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Escândalo na Volks envolve prostitutas e subornos

O rosto bonito de Josélia R. se abriu num sorriso feliz quando, no mês passado, um jornalista lhe mostrou algumas fotos. "Esse é meu Peter!", ela falou,

22/07/2005 00:00:00

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O rosto bonito de Josélia R. se abriu num sorriso feliz quando, no mês passado, um jornalista lhe mostrou algumas fotos. "Esse é meu Peter!", ela falou, animada, acariciando com o dedo a foto de um homem grisalho. Mas "seu" Peter não é um idoso qualquer: é Peter Hartz, o autor intelectual do polêmico plano de reforma do Estado de bem-estar social alemão proposto pelo chanceler Gerhard Schröder. O diretor de pessoal da Volkswagen se tornou uma figura odiada na Alemanha entre as centenas de milhares de desempregados, que o vêem como responsável pelo corte dos benefícios previdenciários que recebiam. Mas a brasileira Josélia R., como os tablóides a chamam, para preservar sua identidade, gosta muito de Hartz, 63 anos. A acompanhante está no centro de um dos mais extraordinários escândalos de corrupção da Alemanha, uma história semeada de hotéis e carros chiques, corrupção, propinas e mais dançarinas exóticas do que seriam capazes de encher um Fusquinha. E é um escândalo que pode privar o assediado Schröder de sua última chance de dar uma volta por cima política antes da eleição geral marcada para setembro. Foi no outono de 2003 que Josélia R. foi abordada, quando trabalhava na boate Elefante Branco, em Lisboa, por um homem que dizia se chamar Klaus. "Ele me levou ao Lapa Palace Hotel", ela contou ao tablóide alemão de grande circulação "Bild", "e me apresentou a um sujeito que deu seu nome apenas como "Peter"." Foi o primeiro de quatro encontros quentes que o executivo da Volkswagen teria tido com Josélia. Mais tarde, ele a levaria ao hotel cinco estrelas Georges V, em Paris, e em ainda outra ocasião ela o acompanhou numa viagem de luxo a São Paulo. É claro que nada disso custou pouco: além das passagens de avião, hotéis e almoços de luxo, Josélia, que tem 35 anos, conta que recebeu 1.000 por seu trabalho em Paris e 600 em São Paulo. O melhor, porém, foi que nada disso custou um centavo a "seu" Peter. A conta do caso dos dois foi paga por uma "caixinha de subornos" de 700 mil fornecida pela Volkswagen e administrada por "Klaus", cujo nome real é Klaus-Joachim Gebauer, funcionário bem pago da VW e que trabalha munido de cartão de crédito da empresa. Quando o "caso Hartz" chegou aos jornais, no início do mês, o escândalo quebrou a espinha da maior montadora de veículos da Europa. Os principais beneficiários do amplo orçamento de entretenimento de Gebauer eram um punhado de sortudos diretores de comissões de fábrica da Volkswagen. Todas as grandes empresas alemãs são obrigadas por lei a criar um espaço para essas pessoas eleitas pelo chão da fábrica e que participam das mais importantes decisões sobre investimentos. As comissões de fábrica constituem uma parte chave do modelo de consenso alemão e ajudam a manter ao mínimo as greves num país onde os sindicatos detêm um poder muito grande. Recentemente a VW transferiu a produção do Skoda para a República Tcheca, uma iniciativa que lhe poupou dinheiro, mas custou muitos empregos na Alemanha. Curiosamente, os sindicatos quase não expressaram insatisfação. "Será que os diretores das comissões de fábrica alemãs podem ser comprados?" indagou esta semana a maior revista de negócios do país, a "Wirstschafts Woche". "De jeito nenhum", respondeu o diretor da VW, Bernd Pischetsrieder. "É uma acusação absurda." Mesmo assim, a impressão que se tem é que os diretores da comissão de fábrica de Wolfsburg andam se