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MERCADO DE TRABALHO

CNC lança estudo sobre impactos do fim da jornada 6x1

Estudo da CNC aponta que redução da jornada de trabalho pode gerar alta de custos, repasse de preços e queda no emprego formal. Entenda os impactos.

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CNC divulga estudo sobre redução da jornada de trabalho

CNC lança estudo sobre impactos do fim da jornada 6x1

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgou, nesta segunda-feira (23), um estudo técnico sobre os impactos da redução da jornada de trabalho no Brasil. A entidade defende que eventuais mudanças sejam realizadas por meio de negociação coletiva, e não por imposição legal.

O debate ocorreu durante o evento “Jornada de trabalho e estabilidade do ambiente de negócios”, realizado na sede da CNC, em Brasília, com transmissão pelo canal CNC Play.

Proposta em debate no Congresso

A discussão ocorre em meio à tramitação, na Câmara dos Deputados, de propostas que preveem:

  1. Teto de 40 horas semanais;
  2. Extinção da escala 6×1.

Segundo a CNC, a alteração pode afetar diretamente preços, emprego e competitividade.

O evento contou com participação do economista-chefe da entidade, Fábio Bentes, do advogado Roberto Lopes e da diretora de Relações Institucionais, Nara de Deus.

Impactos estimados pelo estudo

O levantamento aponta que:

  1. O Brasil possui 57,8 milhões de empregos formais;
  2. 31,5 milhões seriam impactados pela mudança;
  3. 93% dos trabalhadores do varejo e 92% do atacado trabalham acima de 40 horas semanais;
  4. A adequação pode gerar R$ 122,4 bilhões em custos anuais para o comércio;
  5. No setor de serviços, o impacto estimado é de R$ 235 bilhões;
  6. O repasse ao consumidor pode chegar a 13%;
  7. O choque pode resultar em 631 mil empregos formais a menos no curto e médio prazos.

Segundo Fábio Bentes, o comércio teria dificuldades para absorver o aumento de custos sem repasse de preços ou cortes de postos de trabalho.

Produtividade e qualificação

O estudo sustenta que redução legal da jornada não garante aumento de produtividade.

“Países desenvolvidos trabalham menos porque são mais produtivos, e não ficam mais produtivos porque trabalham menos”, afirmou Bentes.

A CNC defende investimentos em qualificação profissional como caminho para elevar a produtividade de forma sustentável.

Turismo pode ser o setor mais afetado

O turismo foi apontado como o segmento mais vulnerável, com custo potencial de adequação de até 54%.

Por ser intensivo em mão de obra e operar de forma contínua, o setor teria dificuldade de absorver restrições mais rígidas de jornada.

Defesa da negociação coletiva

O advogado Roberto Lopes afirmou que a CNC não se opõe à redução da jornada, desde que realizada por meio de acordo ou convenção coletiva, conforme previsto no artigo 7º, inciso XIII, da Constituição Federal.

Segundo ele, a negociação coletiva permite ajustes conforme a realidade de cada setor, evitando impactos generalizados.

Lopes também alertou que alteração do limite máximo de jornada exigiria Proposta de Emenda Constitucional (PEC), e não simples lei ordinária.

Cenário político

A diretora Nara de Deus avaliou que o Congresso ainda não amadureceu o debate e que o ano legislativo encurtado pode dificultar o avanço da proposta.

Para a entidade, o tema exige análise técnica aprofundada para evitar insegurança jurídica e prejuízos à atividade econômica.

Próximos passos

A CNC informou que continuará contribuindo com estudos e dados técnicos para embasar o debate no Congresso Nacional, defendendo:

  1. Diálogo social;
  2. Negociação coletiva;
  3. Respeito às especificidades dos setores produtivos.

O estudo completo está disponível no site da entidade.

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