x

PREVIDÊNCIA SOCIAL

PEC 1/2026 reacende debate sobre contribuição previdenciária e divisão entre folha e faturamento

Proposta em análise no Senado prevê troca do modelo atual de 20% sobre a folha por até 1,4% sobre a receita bruta, com discussões sobre impactos setoriais e possibilidade de escolha entre regimes.

  • compartilhe no facebook
  • compartilhe no twitter
  • compartilhe no linkedin
  • compartilhe no whatsapp
PEC da Previdência: mudança na contribuição divide setores no Senado

PEC 1/2026 reacende debate sobre contribuição previdenciária e divisão entre folha e faturamento

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado realizou, nesta terça-feira (30), audiência pública para discutir alterações na forma de cálculo da contribuição previdenciária patronal. O debate, em Brasília, tratou da possibilidade de substituição da atual cobrança de 20% sobre a folha de salários por uma alíquota incidente sobre o faturamento das empresas, proposta prevista na PEC 1/2026. A medida, de autoria do senador Laércio Oliveira, tem previsão de vigência a partir de 2027 e também estabelece teto de até 1,4% sobre a receita bruta.

A discussão reuniu parlamentares, representantes de entidades empresariais e setores produtivos. Enquanto parte dos participantes defendeu a migração do modelo atual para a nova base de cálculo, outros setores sugeriram a manutenção de um sistema híbrido, com possibilidade de escolha entre folha de pagamento e faturamento, especialmente em atividades menos intensivas em mão de obra.

O objetivo da proposta, segundo os defensores, é reduzir distorções no custo do trabalho e estimular a formalização do emprego, especialmente em setores intensivos em contratação de mão de obra.

Durante a audiência, também foram apresentados dados sobre o impacto do envelhecimento populacional na sustentabilidade do sistema previdenciário, tema frequentemente associado ao debate sobre financiamento da Previdência.

Outro ponto discutido foi a possibilidade de criação de mecanismos de transição ou flexibilização do modelo, considerando as diferenças estruturais entre os setores econômicos.

Argumentos sobre custo do trabalho e mercado de trabalho

O senador Laércio Oliveira afirmou que a mudança na base de cálculo busca reduzir o custo da contratação formal e enfrentar problemas como informalidade e pejotização. Segundo ele, a substituição da contribuição sobre a folha pode reduzir encargos associados ao emprego formal.

O senador destacou ainda o impacto do envelhecimento da força de trabalho sobre o sistema previdenciário, indicando que a alteração tributária poderia contribuir para aliviar pressões estruturais.

O senador Jaime Bagattoli defendeu a criação de uma regra de opção para determinados setores, permitindo que empresas escolham o modelo de contribuição mais adequado à sua estrutura produtiva.

Como exemplo, foi citado o caso de atividades com baixa relação entre faturamento e número de empregados, em que a contribuição sobre a folha poderia ser mais vantajosa.

Entidades apontam impactos setoriais da mudança

Representando a Cebrasse, Fellipe Rodrigues Andrade afirmou que o atual modelo de financiamento previdenciário enfrenta desafios estruturais relacionados ao cenário demográfico. Segundo ele, a transição para a cobrança sobre faturamento buscaria neutralidade fiscal e maior sustentabilidade do sistema.

Já a Adial Brasil destacou que os impactos da mudança variam conforme o nível de intensidade de mão de obra de cada setor econômico.

Durante a audiência, foram apresentados exemplos comparativos entre segmentos industriais, indicando que setores com menor número de empregados podem ser mais impactados pela mudança na base de cálculo.

As entidades também discutiram a possibilidade de adoção de modelos flexíveis, que permitam adaptação às características específicas de cada atividade econômica.

Possibilidade de opção entre regimes tributários

Parte dos participantes defendeu que a PEC 1/2026 preveja a possibilidade de escolha entre os dois modelos de contribuição previdenciária. A proposta considera que setores com estruturas produtivas distintas podem ser afetados de forma desigual pela mudança na base de cálculo.

Nesse contexto, foi sugerida a criação de um mecanismo opcional para empresas que desejem permanecer no modelo baseado na folha de salários.

O objetivo, segundo os defensores dessa alternativa, seria evitar aumento de custos em setores menos dependentes de mão de obra direta.

O vice-presidente da Federação Nacional dos Sindicatos de Empresas de Recursos Humanos, Trabalho Temporário e Terceirizado, Ermínio de Lima Neto, também participou do debate e afirmou que a proposta não representaria desoneração, mas sim reorganização da forma de arrecadação previdenciária, com potencial impacto na formalização de empregos.

Com informações Agência Senado

Leia mais sobre

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTICULISTAS CONTÁBEIS

VER TODOS

O Portal Contábeis se isenta de quaisquer responsabilidades civis sobre eventuais discussões dos usuários ou visitantes deste site, nos termos da lei no 5.250/67 e artigos 927 e 931 ambos do novo código civil brasileiro.

1999 - 2026 Contábeis ® - Todos os direitos reservados. Política de privacidade · Preferências de cookies