A aprovação e a regulamentação da Reforma Tributária representam um dos maiores desafios corporativos das últimas décadas no Brasil. Mais do que uma adequação contábil e operacional, a transição para o novo modelo de impostos (IBS e CBS) exigirá uma revisão profunda nas estratégias de negócios. Nesse cenário, o papel do Conselho de Administração ganha protagonismo: o órgão precisa deixar de ser um mero aprovador de pautas para se tornar o arquiteto do sucesso estratégico da companhia.
A avaliação é de André Felix Ricotta de Oliveira, professor doutor em Direito Tributário, sócio da Felix Ricotta Advocacia, coordenador do curso Tributação sobre o Consumo do Instituto Brasileiro de Estudos Tributários (IBET). Segundo o especialista, uma parcela significativa das estratégias corporativas falha no momento da implementação, não por erros conceituais, mas por um déficit na governança das decisões. Com a complexidade trazida pela nova realidade tributária, esse risco se torna ainda mais crítico.
"O pensamento estratégico deve ser uma atitude permanente de reflexão, que desafia premissas e questiona o status quo", avalia Ricotta de Oliveira. "O conselho deve fomentar o dissenso qualificado e questionar continuamente a relevância da direção atual, evitando vieses que possam cegar a organização para as novas realidades trazidas pela reforma".
Metodologia ativa e gestão de riscos
Para que o conselho tome decisões mais eficazes em um ambiente de incerteza fiscal, o advogado sugere a adoção do Sistema Operacional da Governança Estratégica, conhecido pela sigla SDMA (Strategize, Decide, Monitor, Adapt). A metodologia garante um ciclo proativo:
O especialista ressalta que essa clareza de papéis entre o conselho e a diretoria é fundamental para mitigar falhas de execução no novo cenário econômico. O diferencial está na capacidade do conselho de orquestrar diferentes modelos de gestão de forma contextualizada.
"A gestão de riscos deixa de ser um checklist burocrático e se eleva ao patamar de uma decisão estratégica consciente. O conselho tem a responsabilidade de definir o grau de risco que a empresa está disposta a assumir. Um conselho mais ativo e protetor exige uma evolução da governança, implementando um sistema de decisões robusto", conclui Ricotta de Oliveira.

IA — Portal Contábeis 









