Faltando menos de duas semanas para o fim do prazo do Imposto de Renda (IR) 2026, mais de 18 milhões de contribuintes ainda não entregaram a declaração à Receita Federal. O envio deve ser feito até as 23h59 do dia 29 de maio, no horário de Brasília. A expectativa do Fisco é receber cerca de 44 milhões de declarações neste ano.
Até a noite de domingo (17), a Receita contabilizava pouco mais de 25,6 milhões de documentos transmitidos. Os dados também mostram avanço do uso da declaração pré-preenchida, utilizada em 59,6% dos envios realizados até o momento. Já o modelo simplificado representa 55,4% das declarações entregues.
Com a proximidade do encerramento do prazo, especialistas da área tributária alertam para os riscos de deixar a entrega para os últimos dias, especialmente devido à possibilidade de inconsistências, congestionamento nos sistemas e aumento das chances de cair na malha fina.
Quem precisa entregar a declaração do IR 2026
As regras de obrigatoriedade do Imposto de Renda tiveram atualização em relação ao exercício anterior. As exigências consideram os rendimentos e movimentações financeiras ocorridas ao longo de 2025.
Devem apresentar a declaração os contribuintes que receberam rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584 no ano passado. Também entram na obrigatoriedade aqueles que obtiveram rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte acima de R$ 200 mil.
Outras situações que exigem entrega da declaração incluem operações em bolsa de valores acima de R$ 40 mil, ganho de capital sujeito à tributação, posse de bens superiores a R$ 800 mil e receita bruta da atividade rural acima de R$ 177.920.
Também precisam declarar contribuintes que passaram à condição de residentes no Brasil em 2025, possuem bens ou aplicações no exterior, titularidade de trust estrangeiro ou optaram pela atualização de bens mantidos fora do país.
Atraso pode gerar multa e pendências no CPF
O contribuinte obrigado a declarar que perder o prazo está sujeito à cobrança de multa mínima de R$ 165,74, podendo chegar a até 20% do imposto devido.
Além da penalidade financeira, a ausência da declaração pode levar o CPF à situação de pendência junto à Receita Federal, o que pode dificultar operações bancárias, financiamentos, emissão de passaporte e participação em concursos públicos.
Outro risco envolve a malha fina. O cruzamento eletrônico de dados realizado pela Receita identifica divergências entre informações declaradas pelo contribuinte e os dados enviados por empresas, bancos e instituições financeiras.
Por isso, profissionais da área contábil recomendam atenção redobrada na conferência de informes de rendimento, despesas dedutíveis, dados patrimoniais e operações financeiras antes do envio da declaração.
Como enviar a declaração do Imposto de Renda
A entrega da declaração pode ser feita por meio do programa gerador do Imposto de Renda para computador, disponível para Windows, Linux e Mac, além do portal e-CAC e da plataforma “Meu Imposto de Renda”.
O acesso aos sistemas ocorre mediante conta Gov.br. Após o login, o contribuinte pode optar pela declaração pré-preenchida, simplificada ou completa, conforme o perfil tributário.
Entre as principais informações exigidas estão dados pessoais do titular e dependentes, rendimentos recebidos, pagamentos efetuados, doações, bens, direitos e dívidas.
Antes da transmissão, a Receita recomenda revisar cuidadosamente todos os campos preenchidos para evitar inconsistências e reduzir o risco de retenção da declaração para análise.
Restituição seguirá calendário em quatro lotes
Os contribuintes com direito à restituição receberão os pagamentos conforme calendário definido pela Receita Federal.
O primeiro lote está previsto para 29 de maio. Os demais pagamentos ocorrerão em 30 de junho, 31 de julho e 28 de agosto.
A ordem de recebimento leva em consideração critérios legais de prioridade, como idade, deficiência, magistério e utilização da declaração pré-preenchida com chave Pix vinculada ao CPF.
Além dos grupos prioritários, o momento de envio da declaração também influencia a posição na fila da restituição. Quem transmite o documento antes tende a receber mais rapidamente, desde que não haja pendências na análise da Receita Federal.













