A inadimplência empresarial voltou a crescer no Brasil e atingiu o maior nível de sua série histórica, após 1,5 milhão de novas empresas entrarem na lista de negativadas em um período de apenas 12 meses. O dado consta no mais recente Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian, que mostra cerca de 9 milhões de Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) com contas em atraso.
A escalada do endividamento é motivada por um cenário persistente de juros elevados e restrição ao crédito, o que sobrecarrega o fluxo de caixa operacional, especialmente das micro e pequenas empresas (MPEs), que lideram as estatísticas de restrição financeira.
Negócios sobrecarregados
O avanço do calote corporativo não se reflete apenas na quantidade de empresas negativadas, mas também no volume financeiro das pendências. O total de dívidas em atraso bateu recorde ao somar 63,7 milhões de débitos, totalizando um montante de R$ 220,9 bilhões em contas não pagas em abril deste ano.
De acordo com o relatório econômico, cada estabelecimento inadimplente acumula, em média, cerca de 7,1 em contas negativadas. O valor médio do passivo por CNPJ ficou estimado em R$ 24.665,91, evidenciando o efeito "bola de neve" enfrentado pelo setor produtivo.
A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, pontuou que as companhias acabam recorrendo mais a instrumentos de financiamento alternativos. Contudo, elas enfrentam sérias dificuldades para administrar esses compromissos diante do acúmulo de compromissos anteriores.
Pequenos negócios sofrem o maior impacto
O levantamento detalha que as micro e pequenas empresas são as principais vítimas da asfixia financeira. Desse universo de 9 milhões de inadimplentes, cerca de 8,5 milhões de CNPJs pertencem a essa categoria de menor porte.
Ao todo, os pequenos negócios respondem por 57,6 milhões de dívidas ativas. A soma total dessas obrigações financeiras chega a R$ 191,8 bilhões, um valor considerado expressivo para o segmento.
Especialistas explicam que esses empreendimentos possuem menor fôlego de caixa e pouca reserva emergencial. Por essa razão, acabam sofrendo de maneira imediata os efeitos do encarecimento das linhas de financiamento tradicionais.
Setores e regiões mais afetados pela crise
O setor de serviços lidera o ranking de negativações no ambiente corporativo, concentrando 55,6% das empresas em situação de inadimplência. Logo em seguida aparece o comércio, com 32,4%, acompanhado pela indústria, que registra 8,1%.
Geograficamente, a Região Sudeste lidera o volume de inadimplentes devido à sua densidade empresarial. O estado de São Paulo desponta na frente, registrando mais de 3 milhões de CNPJs no vermelho.
Minas Gerais ocupa a segunda posição na região, com 881 mil empresas afetadas, seguida de perto pelo Rio de Janeiro, com 864 mil. Na Região Sul, o Paraná concentra 588 mil negócios negativados, enquanto o Rio Grande do Sul soma 518 mil.
Perspectivas para as finanças corporativas
O atual cenário macroeconômico indica que os números podem continuar operando em patamares elevados ao longo dos próximos meses.
Mesmo com o início das flexibilizações na taxa básica de juros, o patamar atual ainda é visto como insuficiente para aliviar as empresas. A restrição na concessão de novos créditos bancários tende a prolongar o ciclo de dificuldades operacionais.
Para analistas e consultores contábeis, o momento exige disciplina rigorosa e revisão do fluxo de caixa. A recomendação principal para os gestores é buscar a renegociação imediata de débitos antes que o passivo comprometa a continuidade das operações.
Com informações do InfoMoney e Estadão













