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MANIFESTO CLASSE CONTÁBIL

Entidades e profissionais repudiam fala de autoridades contra a classe contábil e reforçam que simplificação não elimina o papel do contador

Profissionais e entidades contábeis rebatem declarações do Ministro da Fazenda sobre a classe, defendem os contadores e criticam a visão simplificada do ministro.

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Entidades e profissionais repudiam fala de autoridades contra a classe contábil

Entidades e profissionais repudiam fala de autoridades contra a classe contábil e reforçam que simplificação não elimina o papel do contador

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou durante evento – trecho que compartilhou o trecho em suas redes sociais nesta terça-feira (26) – que “você entra numa empresa hoje brasileira, tem mais contador que engenheiro, essa é a realidade do Brasil. O melhor está por vir, a partir do dia 1º de janeiro de 2027 entra em vigor a maior reforma tributária já feita, será um IVA 100% digital e você terá uma desoneração de encargos e serviços contábeis para fazer a contabilidade da sua empresa como se nunca viu no Brasil”, sugerindo uma desvalorização da classe contábil, que até então era considerada um dos braços direitos da aplicação da nova reforma tributária.

A fala gerou grande repercussão nas redes sociais e as principais entidades que representam o setor contábil já estão se posicionando contra a fala do ministro, assim como profissionais da área, influenciadores e outros que querem trazer luz à um tema tão importante em um momento tão sensível.

Profissionais contábeis se posicionam à favor da classe

O Contábeis, que sempre se posicionou à favor da classe contábil e também repudia as falas do ministro, conversou com contadores parceiros sobre o tema.

O contador, empresário contábil e referência na área de Recuperação Tributária, Anderson Souza, também compartilhou com o Contábeis que quando ouviu a frase do ministro ele entendeu que o ministro quis dizer que a simplificação faria com que o contador fosse menos necessário. “Eu confesso que isso me incomodou e isso não é por ataque pessoal nem por viés político, mas porque essa leitura não reflete a realidade de quem vive no dia a dia das empresas. O contador não está dentro das organizações apenas porque o sistema é burocrático, ele tá ali porque o risco é alto, porque as decisões são complexas e as consequências elas custam caro”, afirma o especialista.

“Simplificar não elimina a responsabilidade, não elimina o julgamento técnico e não elimina o erro e muito menos o custo do erro. Há muito tempo o contador deixou de ser o profissional de cumprimento de obrigações. hoje ele é parte da engrenagem estratégica de um negócio, As empresas não quebram porque faltam engenheira, elas quebram porque erraram na gestão, no planejamento tributário ou na tomada estratégica da decisão e isso não se resolve com menos profissionais qualificados, ela se resolve com mais inteligência técnica aplicada ao negócio”.

Anderson ainda reforça que a simplificação não diminui o contador e coloca em referência quem entende de verdade, até porque não são sistemas e portais que farão a reforma acontecer, são os contadores que darão vazão a esse novo processo tributário e esse é um debate que precisa ser feito com mais profundidade e respeito a classe que sustenta o empreendedorismo no país.

A contadora, tributarista e perita Camila Oliveira afirma que a ideia de que o contador deixará de ser necessário parte de uma visão excessivamente simplificada: “O sistema continuará exigindo controles técnicos rigorosos e acompanhamento permanente, especialmente durante o período de transição”.

“É importante lembrar que o contador não é um custo desnecessário para o empresário. Ele é um agente de segurança fiscal e jurídica. Um bom trabalho contábil evita pagamentos indevidos, identifica oportunidades de recuperação de créditos e reduz riscos tributários.

O contador não é o problema do sistema tributário brasileiro. Pelo contrário, é o profissional que ajuda as empresas a sobreviver dentro dele”, afirma a contadora.

A especialista ainda reforça que sem a atuação técnica do contador, o risco de erros fiscais aumenta significativamente. “E quem paga essa conta é o empresário e, muitas vezes, a própria economia. O contador protege o fluxo de caixa das empresas, evita autuações e contribui diretamente para a arrecadação correta dos tributos.”

FENACON e Sescon-SP defendem classe contábil

A Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de

Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (FENACON) manifestou publicamente seu repúdio às declarações de Haddad voltadas aos profissionais da contabilidade. COnfira uma parte:

“Tal posicionamento desconsidera a complexidade do sistema tributário brasileiro e o papel notável desempenhado pela contabilidade no funcionamento da economia. Por representar uma mudança estrutural relevante, a Reforma Tributária carece de interpretação técnica, planejamento, conformidade fiscal, governança e gestão financeira.

Especialmente no contexto de transição para um novo modelo tributário, o papel do profissional da contabilidade torna-se ainda mais relevante. Caberá a esses especialistas orientar empresas, mitigar riscos, assegurar o correto cumprimento das obrigações legais e oferecer suporte estratégico para adaptação às novas regras.

A contabilidade não se limita ao cumprimento de obrigações acessórias. Trata-se de função essencial à gestão empresarial, à arrecadação tributária, à geração de empregos e à sustentabilidade dos negócios. Nenhuma empresa prescinde de orientação técnica qualificada para tomar decisões seguras e responsáveis.

Diante disso, a FENACON reafirma a indispensabilidade dos profissionais da contabilidade para o desenvolvimento do país e exige respeito e retratação por parte do senhor ministro, cuja função pública impõe responsabilidade institucional e reconhecimento daqueles que são um dos pilares do cenário econômico brasileiro”.

O presidente do Sescon-SP, Antônio Carlos Santos, parceiro de longa data do Contábeis, também compartilhou sua defesa da classe contábil. Em uma parte do artigo, o presidente reforça que “o pior [da fala do ministro] é que desloca a responsabilidade justamente para quem, na prática, tem evitado que esse sistema entre em colapso. Transformar o contador em símbolo da ineficiência tributária é ignorar a realidade concreta de quem opera diariamente dentro do que, sem exagero, é um dos sistemas tributários mais complexos e litigiosos do mundo. 

Empresas brasileiras não mantêm departamentos fiscais robustos por vaidade burocrática. Fazem isso por sobrevivência. Porque errar tributo no Brasil não é mero detalhe administrativo — é risco financeiro, jurídico e reputacional real.

Sem o contador dentro das organizações, a arrecadação pública se tornaria caótica. É o contador quem:

• traduz normas frequentemente confusas;

• evita autuações desnecessárias;

• organiza informações para fiscalização;

• garante mínima previsibilidade para investimento e operação;

• atua como mediador silencioso entre Estado e contribuinte.

Culpá-lo pela complexidade tributária é inverter completamente a equação. É como culpar o médico pelo hospital estar super lotado”.

O Contábeis segue ao lado da classe contábil na busca pela valorização da profissão.


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