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REFORMA TRIBUTÁRIA

Metade das empresas não financeiras prevê alta nos preços com reforma tributária

Pesquisa do Banco Central mostra que metade das empresas não financeiras prevê repasse de custos ao consumidor com a reforma tributária.

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50% das empresas acreditam em alta de preços com reforma

Metade das empresas não financeiras prevê alta nos preços com reforma tributária

Um levantamento divulgado pelo Banco do Brasil (BC) mostrou que 50% das empresas não financeiras acreditam que as mudanças no sistema tributário vão elevar os preços de venda de produtos e serviços, acendendo um alerta para os impactos da transição no ambiente de negócios. O levantamento foi realizado de 11 a 29 de maio com 349 instituições.

A percepção reflete a preocupação do setor produtivo com o aumento de custos operacionais, a adaptação às novas regras fiscais e os possíveis efeitos sobre competitividade, margens de lucro e repasse ao consumidor final.

Empresas já calculam impactos da transição

Com a implementação gradual da reforma tributária sobre o consumo, empresas de diversos setores intensificaram análises internas para medir o impacto das novas regras sobre precificação, fluxo de caixa e estrutura de custos.

A principal preocupação está relacionada à substituição de tributos atuais pelo novo modelo baseado no IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e na CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), além da introdução do Imposto Seletivo em setores específicos.

A Receita Federal do Brasil e demais órgãos envolvidos na regulamentação vêm reforçando que o objetivo da reforma é simplificar o sistema e reduzir distorções. Ainda assim, empresas avaliam que a transição exigirá investimentos significativos em tecnologia, compliance e reorganização fiscal.

Alta de preços preocupa mercado

Entre as empresas que enxergam impacto inflacionário, o principal receio é que o aumento da carga tributária efetiva em determinadas operações leve ao repasse parcial ou total dos custos ao consumidor.

Os setores de comércio, serviços e indústria acompanham com atenção as simulações tributárias para identificar quais atividades podem sofrer maior pressão.

Além do peso tributário, empresas destacam outros fatores que podem influenciar o reajuste de preços:

  1. custos de adaptação de sistemas;
  2. atualização de ERPs e softwares fiscais;
  3. revisão de contratos comerciais;
  4. reestruturação contábil e tributária;
  5. mudanças na cadeia de fornecedores.

Especialistas apontam que o impacto final dependerá do setor, do regime tributário e da forma como cada empresa está estruturando sua transição.

Além da Reforma Tributária, o Banco Central destacou que fatores externos também pressionam os custos das empresas, especialmente os conflitos no Oriente Médio.

Segundo o BC, os principais impactos são sentidos no aumento dos custos com frete, logística e derivados de petróleo.

“A maioria das empresas percebe impactos dos conflitos no Oriente Médio sobretudo pelo canal de custos, com destaque para frete e logística e para derivados de petróleo”, informou o Banco Central.

A pesquisa Firmus, usada pelo BC, é realizada trimestralmente desde o fim de 2023 e monitora a percepção das empresas não financeiras sobre o cenário econômico.

Setor contábil ganha papel estratégico

Para escritórios contábeis e consultorias tributárias, o cenário amplia a demanda por planejamento estratégico.

A reforma exige que empresas revisem processos internos, analisem operações e reavaliem modelos de precificação para evitar perdas financeiras durante o período de transição.

Profissionais da área contábil também têm papel central no suporte à interpretação das novas regras e na identificação de oportunidades de eficiência tributária.

Nem todas as empresas veem impacto negativo

Apesar da preocupação de parte relevante do mercado, nem todas as empresas avaliam a reforma de forma negativa.

Algumas organizações enxergam potencial de simplificação, redução de burocracia e maior previsibilidade tributária no longo prazo.

A unificação de tributos e a digitalização dos processos fiscais são vistas por parte do setor corporativo como avanços importantes para reduzir custos administrativos e melhorar o ambiente de negócios.

Ainda assim, o consenso no mercado é que os próximos anos serão marcados por forte adaptação.

Empresas que investirem em planejamento, tecnologia e suporte especializado tendem a atravessar a transição com menor risco operacional.

Com informações do Valor Econômico


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