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LICENÇA MATERNIDADE

Projeto prevê licença-maternidade de 120 dias e estabilidade para estagiárias

Texto em tramitação na Câmara altera a Lei do Estágio e inclui regras sobre afastamento, teletrabalho e proteção à gestante.

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PL cria licença-maternidade de 120 dias para estagiárias

Projeto prevê licença-maternidade de 120 dias e estabilidade para estagiárias

Um projeto de lei em análise na Câmara dos Deputados propõe criar regras específicas de proteção à maternidade para estudantes em estágio. O texto prevê licença-maternidade de 120 dias, estabilidade provisória, manutenção da bolsa-estágio durante o afastamento e prioridade para vagas em trabalho remoto para gestantes e responsáveis por crianças pequenas.

A proposta altera a Lei do Estágio (Lei nº 11.788/2008) e já foi aprovada por comissões temáticas da Câmara. O projeto segue agora para análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC).

Se aprovada pelo Congresso Nacional, a medida poderá impactar empresas concedentes de estágio, instituições de ensino e estudantes vinculados a programas obrigatórios e não obrigatórios.

Texto cria afastamento de 120 dias para estagiárias gestantes

O Projeto de Lei 301/2025 estabelece que a estagiária poderá suspender suas atividades por até 120 dias em caso de gestação e parto.

Segundo a proposta, o afastamento poderá começar a partir do 28º dia anterior ao parto ou na data do nascimento da criança, mediante apresentação de atestado médico à empresa concedente e à instituição de ensino.

O texto também prevê ampliação do período de afastamento em até duas semanas antes e depois do parto, caso haja recomendação médica.

Em situações de parto antecipado, a estudante manterá o direito ao período integral de 120 dias previsto no projeto.

Bolsa-estágio poderá ser mantida durante a licença

A proposta determina que a suspensão do estágio não interrompa automaticamente o pagamento da bolsa ou de outras contraprestações financeiras previstas no contrato.

De acordo com o texto, a manutenção dos valores ocorrerá nos casos em que a estagiária não estiver recebendo salário-maternidade pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Durante o período de afastamento, o auxílio-transporte poderá ser suspenso.

O projeto também estabelece que o contrato de estágio seja prorrogado automaticamente pelo mesmo período correspondente à licença, permitindo que a estudante retorne às atividades após o afastamento.

Projeto prevê estabilidade e restrições para encerramento do estágio

Outro ponto previsto na proposta é a criação de estabilidade provisória para estagiárias gestantes.

O texto proíbe a extinção do contrato desde a confirmação da gravidez até o fim do período de estabilidade, salvo em situações específicas previstas na proposta.

Entre as hipóteses autorizadas para encerramento estão:

  1. Pedido da própria estagiária;
  2. Descumprimento das obrigações assumidas no termo de compromisso;
  3. Encerramento natural do contrato antes do início da suspensão.

Além disso, a matéria prevê adaptação das atividades durante a gestação quando houver recomendação médica, sem prejuízo da bolsa-estágio ou da continuidade das atividades acadêmicas.

Prioridade para teletrabalho e afastamento em caso de aborto

O projeto também inclui prioridade para vagas de estágio em regime remoto ou teletrabalho para:

  1. Estagiárias gestantes;
  2. Estudantes com filhos ou crianças sob guarda judicial de até seis anos;
  3. Responsáveis por pessoas com deficiência.

Outra previsão é o direito à suspensão do estágio por duas semanas em caso de aborto espontâneo ou não criminoso, desde que haja comprovação médica oficial.

Segundo a justificativa apresentada pela autora da proposta, deputada Ely Santos, o objetivo é preencher uma lacuna existente na Lei do Estágio em relação à proteção da maternidade durante a formação acadêmica e profissional.

Proposta já avançou em comissões da Câmara

O texto recebeu parecer favorável na Comissão de Trabalho e também foi aprovado na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher.

A relatoria nas comissões ficou a cargo das deputadas Rogéria Santos e Sâmia Bomfim.

Agora, o projeto será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Caso seja aprovado sem recurso para votação no plenário da Câmara, o texto seguirá para análise do Senado Federal.

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