A carga tributária brasileira alcançou 32,40% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, maior percentual da série histórica iniciada em 2010, segundo levantamento realizado pelo Portal da Reforma Tributária baseado em dados do Tesouro Nacional. O estudo também aponta que seis tributos federais, estaduais e municipais registraram nível recorde de arrecadação em relação à economia brasileira no último ano.
Os dados consideram a proporção da arrecadação de impostos, taxas e contribuições em relação a toda a riqueza produzida no país. Entre os tributos com maior participação histórica estão o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), o Imposto de Importação (II), a Cide Remessas, o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), o ITCD e o ISS.
Especialistas ouvidos pelo levantamento relacionam o resultado ao aquecimento do mercado de trabalho, aumento da renda, crescimento das importações e mudanças provocadas pelo cenário da reforma tributária.
IRRF alcança maior participação da série histórica
O Imposto de Renda Retido na Fonte representou 5% do PIB em 2025, maior percentual desde o início da série histórica.
Segundo a ex-secretária de Economia de Goiás, Selene Nunes, o crescimento foi impulsionado principalmente pela expansão da folha salarial do setor público, com reajustes remuneratórios e aumento das contratações após o período da pandemia.
A especialista também destacou o avanço dos concursos públicos federais nos últimos anos, incluindo o Concurso Nacional Unificado, conhecido como “Enem dos Concursos”.
Já o economista João Pedro Leme apontou que o mercado formal de trabalho mais aquecido também contribuiu para o aumento da retenção do imposto diretamente nos salários, em meio à queda do desemprego e ao crescimento da renda média da população.
Imposto de Importação cresce com dólar elevado e avanço das compras externas
O Imposto de Importação atingiu 0,71% do PIB em 2025, também no maior patamar da série histórica.
Entre os fatores citados pelos especialistas estão a tributação federal sobre compras internacionais de até US$ 50, implementada em 2024, além do aumento do volume de importações ao longo do ano passado.
Outro elemento apontado foi a valorização do dólar frente ao real durante boa parte de 2025, período em que a moeda norte-americana permaneceu próxima de R$ 6.
O levantamento ressalta, porém, que a chamada “taxa das blusinhas” foi zerada pelo governo federal em maio de 2026, o que pode alterar o comportamento da arrecadação desse tributo nos próximos períodos.
ISS recorde fortalece debate sobre reforma tributária
Entre os tributos municipais, o Imposto Sobre Serviços (ISS) alcançou 1,21% do PIB em 2025, maior resultado da série histórica.
O CEO da Quality Tax, Genildo Rosales, afirmou que parte do crescimento pode estar relacionada às adaptações dos municípios diante das mudanças previstas pela reforma tributária.
Além disso, o aquecimento do setor de serviços e o avanço da digitalização das administrações municipais também contribuíram para o aumento da arrecadação.
O resultado ganha relevância porque o ISS servirá de base para definição da participação dos municípios no IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), tributo criado pela reforma tributária para substituir impostos sobre consumo a partir de 2033.
ICMS abaixo do recorde preocupa estados na transição do IBS
Apesar de o ICMS ter representado 6,74% do PIB em 2025, o tributo estadual não atingiu recorde histórico de arrecadação proporcional.
O tema tem impacto direto na reforma tributária, já que a arrecadação do ICMS entre 2024 e 2026 será utilizada como referência para cálculo da distribuição do IBS entre os estados.
Segundo o vice-presidente do Comsefaz e secretário de Fazenda do Acre, Amarísio Freitas, os estados vêm adotando medidas para ampliar a arrecadação do imposto durante o período de transição do novo sistema tributário.
Entre as estratégias mencionadas estão ações de estímulo à emissão de notas fiscais e iniciativas voltadas ao aumento da conformidade tributária.
Carga tributária federal concentra maior parte da arrecadação
Os dados do Tesouro Nacional mostram que o governo federal concentrou 21,6% do PIB da carga tributária em 2025.
Os estados responderam por 8,4% do PIB, enquanto os municípios ficaram com 2,4%.
Na comparação com 2024, a carga tributária federal avançou 0,26 ponto percentual. Já os estados registraram leve queda, enquanto os municípios permaneceram praticamente estáveis.
O levantamento segue metodologia baseada em padrões do Fundo Monetário Internacional e utiliza dados do Tesouro Nacional, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, do Siafi e do Siconfi. Segundo o Tesouro, os números são preliminares e podem passar por revisões futuras.
Com informações do Portal da Reforma Tributária













