A Receita Federal deve iniciar, em julho de 2026, a emissão do novo CNPJ alfanumérico para inscrições novas, mas a mudança não deve atingir todos os perfis de empresas ao mesmo tempo. A tendência, segundo a área técnica do órgão, é que a implementação comece pelas grandes companhias e por setores considerados mais preparados do ponto de vista tecnológico. A informação foi dada por Rafael Neves Carvalho, coordenador operacional de Cadastros e Benefícios Fiscais da Receita Federal, em entrevista ao Portal da Reforma Tributária.
A estratégia em estudo considera que empresas de maior porte tendem a estar conectadas a fornecedores de tecnologia e sistemas de gestão mais estruturados, o que pode facilitar a adaptação ao novo padrão. Já os microempreendedores individuais (MEIs), não devem entrar nesse primeiro momento da transição no segundo semestre de 2026. A Receita informou que pretende acompanhar a adesão do mercado e publicar um cronograma para dosar essa implantação.
O que mudará com o CNPJ alfanumérico
Na prática, a mudança não afetará os CNPJs que já existem hoje. O novo formato, que combinará letras e números, valerá apenas para novas inscrições, enquanto os registros atuais continuarão válidos. Com isso, os dois modelos deverão coexistir: o numérico, para empresas já abertas, e o alfanumérico, para novos registros feitos a partir da implementação. A própria Receita informa, em sua página oficial sobre o tema, que o CNPJ alfanumérico será atribuído exclusivamente a novas inscrições a partir de julho de 2026.
A alteração foi formalizada pela Instrução Normativa RFB nº 2.229, publicada em outubro de 2024, e faz parte da preparação do ambiente de negócios para a nova fase da reforma tributária. No cronograma oficial divulgado pela Receita, julho de 2026 aparece como marco de implementação do novo modelo.
Segundo Rafael Neves Carvalho, a adoção do CNPJ alfanumérico não decorre de uma escolha meramente operacional, mas da necessidade de ampliar a capacidade de combinações disponíveis no cadastro. De acordo com ele, o modelo atual já soma cerca de 70 milhões de CNPJs emitidos para matrizes, e a pressão aumenta quando se considera também o volume de filiais e novos estabelecimentos que deverão ser alcançados pela reforma. Por isso, a avaliação da Receita é de que não há margem confortável para postergação.
A expectativa do Fisco é que a transição ganhe escala ao longo do segundo semestre de 2026. Na entrevista, o coordenador afirmou que o volume poderá ser calibrado mês a mês, mas estimou que o universo potencial pode chegar a cerca de 2 milhões de inscrições ainda em 2026, com base em uma média de aproximadamente 500 mil novos cadastros por mês. A “virada de chave” completa, segundo ele, precisa estar concluída até 1º de janeiro de 2027.
O principal impacto, porém, não deve estar na emissão do novo número em si, mas na adaptação dos sistemas corporativos. A Receita alerta que empresas precisarão revisar ERPs, cadastros de fornecedores, contratos, rotinas de estoque, meios de pagamento e demais aplicações internas que hoje aceitam apenas caracteres numéricos no campo do CNPJ. Em material oficial de perguntas e respostas, o órgão reforça que sistemas públicos e privados devem ser ajustados para reconhecer tanto o formato atual quanto o alfanumérico.
Com informações adaptadas Portal da Reforma Tributária













