou por interrupção. Agora, o programa é retomado com estrutura voltada à centralização nacional da análise de benefícios, alterando a forma de distribuição das demandas entre os servidores.
Como funciona a nova fase do PGB
Com a retomada do programa, os pedidos de benefícios deixam de ficar restritos à análise por unidade regional específica. Em vez disso, passam a integrar uma fila nacional unificada, permitindo que o sistema direcione os processos para servidores com maior disponibilidade de análise, independentemente da localidade do requerente.
Segundo o INSS, cerca de 2,5 mil servidores aderiram ao programa nesta nova fase. Nas primeiras semanas de funcionamento, foram iniciadas análises de aproximadamente 118 mil benefícios, com cerca de 60 mil tarefas concluídas, incluindo movimentações processuais e decisões administrativas.
A expectativa institucional é ampliar a capacidade de processamento mensal com esse modelo, adicionando volume extra de análises além da rotina habitual do órgão.
Volume de requerimentos e fluxo mensal
O INSS registra, em média, cerca de 1,1 milhão de análises de benefícios por mês, entre concessões e indeferimentos. Contudo, o número de novos pedidos protocolados mensalmente permanece elevado, o que mantém pressão sobre o estoque de requerimentos pendentes.
A diferença entre o volume de entradas e a capacidade de decisão influencia diretamente o tamanho da fila administrativa, especialmente em períodos de maior demanda por benefícios previdenciários e assistenciais.
Estrutura de pessoal e desafios operacionais
O instituto também lida com questões relacionadas à estrutura de pessoal. Informações institucionais apontam que o órgão opera com quadro reduzido em relação à necessidade estimada de servidores para atendimento integral da demanda. Parte das atividades administrativas continua sendo realizada em regime remoto, modelo adotado desde a pandemia e mantido em diversas unidades.
Além disso, o fluxo de trabalho depende da estabilidade dos sistemas digitais utilizados para análise de benefícios e da adesão dos servidores aos programas de esforço concentrado, como o PGB.
Limites da centralização
A centralização da fila busca dar maior flexibilidade à distribuição de processos, mas alguns tipos de atendimento seguem condicionados à estrutura local. É o caso das perícias médicas presenciais, necessárias em diversos benefícios por incapacidade, que continuam vinculadas à disponibilidade de profissionais e agendas nas agências da Previdência Social.
Também há situações em que o exame do direito envolve características regionais de atividade profissional ou comprovação de exercício laboral específico, o que exige análise documental detalhada.
Impactos para segurados e para a área contábil
Para contadores, advogados previdenciários e profissionais que atuam com gestão de benefícios, a reorganização da fila nacional altera a dinâmica de tramitação dos processos, mas não modifica os critérios legais de concessão nem os prazos formais previstos na legislação.
O acompanhamento dos pedidos segue sendo feito pelos canais digitais do INSS, e eventuais exigências documentais continuam sendo comunicadas ao segurado durante a análise.
A evolução do estoque de requerimentos dependerá da combinação entre capacidade operacional, volume de novos pedidos e continuidade das ações de reorganização administrativa implementadas pelo instituto.

Rafa Neddermeyer/Agência Brasil 











