As micro e pequenas empresas (MPEs) foram responsáveis por seis em cada 10 empregos criados no Brasil em março de 2026, segundo levantamento divulgado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) com base em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Ao todo, os pequenos negócios abriram cerca de 133 mil vagas formais no período, reforçando a liderança do segmento na geração de empregos no país.
Os dados mostram que, entre janeiro e março deste ano, as micro e pequenas empresas contrataram mais de 333 mil trabalhadores com carteira assinada. O volume representa 54% de todas as vagas criadas no Brasil no primeiro trimestre de 2026.
Segundo o Sebrae, o desempenho reforça a importância dos pequenos negócios para a economia brasileira, especialmente em um cenário de queda do desemprego e recuperação gradual da atividade econômica.
O presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, afirmou que os números demonstram o papel estratégico das micro e pequenas empresas na inclusão produtiva e na geração de renda no país.
Setor de serviços lidera contratações
Entre os segmentos que mais contrataram em março, o setor de serviços apareceu na liderança, com cerca de 70 mil novos postos de trabalho criados pelas micro e pequenas empresas. Em seguida vieram construção civil, com 25,9 mil vagas, e comércio, com aproximadamente 16,8 mil contratações.
O levantamento também aponta que as médias e grandes empresas responderam por aproximadamente 220 mil vagas no primeiro trimestre, o equivalente a 36% do total nacional.
Especialistas avaliam que os pequenos negócios continuam sendo mais rápidos na recuperação do mercado de trabalho, principalmente por apresentarem maior capilaridade regional e forte presença em atividades ligadas ao consumo e serviços.
Além disso, setores como alimentação, varejo, transporte, construção e serviços pessoais seguem concentrando grande parte das contratações formais realizadas pelas MPEs.
Mercado de trabalho segue aquecido
Os dados de geração de empregos foram divulgados em um momento de melhora nos indicadores do mercado de trabalho brasileiro.
Segundo informações recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego no primeiro trimestre ficou em 6,1%, o menor índice já registrado para o período desde 2012.
Para analistas, a expansão das contratações pelas micro e pequenas empresas está diretamente relacionada ao aumento do consumo das famílias, à recuperação gradual da renda e à expansão de atividades ligadas ao setor de serviços.
O ambiente de juros ainda elevados continua impondo desafios para parte das empresas, principalmente em relação ao acesso ao crédito. Mesmo assim, os pequenos negócios seguem liderando a abertura de vagas formais.
Pequenas empresas ganham protagonismo
As micro e pequenas empresas representam atualmente a maior parte dos negócios em funcionamento no Brasil e possuem papel relevante na economia nacional.
Além da geração de empregos, o segmento também concentra boa parte da arrecadação do Simples Nacional e da formalização de novos empreendedores.
Nos últimos anos, programas de incentivo ao empreendedorismo, digitalização de serviços e expansão do Microempreendedor Individual (MEI) ajudaram a fortalecer a participação dos pequenos negócios no mercado brasileiro.
Especialistas apontam que a tendência é de continuidade do protagonismo das MPEs na geração de empregos ao longo de 2026, principalmente em setores ligados a serviços, comércio e economia digital.
O Sebrae destaca que políticas de apoio ao empreendedorismo, simplificação tributária e ampliação do acesso ao crédito continuam sendo fundamentais para sustentar o crescimento das micro e pequenas empresas nos próximos meses.