divertindo a valer. Pequenos descansos de luxo parecem ter sido comuns para os gerentes de meia-idade, que, como mordomia adicional, ainda recebiam Viagra regularmente, pago pela empresa. Quando diretores da VW viajaram para o Rio durante o Carnaval, os custos de aulas de samba e de prostitutas foram cobrados do cartão de crédito da empresa. Amantes E, no que diz respeito a amantes por tempo prolongado, Peter Hartz não é, de longe, o único executivo da VW a manter uma delas custeada pela empresa. Foi identificada como Adriana B. a amante brasileira de Klaus Volkert, ex-diretor da comissão de fábrica da VW. Consta que Volkert, 62 anos, a levou a um hotel cinco estrelas em Portugal, lhe deu um carro e um apartamento na Alemanha e lhe pagou uma casa de 60 mil no Brasil -tudo isso às expensas da VW. Consta, também, que Adriana recebia 23 mil por trimestre, mas que ela nega que tenha tido um caso com Volkert. A moça disse aos tablóides que foi contratada para produzir vídeos para a empresa. Na VW em Praga a situação não era muito diferente. O gerente de recursos humanos da Skoda, Helmut Schuster, 51 anos, ex-diretor de comissão de fábrica da VW que foi transferido para a subsidiária da VW em 2001, estava aprendendo a apreciar belas mulheres e carros velozes. Consta que Schuster, que é pai de cinco filhos, tornou-se amante da atriz tcheca Katerina Brozova, 37 anos. Ela, que já posou nua para a "Playboy", nega que tenha sido amante de Schuster, mas não hesitou em revelar o quanto este adora seu Lamborghini prateado. Schuster também está ao centro de acusações muito mais sérias de que empresas fantoche teriam sido criadas para servir de fornecedoras à VW e auferir lucros para um punhado de executivos corruptos da empresa. Em um dos casos, Schuster teria exigido do governo do Estado indiano de Andhra Pradesh que transferisse 2 milhões para uma empresa no nome de "Vashishta Wahan", para garantir um investimento da Volkswagen. O dinheiro foi pago, mas "Vashishta Wahan", conforme ficou claro, não tinha nada a ver com a VW. Teria sido uma empresa criada por Schuster. A VW nega ter cometido crime nesse caso e contratou a KPMG para analisar os registros financeiros. Enquanto rolam mais cabeças na VW, disseram observadores, e enquanto 18% da VW pertence ao Estado da Baixa Saxônia, é apenas questão de tempo até o escândalo chegar à política. De fato, esta semana o influente semanário "Focus" noticiou que a VW pagou por festas sexuais para comprar influência junto ao governista Partido Social-Democrata, de Schröder. Um andar inteiro do prostíbulo Sex World, em Hanover, foi alugado na primavera de 2001 para uma festa oferecida aos diretores da comissão de fábrica da Audi, um evento que durou a noite toda e foi regado a champanhe e prostitutas. A festa sexual teria custado 15 mil e teria sido paga por um fundo de entretenimento da VW. A VW emprega centenas de milhares de trabalhadores em todo o mundo. Se ela adoecer, o mesmo acontecerá com toda a economia da Alemanha. Seus lucros estão diminuindo. O clima reinante em Wolfsburg é sombrio. Desde a DaimlerChrysler até a BMW, as montadoras alemãs costumam ser lugares estáveis, onde todos que trabalham acima do chão da fábrica usam gravata e o uso de palavrões é desencorajado. Não constituem o palco natural para aventuras sexuais farsescas. Mas as mudanças estão no ar, e às vezes um pouco de escândalo ajuda a acelerar o processo. Reservadamente, os reformistas na VW descrevem o escândalo de sexo e suborno como "uma grande oportunidade". Não para Peter Hartz, é claro: seu pedido de demissão foi aceito na semana passada. Josélia R. corre o risco de não ver "seu" Peter por algum tempo.

Fonte: CRC-SP

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