A contagem regressiva já começou: bancos e instituições financeiras que custodiam criptomoedas precisam começar a garantir um nível mínimo de preparação para a era da computação quântica, segundo especialistas da Crypto Finance, braço de ativos digitais do Deutsche Börse Group.
Mas o problema não é exclusivo dos ativos digitais. Quando computadores quânticos suficientemente potentes existirem, eles serão capazes de quebrar a criptografia de chave pública que hoje sustenta a maior parte da segurança digital no mundo, desde sistemas de mensagens e pagamentos entre bancos até comunicações governamentais e militares.
Os ativos digitais são apenas o ponto em que esse risco é mais visível e urgente hoje. Isso porque a posse e o controle de um ativo digital dependem diretamente de assinaturas criptográficas, e porque as blockchains públicas registram dados de transações de forma permanente e aberta, o que facilita que esses dados sejam coletados agora para serem decifrados mais adiante. É justamente por causa dessa exposição mais ampla que os reguladores financeiros começam a pressionar todo o setor por uma infraestrutura resistente à computação quântica, da qual as criptomoedas são apenas uma parte.
Segundo um levantamento recente da Reuters, nenhuma das vinte maiores blockchains do mundo implementou até agora um algoritmo de assinatura digital pós-quântico, mesmo com a computação quântica cada vez mais próxima de conseguir quebrar a criptografia que protege transações e carteiras digitais. Pesquisadores da Project Eleven reforçaram o alerta neste mês, apontando que as principais stablecoins carregam um risco estrutural próprio: um número reduzido de endereços privilegiados controla sua emissão e administração.
O volume mensal combinado de transações das maiores stablecoins já ultrapassou 1 trilhão de dólares em junho, o que eleva ainda mais a aposta para quem depende dessa infraestrutura. Na América Latina, essa exposição também acontece. Só o Brasil encerrou o primeiro trimestre de
A Crypto Finance acompanha de perto essa mudança, à medida que bancos e instituições financeiras passam a depender cada vez mais de provedores externos de infraestrutura para custodiar e liquidar ativos digitais em seu nome. Para a empresa, as instituições que tratarem a preparação contra ameaças da computação quântica como uma disciplina de infraestrutura de longo prazo, e não deixarem
Segundo Stijn
"Dados sensíveis coletados hoje, como registros de clientes e materiais de autenticação, podem ser armazenados agora para serem decifrados depois, quando a capacidade quântica alcançar esse ponto. Substituir a criptografia em toda uma instituição financeira também costuma envolver múltiplos fornecedores, sistemas legados e camadas de governança que nunca foram pensadas para mudar juntas, o que torna o planejamento antecipado muito mais valioso do que uma resposta apressada quando a ameaça já estiver concreta", explica.
Os ativos digitais acrescentam uma camada extra de complexidade a essa questão, já que a criptografia não serve apenas para proteger dados: ela também autoriza transações e define quem controla um ativo. As instituições conseguem fortalecer boa parte da própria infraestrutura de forma independente, incluindo gestão de chaves e supervisão de fornecedores, mas mudanças nas blockchains públicas dependem de decisões coletivas de redes inteiras e não podem ser impostas por um único participante.
"Os bancos já sabem lidar com riscos sem data marcada para acontecer. Fizeram isso com fraude, com segurança cibernética, com regras de prevenção à lavagem de dinheiro que estão sempre mudando", afirma
A abordagem da Crypto Finance se baseia no que a empresa chama de ‘agilidade criptográfica’: a capacidade de atualizar os mecanismos de segurança por trás de um sistema sem precisar reconstruir toda a infraestrutura ao redor deles. Na prática, isso significa mapear onde a criptografia está presente nos sistemas e processos de negócio, entender quais dados precisam de proteção em horizontes de tempo mais longos e revisar fornecedores e dependências externas antes que eles se tornem um obstáculo.
Os reguladores já começam a se mexer. O Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos (NIST) finalizou seus primeiros padrões de criptografia pós-quântica, e autoridades suíças e europeias vêm pressionando instituições financeiras a se anteciparem, mesmo sem um prazo definido.
Fonte: Com informações do Infomoney











