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CONTABILIDADE

Crítica ao reducionismo fiscal da agenda contábil brasileira diante da IFRS 18

A IFRS 18 redefine a DRE e o foco da contabilidade, mas o Brasil permanece preso ao modelo fiscalista.

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IFRS 18: contabilidade brasileira ignora mudança estrutural

Crítica ao reducionismo fiscal da agenda contábil brasileira diante da IFRS 18

A sociedade contábil brasileira vive, hoje, um paradoxo histórico: enquanto se apresenta como guardiã da informação econômica, comporta-se como refém do fisco. A obsessão coletiva pelos contornos da Reforma Tributária, embora legítima, revela uma miopia estrutural ao negligenciar transformações muito mais profundas e conceituais impostas pela IFRS 18 – Presentation and Disclosure in Financial Statements.

O debate dominante concentra-se em alíquotas, créditos, regimes e neutralidade fiscal, como se a contabilidade existisse apenas para apurar tributos. Esse comportamento não é técnico: é cultural. É a herança do modelo fiscalista brasileiro, no qual a Demonstração do Resultado sempre foi tratada como um “rascunho do IRPJ” e não como um instrumento de comunicação econômica.

Enquanto isso, a IFRS 18 altera o núcleo da narrativa contábil ao:

Ou seja, ela desloca o foco da contabilidade do cálculo para a interpretação do desempenho.

A apatia frente a essa mudança é grave. Não se trata de um ajuste cosmético. Trata-se de uma reengenharia conceitual da performance empresarial. Persistir em ignorá-la é aceitar que o Brasil continue produzindo demonstrações formalmente corretas, porém informacionalmente pobres.

O mais inquietante é que essa negligência não vem apenas do mercado, mas também:

Há artigos, seminários e lives aos milhares sobre IBS, CBS e crédito tributário. Há quase silêncio sobre:

Esse silêncio não é neutro: ele empurra a profissão para um papel subalterno, onde o contador é visto como intérprete de norma fiscal e não como analista de valor econômico.

A IFRS 18 não pergunta quanto imposto você paga.

Ela pergunta como você gera resultado.

Ela não quer saber se sua base é cumulativa.

Ela quer saber de onde vem o lucro.

Ignorar isso é abdicar do futuro da profissão.

Em termos epistemológicos, o que se observa é um desvio do objeto da contabilidade: da mensuração do desempenho econômico para a obsessão pela conformidade tributária. É como se a medicina se dedicasse apenas a preencher formulários do SUS e esquecesse a fisiologia humana.

A Reforma Tributária é relevante.

Mas é contingente.

A IFRS 18 é estrutural.

Uma molda o sistema de arrecadação.

A outra molda o modo como o desempenho é compreendido.

O verdadeiro desafio não é adaptar sistemas fiscais.

É reaprender a narrar o lucro.

E quem não compreende a narrativa econômica, ainda que conheça todas as alíquotas, continuará sendo apenas um escriba do fisco: nunca um intérprete da riqueza.

Fonte: Perfil LinkedIn Abelardo Gaspar

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