A digitalização dos pequenos negócios brasileiros trouxe novas oportunidades comerciais, mas também ampliou a exposição a riscos cibernéticos. Com a consolidação de vendas online, sistemas integrados de gestão e pagamentos eletrônicos, a segurança da informação passou a ocupar papel estratégico na rotina empresarial.
De acordo com um levantamento realizado pela empresa Opinion Box, apesar dos golpes e fraudes financeiras contra empresas serem cada vez mais frequentes no Brasil, 22% das microempresas e empresas de pequeno porte ainda não possuem nenhuma medida interna de segurança.
A pesquisa também revelou que o meio de segurança mais utilizado é o backup das informações, representando 30% das respostas, enquanto apenas 27% determinam controles de níveis de acesso a seus sistemas pelos funcionários e colaboradores. A criptografia de dados sensíveis e firewalls são usados por 25% dos entrevistados.
Assim, uma em cada quatro empresas não possui estrutura de segurança digital – o que acende um alerta sobre a vulnerabilidade dos dados de clientes e da própria operação diante da ação de cibercriminosos. Por outro lado, 35% afirmam contar com soluções internas para lidar com a segurança digital, enquanto 24% contam com parceiros específicos e externos para gestão de segurança
Do ponto de vista do consumidor, 76% dos 2.018 entrevistados afirmam que a segurança das informações pessoais e financeiras é um fator determinante tanto na loja física como online. A preocupação predomina entre mulheres (48%) e pessoas acima dos 30 anos.
Especialistas do setor de tecnologia e meios de pagamento alertam que muitos empreendimentos ainda concentram a proteção apenas nas soluções oferecidas por operadoras financeiras, sem desenvolver políticas internas próprias de prevenção e monitoramento.
A ausência de controles estruturados pode abrir espaço para fraudes, invasões de sistemas e interrupções operacionais que afetam diretamente a atividade econômica.
Impactos diretos na contabilidade e no cumprimento de obrigações fiscais
Para profissionais da contabilidade, o tema vai além da área de TI. Incidentes digitais podem comprometer bases de dados contábeis, registros financeiros e documentos fiscais eletrônicos, dificultando o cumprimento de obrigações acessórias e a apuração correta de tributos.
Em casos mais graves, prejuízos decorrentes de fraudes ou paralisação de sistemas podem afetar o fluxo de caixa, gerar necessidade de provisões e alterar indicadores financeiros.
A adoção de políticas formais de segurança da informação, como definição de níveis de acesso, monitoramento de transações e contratação de soluções especializadas, tende a reduzir vulnerabilidades e contribuir para a governança corporativa.
Meios de pagamento e custo operacional exigem planejamento
O crescimento do uso de soluções digitais, como cartões, transferências instantâneas e carteiras virtuais, ampliou a conveniência para o consumidor. Por outro lado, exige das empresas avaliação criteriosa de custos operacionais, taxas e riscos associados a cada modalidade.
A decisão de aceitar ou não determinados meios de pagamento envolve análise financeira, tecnológica e estratégica, especialmente para negócios de menor porte.
Nesse contexto, a área contábil tem papel relevante ao apoiar a administração na avaliação de impacto sobre margens, controle de estornos, gestão de recebíveis e prevenção de perdas.
Comportamento do consumidor reforça necessidade de proteção
A experiência de compra está cada vez mais associada à percepção de segurança e facilidade nas transações. Empresas que demonstram organização, transparência e proteção de dados tendem a fortalecer a confiança do cliente.
Para o varejo e o setor de serviços, integrar segurança digital, planejamento financeiro e estratégia comercial deixou de ser diferencial e passou a ser componente essencial da sustentabilidade do negócio.
Diante do avanço tecnológico e da evolução dos meios de pagamento, a consolidação de políticas internas de proteção digital se torna parte do planejamento estratégico das micro e pequenas empresas, com reflexos diretos na gestão contábil e na continuidade operacional.
Com informações adaptadas Diário do Comércio













