Um contador de 32 anos foi alvo de mandado de busca e apreensão na manhã desta terça-feira (23), em Palmas, durante mais uma fase da Operação El Dourado. De acordo com a Polícia Civil, ele é investigado por suposta participação em um esquema milionário de sonegação fiscal, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, que teria provocado prejuízo superior a R$ 55 milhões aos cofres públicos do Tocantins.
A Operação El Dourado foi deflagrada em março de 2026 com o objetivo de desarticular uma organização suspeita de usar empresas de fachada, também conhecidas como noteiras, para simular operações de compra e venda de grãos, como soja e milho. A finalidade seria gerar créditos fictícios de ICMS e, com isso, reduzir indevidamente a carga tributária de terceiros.
Segundo as investigações, o contador teria assumido a gestão do escritório de contabilidade utilizado pelo grupo após a fuga do apontado líder da organização criminosa.
A ação foi conduzida pela Divisão Especializada de Repressão a Crimes Contra a Ordem Tributária, com apoio da Secretaria da Fazenda. O mandado foi cumprido na residência do investigado, localizada no Plano Diretor Sul, em Palmas. No imóvel, foram apreendidos notebooks, celulares, carimbos e porções de maconha.
Conforme o delegado Vinicius Mendes de Oliveira, o profissional teria exercido uma função estratégica dentro do esquema. Ainda segundo a investigação, ele controlava contas bancárias da organização pelo próprio celular e, para autorizar transferências de valores elevados, se deslocava até os laranjas apenas para utilizar o reconhecimento facial deles nos aplicativos bancários.
O principal alvo da operação é Paulo César Maciel dos Santos, apontado como líder do grupo e considerado foragido da Justiça. As investigações indicam que ele teria realizado procedimentos estéticos recentes para modificar a aparência e dificultar sua localização pelas autoridades.
Todo o material apreendido será encaminhado para perícia e deve contribuir para o avanço das investigações e para a responsabilização dos envolvidos.
Relembre o caso
De acordo com a Polícia Civil, o grupo usava empresas de fachada para simular a compra e venda de grãos e gerar créditos fictícios de ICMS. Em apenas seis meses, uma das empresas investigadas declarou movimentação superior a R$ 464 milhões, mas recolheu somente R$ 39 mil em tributos. O prejuízo estimado aos cofres do Tocantins é de R$ 55,9 milhões.
A estrutura usada pelas empresas chamava atenção pela simplicidade. Durante as diligências, os investigadores constataram que algumas sedes funcionavam em salas pequenas, muitas vezes com apenas uma mesa e um notebook, sem qualquer estrutura compatível com armazenamento, transporte ou comercialização de grãos.
Ex-funcionárias relataram que eram contratadas apenas para manter os locais abertos e instalar programas de acesso remoto. Para ocultar os verdadeiros responsáveis pelo esquema, a organização utilizava pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica como laranjas.
Ainda segundo a investigação, o grupo acompanhava as ações da Secretaria da Fazenda. Quando uma inscrição estadual era bloqueada por suspeita de irregularidade, o CNPJ era abandonado e uma nova empresa de prateleira era ativada para dar continuidade às operações fraudulentas.
O caso chama atenção da classe contábil por envolver o suposto uso de estrutura contábil para dar aparência de regularidade a operações fiscais simuladas, reforçando o debate sobre responsabilidade técnica, controles internos e riscos de envolvimento profissional em práticas ilícitas.
Com informações adaptadas g1 Tocantins













