Um imposto mínimo de 2% sobre grandes fortunas no Brasil poderia gerar cerca de R$ 30,5 bilhões por ano em arrecadação, segundo estudo internacional encomendado pelo Ministério da Fazenda ao International Tax Observatory (ITO) e coordenado pelo economista francês Gabriel Zucman.
A proposta considera a tributação de patrimônios acima de US$ 100 milhões e atingiria uma parcela extremamente reduzida da população — cerca de 0,001% dos brasileiros, o equivalente a aproximadamente 1.430 pessoas. Entre elas, estão 70 bilionários e mais de 1.300 centimilionários.
De acordo com o levantamento, a medida aumentaria significativamente a carga tributária efetiva sobre os mais ricos. Atualmente, esse grupo paga, em média, 19,7% de impostos — percentual inferior à média nacional de 42,5%. Com a adoção do imposto mínimo, essa alíquota poderia chegar a cerca de 50%, superando pela primeira vez a média paga pela população em geral.
O estudo também aponta que o sistema tributário brasileiro apresenta distorções, nas quais os mais ricos acabam pagando proporcionalmente menos impostos. Isso ocorre, em grande parte, porque a tributação se concentra sobre renda e consumo, enquanto grandes patrimônios permanecem, em muitos casos, fora do alcance do Fisco, especialmente quando estruturados em empresas e holdings.
Além do Brasil, a pesquisa simulou os efeitos da medida em outros países da América Latina, como Argentina, Chile, Colômbia, México, Peru e Uruguai. Nesses sete países, a arrecadação conjunta poderia chegar a US$ 24 bilhões por ano (cerca de R$ 120 bilhões).
O relatório também avaliou cenários alternativos. Em uma hipótese mais moderada, com alíquota de 1%, a arrecadação no Brasil seria de US$ 2,78 bilhões anuais. Já em um cenário mais elevado, o valor poderia atingir US$ 9,42 bilhões.
Os dados reforçam o debate sobre desigualdade no país. Segundo o estudo, o 1% mais rico concentra 27% da renda nacional e quase metade da riqueza total. Enquanto isso, metade da população brasileira fica com menos de 10% da renda.
A discussão sobre a tributação de grandes fortunas tem ganhado espaço no país e já foi tema de debates internacionais, especialmente durante a presidência brasileira do G20 em 2024, quando propostas de taxação mínima global sobre super-ricos passaram a integrar a agenda econômica do bloco.
Com informações adaptadas Extra












