Com o início da fase de transição da Reforma Tributária, empresas e desenvolvedores de sistemas fiscais começaram a testar a emissão de documentos com os novos tributos previstos no modelo aprovado pelo Congresso Nacional. Desde o final de 2025, já foram registrados 61.880 documentos fiscais emitidos em ambiente de testes com cálculo automático da CBS e do IBS por meio da plataforma PlugNotas.
Os testes envolvem 153 empresas (CNPJs) e 21 software houses que utilizam a solução tecnológica para adaptação de sistemas ao novo regime tributário. O volume reflete iniciativas do setor privado para antecipar ajustes operacionais antes da implementação obrigatória do novo modelo.
Do total de documentos emitidos em ambiente de testes, 61.300 correspondem a Notas Fiscais de Consumidor Eletrônicas (NFC-e) e 580 a Notas Fiscais Eletrônicas (NF-e). A maior parte das emissões está concentrada em operações de varejo e em empresas com elevado volume de documentos fiscais.
Os testes ocorrem paralelamente ao regime tributário atual, conforme o cronograma da reforma, que prevê um período de convivência entre o sistema vigente e a nova estrutura de tributação sobre consumo.
Integração com calculadora oficial da Reforma Tributária
Em julho de 2025, a Receita Federal, em parceria com o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), disponibilizou a Calculadora da Reforma Tributária, ferramenta desenvolvida para simular e validar o cálculo dos novos tributos durante o período de adaptação.
A aplicação foi lançada como software gratuito e de código aberto, permitindo uso tanto por meio de um simulador online quanto por integração via API por empresas e desenvolvedores interessados em adaptar seus sistemas fiscais.
A partir dessa infraestrutura pública, a plataforma PlugNotas passou a integrar diretamente a calculadora oficial ao processo de emissão de documentos fiscais eletrônicos. Com essa integração, empresas e desenvolvedores podem realizar o cálculo de Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) automaticamente no fluxo de emissão de NF-e e NFC-e, sem necessidade de criar lógica própria de cálculo tributário.
Nesse modelo, os valores utilizados nas simulações são gerados exclusivamente com base nos resultados fornecidos pela calculadora oficial, sem aplicação de regras adicionais ou interpretações paralelas.
Adaptação tecnológica e impactos para contabilidade e software fiscal
A fase de testes da Reforma Tributária tem mobilizado empresas de tecnologia fiscal, desenvolvedores de sistemas de gestão e profissionais da área contábil, que precisam acompanhar as mudanças estruturais na tributação sobre o consumo.
Para escritórios contábeis e departamentos fiscais, a integração de sistemas com a nova lógica de cálculo tende a exigir ajustes em rotinas de emissão de documentos, parametrização de tributos e validação de informações fiscais.
Outro ponto relevante é a necessidade de revisão de dados utilizados no cálculo dos tributos, como NCM, CST, classificação fiscal e base de cálculo, que passam a influenciar diretamente os resultados retornados pelas ferramentas de simulação da nova estrutura tributária.
Nesse contexto, o período de convivência entre os dois regimes permite que empresas realizem testes operacionais e identifiquem eventuais inconsistências antes da adoção obrigatória das novas regras.
Redução de esforço de desenvolvimento e inconsistências fiscais
Estimativas internas indicam que a utilização da integração com a calculadora oficial permitiu reduzir o esforço de desenvolvimento necessário para adaptação de sistemas. Considerando o trabalho médio envolvido na criação, validação e manutenção de lógica própria para cálculo dos novos tributos, empresas de software que adotaram a solução deixaram de dedicar cerca de 2 mil horas de desenvolvimento ao processo.
Durante os testes, o cálculo dos tributos ocorre item a item, utilizando informações fiscais presentes nos documentos, como classificação fiscal e base de cálculo. Os valores resultantes correspondem exclusivamente aos dados retornados pela calculadora disponibilizada pela Receita Federal.
Esse modelo de validação busca reduzir divergências de interpretação e apoiar a adaptação tecnológica durante o período de transição da Reforma Tributária, no qual o sistema atual continuará operando simultaneamente ao novo modelo de tributação sobre consumo.
Com informações do Convergência Digital













