Com a abertura do prazo para o Imposto de Renda 2026, o contribuinte se vê diante de um sistema cada vez mais automatizado. Levantamentos realizados pela Receita Federal no final de março de 2026 indicam que o modelo de declaração pré-preenchida já ultrapassou a marca de 60% dos envios realizados logo após a abertura do prazo. Ao todo, a Receita Federal espera receber cerca de 44 milhões de declarações até o encerramento do prazo, em 29 de maio.
Para o advogado Wilson Sahade, especialista em direito tributário e sócio do escritório Lecir Luz & Wilson Sahade Advogados, essa evolução tecnológica oferece ganhos de agilidade, mas exige uma mudança de postura: o foco sai do preenchimento braçal e entra na revisão criteriosa. Embora a praticidade seja um atrativo, a facilidade operacional pode se tornar uma armadilha para quem aprova os documentos sem checar as informações enviadas por fontes pagadoras e instituições financeiras.
Entretanto, a decisão de realizar a declaração por conta própria, segundo Sahade, traz benefícios que vão além da economia financeira. "Fazer o próprio Imposto de Renda tem a vantagem de o contribuinte entender melhor a própria vida financeira, ou seja, deixa de apenas entregar documentos e passa a perceber como estão declarados rendimentos, bens, dívidas e dependentes, razões pelas quais proporciona uma melhor organização", afirma. Para esses casos, ele aponta a declaração pré-preenchida como o recurso ideal, embora não isento de falhas.
No entanto, o especialista ressalta que o suporte profissional de um contador torna-se indispensável à medida que a complexidade patrimonial aumenta. Temas como ganho de capital, heranças e investimentos exigem um rigor que sistemas automatizados nem sempre alcançam. "Nesses casos, o contador reduz risco de classificação errada, inconsistência e retrabalho. Além disso, a própria Receita vem reforçando o papel da classe contábil como ponte de orientação entre Fisco e contribuinte".
Uso da IA na declaração
Com as inovações trazidas pelo uso de ferramentas de Inteligência Artificial como suporte fiscal em 2026, o advogado enxerga a ferramenta com cautela. Embora útil para organizar checklists e traduzir termos técnicos, a IA não deve assumir o controle do processo.
“O problema começa quando a pessoa entrega à IA decisões que exigem critério técnico ou insere dados sensíveis sem qualquer cuidado. Em matéria tributária, resposta bem escrita não é a mesma coisa que resposta correta. E, quando há erro, quem responde não é a ferramenta”, destaca.
Sahade conclui que o futuro da conformidade fiscal reside no equilíbrio. "O caminho mais inteligente, hoje, é usar tecnologia para facilitar, mas sem abrir mão de revisão e responsabilidade”.
Fonte: It Comunicação Integrada













