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REFORMA TRIBUTÁRIA

Imposto Seletivo: indústria pede dois anos de transição; Fazenda sinaliza apenas um

CNI quer que o novo Imposto Seletivo preserve a carga atual do IPI durante a transição da Reforma Tributária, enquanto a Fazenda sinaliza uma implementação mais curta.

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Indústria propõe transição para Imposto Seletivo igual ao IPI

Imposto Seletivo: indústria pede dois anos de transição; Fazenda sinaliza apenas um

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) propôs ao Ministério da Fazenda que o Imposto Seletivo (IS), conhecido como "imposto do pecado" mantenha, nos dois primeiros anos de vigência, a mesma carga tributária atualmente aplicada pelo Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). A medida busca evitar aumento da tributação sobre setores afetados pela Reforma Tributária durante o período de transição. 

Segundo a entidade, a proposta foi apresentada ao ministro interino da Fazenda, Dario Durigan. A equipe econômica, por sua vez, sinalizou concordar com uma transição, mas por período menor: aproximadamente um ano, deixando as alíquotas definitivas para uma etapa posterior.

O que está em discussão

Criado pela Reforma Tributária, o Imposto Seletivo substituirá parte da função hoje exercida pelo IPI sobre produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, como cigarros, bebidas alcoólicas, bebidas açucaradas, apostas (bets), automóveis e outros produtos definidos em lei.

O objetivo do tributo não é apenas arrecadar, mas também desestimular o consumo desses bens.

Por que a indústria quer uma transição maior

A principal preocupação da indústria é que a regulamentação do Imposto Seletivo resulte em uma carga tributária superior à atualmente cobrada pelo IPI.

Na avaliação da CNI, manter a tributação equivalente ao IPI durante dois anos daria maior previsibilidade às empresas, permitindo adaptação dos preços, contratos e planejamento tributário antes da adoção das alíquotas definitivas.

A entidade argumenta ainda que o IPI já exerce atualmente a função de encarecer produtos que futuramente estarão sujeitos ao Imposto Seletivo, razão pela qual uma elevação imediata da carga poderia gerar aumento de custos para consumidores e empresas.

Fazenda admite transição, mas menor

O Ministério da Fazenda também defende uma implementação gradual do novo tributo, mas trabalha com um período de transição mais curto.

A sinalização da equipe econômica é manter, em 2027, uma carga próxima à do IPI e discutir as alíquotas específicas do Imposto Seletivo a partir de 2028. A estratégia busca evitar impactos bruscos durante o início da vigência da Reforma Tributária e ampliar o tempo para negociação com o Congresso Nacional.

Definição das alíquotas depende do Congresso

Para que o Imposto Seletivo entre em vigor em 1º de janeiro de 2027, as alíquotas precisam ser aprovadas pelo Congresso Nacional e sancionadas pelo presidente da República ainda neste ano, respeitando o princípio da anterioridade nonagesimal, que exige pelo menos 90 dias entre a publicação da norma e o início da cobrança.

O projeto que estabelecerá os percentuais ainda não foi enviado pelo Executivo, o que aumenta a preocupação do setor produtivo com o calendário legislativo.

Impactos para empresas

A definição das alíquotas do Imposto Seletivo é acompanhada de perto por empresas dos segmentos potencialmente afetados, especialmente indústrias de bebidas, tabaco, automóveis e apostas.

Para especialistas, o modelo de transição também será relevante para escritórios de contabilidade e departamentos fiscais, que precisarão revisar planejamentos tributários, contratos e sistemas de precificação conforme as regras forem sendo aprovadas.

Com informações da Folha de São Paulo


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