O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros (Selic) em 15,00% ao ano, conforme deliberado na reunião realizada em 27 e 28 de janeiro de 2026. A decisão foi unânime entre os membros do colegiado. Ao mesmo tempo, o Comitê indicou que considera adequado sinalizar o início de um ciclo de redução da taxa de juros em sua próxima reunião, condicionado à confirmação do cenário esperado para a inflação.
A sinalização ocorre em um contexto de arrefecimento da inflação, melhora gradual das condições inflacionárias correntes e evidências mais claras da transmissão da política monetária, segundo a ata divulgada pelo Banco Central.
Cenário externo segue incerto
De acordo com o Copom, o ambiente internacional permanece marcado por incertezas associadas à conjuntura e à política econômica dos Estados Unidos, além de tensões geopolíticas. Esse quadro, segundo o documento, exige cautela por parte de economias emergentes.
Apesar dos riscos de longo prazo, o Comitê observou algum arrefecimento recente da incerteza externa. Os preços das principais commodities se mantiveram contidos, enquanto as condições financeiras globais foram avaliadas como favoráveis.
Atividade doméstica mostra moderação e mercado de trabalho resiliente
No cenário interno, os indicadores de atividade econômica seguem trajetória de moderação no crescimento, em linha com o esperado pelo Comitê. O Copom reiterou que o arrefecimento da demanda agregada é considerado parte do processo de reequilíbrio entre oferta e demanda, necessário para a convergência da inflação à meta.
O mercado de trabalho, por sua vez, ainda apresenta sinais de resiliência. A taxa de desemprego permanece em patamares historicamente baixos, e os rendimentos reais médios continuam avançando acima do crescimento da produtividade do trabalho. O Comitê destacou que acompanha de forma detalhada os desdobramentos desse cenário sobre a dinâmica de preços, especialmente no setor de serviços.
Inflação desacelera, mas expectativas seguem acima da meta
As leituras recentes indicam arrefecimento da inflação cheia e das medidas subjacentes, com contribuição de um câmbio mais apreciado e de preços de commodities mais comportados. A inflação de serviços também apresentou moderação, ainda que em ritmo mais lento.
Mesmo com a desaceleração, as expectativas de inflação continuam acima da meta. As projeções da pesquisa Focus apontam inflação de 4,0% para 2026 e 3,8% para 2027. O Copom avaliou que o ambiente de expectativas desancoradas exige restrição monetária maior e por mais tempo do que em ciclos anteriores.
Projeções indicam inflação próxima da meta no horizonte relevante
No cenário de referência do Banco Central, as projeções para o IPCA acumulado em quatro trimestres são de 3,4% em 2026 e 3,2% no terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante da política monetária.
O Comitê ressaltou que o balanço de riscos para a inflação apresenta incertezas tanto de alta quanto de baixa, envolvendo fatores como expectativas de inflação, comportamento da inflação de serviços, cenário externo e evolução dos preços de commodities.
A ata também destacou o papel da política fiscal, tanto no curto prazo, por meio de estímulo à demanda, quanto na dimensão estrutural, ao influenciar a percepção sobre a sustentabilidade da dívida pública e o prêmio de risco. O Comitê reiterou a importância de políticas previsíveis, críveis e anticíclicas, além da harmonização entre política fiscal e monetária.
Condução da política monetária
O Copom afirmou que a manutenção da Selic em nível restritivo por período prolongado tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. Diante da melhora do cenário inflacionário e de expectativas menos distantes da meta, o Comitê aprofundou a discussão sobre a calibração da política monetária.
Após analisar o conjunto de informações disponíveis, o colegiado julgou apropriado sinalizar o início de um ciclo de redução da taxa de juros em sua próxima reunião, sem prejuízo da necessidade de manter os juros em patamar restritivo até a consolidação do processo de desinflação e da ancoragem das expectativas.
O Comitê destacou que a magnitude e a duração do ciclo de distensão monetária dependerão da evolução dos dados econômicos e de novas informações incorporadas às análises ao longo do tempo.
Decisão e próximos passos
Ao manter a Selic em 15% ao ano, o Copom avaliou que a decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação à meta no horizonte relevante. O Comitê reforçou que o cenário de elevada incerteza exige cautela e que o ritmo e a magnitude de eventuais cortes dependerão da confirmação das condições esperadas.
A próxima reunião do Copom será determinante para a avaliação sobre o início do processo de flexibilização monetária, conforme a sinalização apresentada na ata.













