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MERCADO FINANCEIRO

Cessão de crédito inadimplente deve crescer 73% em 2026

Estudo da Deloitte projeta R$ 52,3 bilhões em operações de NPL e aponta impacto direto em provisões, precificação e planejamento tributário.

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Cessão de crédito inadimplente deve crescer 73% em 2026

Cessão de crédito inadimplente deve crescer 73% em 2026

O mercado de cessão de créditos inadimplentes, conhecidos como NPLs, deve crescer 73% em 2026 e atingir R$ 52,3 bilhões, segundo pesquisa da Deloitte sobre o ciclo 2025/2026. 

O estudo indica continuidade da expansão observada nos últimos anos e aponta que o volume projetado só para o primeiro trimestre de 2026 é de aproximadamente R$ 15 bilhões.

Em 2025, de acordo com a mesma pesquisa, o volume cedido foi de R$ 30,2 bilhões, em linha com a projeção feita para 2024, de R$ 30,8 bilhões. Para a Deloitte, esse alinhamento entre expectativa e realização sinaliza maior maturidade do mercado de cessão de créditos.

A expansão do mercado, porém, não elimina gargalos relevantes. O estudo aponta que 51% das empresas não concluíram operações de cessão por desalinhamento entre o preço esperado e o valor ofertado. 

Esse dado reforça o peso da precificação das carteiras e da compatibilidade entre valor de mercado e provisões contábeis nas decisões de venda.

Outro fator de pressão está na gestão do risco de crédito. A Resolução CMN nº 4.966/2021 alterou a forma de mensuração das perdas ao adotar o conceito de perda esperada, sem necessidade de aguardar a inadimplência efetiva para reconhecimento contábil. 

A norma entrou em vigor em 1º de janeiro de 2025 e passou a afetar diretamente a forma como instituições financeiras avaliam provisões e estruturam suas carteiras.

No campo fiscal, a regra de dedução das perdas também mudou. Em 2024, o governo alterou o prazo de compensação fiscal das perdas com inadimplência das instituições financeiras, tornando mais lenta essa dedução. 

Pela nova sistemática, as instituições passaram a poder deduzir as perdas em sete ou dez anos, em vez do prazo anterior de três anos.

Essas mudanças regulatórias e fiscais ajudam a explicar por que a cessão de créditos inadimplentes passou a ocupar papel mais estratégico no planejamento financeiro. Com mais pressão sobre provisões, precificação e recuperação, a venda de carteiras deixa de ser medida pontual e tende a ganhar espaço como instrumento permanente de gestão de risco e liquidez.

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