A implementação do split payment, mecanismo previsto na Reforma Tributária do consumo, deve mudar a forma como as empresas administram o fluxo de caixa. O sistema permitirá que a parcela correspondente ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) seja segregada no momento da liquidação financeira da operação.
Na prática, o mecanismo fará com que parte do valor pago seja destinada diretamente ao recolhimento dos tributos, enquanto a empresa recebe o valor líquido da operação. A mudança pode reduzir a disponibilidade imediata de recursos e exigir uma nova estratégia de gestão do capital de giro.
Embora o split payment não represente, por si só, aumento da carga tributária, o mecanismo altera a dinâmica financeira das empresas e o momento em que os recursos ficam disponíveis para utilização.
O que é o split payment?
O split payment, também chamado de pagamento dividido, é um dos mecanismos previstos na regulamentação da Reforma Tributária para operacionalizar o recolhimento do IBS e da CBS.
No modelo, o valor dos tributos é separado durante o processo de pagamento. Assim, em vez de a empresa receber o valor integral da venda e posteriormente recolher os impostos, a parcela correspondente aos tributos poderá ser direcionada diretamente à arrecadação.
A medida busca aumentar a eficiência do sistema tributário, reduzir a inadimplência e dificultar fraudes e sonegação.
Como o mecanismo pode afetar o caixa das empresas?
Atualmente, dependendo do regime e da operação, a empresa pode receber o valor integral de uma venda e ter um prazo posterior para recolher os tributos. Nesse intervalo, os recursos podem permanecer temporariamente no caixa e contribuir para o financiamento das atividades.
Com o split payment, essa disponibilidade tende a ser reduzida.
Em uma operação hipotética de R$ 100 mil, por exemplo, se determinada parcela corresponder aos tributos, o valor destinado ao IBS e à CBS poderá ser separado no momento da liquidação, fazendo com que a empresa receba apenas o montante líquido.
Dessa forma, o principal impacto está na liquidez e no capital de giro, e não necessariamente na rentabilidade ou no aumento da carga tributária.
Capital de giro passa a exigir mais atenção
Empresas que utilizam o intervalo entre o recebimento das vendas e o recolhimento dos tributos como parte de sua estratégia financeira precisarão reavaliar o planejamento.
A redução dos recursos disponíveis no caixa pode aumentar a necessidade de capital de giro, antecipação de recebíveis ou contratação de crédito de curto prazo, especialmente em negócios com margens menores ou ciclos financeiros mais longos.
O impacto também pode variar conforme o setor, o prazo concedido aos clientes e a relação entre os períodos de pagamento a fornecedores e recebimento das vendas.
Por isso, a adoção do novo modelo exige que as empresas simulem cenários e avaliem antecipadamente como a mudança poderá afetar a operação.
Mudança exige integração entre áreas
O split payment também não deve ser tratado apenas como uma mudança na área fiscal. A implementação envolve setores como contabilidade, financeiro, tecnologia, faturamento e gestão.
Os sistemas utilizados pelas empresas precisarão estar preparados para identificar corretamente os valores das operações, os tributos incidentes e os montantes efetivamente recebidos.
Também será necessário revisar processos de conciliação, emissão de documentos fiscais, cadastro de produtos e clientes e integração entre sistemas.
Nesse cenário, erros nas informações fiscais podem gerar impactos financeiros e dificultar a correta apropriação de créditos de IBS e CBS.
Empresas precisam se preparar para a mudança
A preparação para o split payment deve começar antes da efetiva implementação do mecanismo. Entre as medidas que podem ser adotadas pelas empresas estão:
- Projetar o fluxo de caixa para os próximos anos;
- Avaliar a necessidade adicional de capital de giro;
- Revisar prazos de pagamento e recebimento;
- Atualizar sistemas financeiros, fiscais e contábeis;
- Revisar cadastros e processos internos;
- Capacitar as equipes;
- Acompanhar as regulamentações da Reforma Tributária.
O planejamento antecipado também permite identificar quais operações poderão sofrer maior impacto e avaliar alternativas para preservar a liquidez.
CONBCON 2026 reúne discussões sobre os impactos da Reforma Tributária
As mudanças na estrutura de arrecadação e os impactos da Reforma Tributária sobre a rotina dos profissionais estarão entre os assuntos abordados no CONBCON 2026, que será realizado de 21 a 25 de setembro.
Na 10ª edição do Congresso Online Brasileiro de Contabilidade, especialistas de diferentes áreas discutirão temas relacionados à transformação da contabilidade, incluindo os efeitos das novas regras tributárias sobre empresas, processos e gestão.
Com o tema “O contador no centro das decisões estratégicas”, o congresso terá mais de 60 palestras, painéis, lives e workshops, com conteúdos voltados a profissionais que precisam acompanhar as mudanças regulatórias e tecnológicas do setor.
Além do Split Payment, a programação inclui temas como Reforma Tributária, inteligência artificial, gestão de escritórios, planejamento tributário, compliance, BPO financeiro, Departamento Pessoal, eSocial, governança e contabilidade consultiva.
Entre os especialistas já anunciados estão Nathalia Lisboa, Roberto Dias Duarte, Anderson Souza, Graziella Santos, Pedro Nery, Pollyana Tibúrcio, Mauro Negruni, Elisane Rodovanski, Camila Oliveira, Jorge Matsumoto e Valter Koppe, além de outros convidados.
Evento online permite participação de profissionais de todo o país
O formato totalmente online permite que profissionais e estudantes acompanhem o congresso independentemente da região onde estejam.
As apresentações seguirão os horários definidos na programação oficial, permitindo que os participantes escolham previamente os conteúdos de acordo com os temas de maior interesse.
Também será possível obter certificados das apresentações acompanhadas, desde que o participante assista a pelo menos 80% de cada conteúdo, sem avançar ou pular partes da transmissão.
Ao final, os participantes ainda poderão emitir um documento geral com a carga horária e as atividades concluídas durante o congresso.
A participação é gratuita e as inscrições já estão abertas.
Capacitação ganha importância diante das mudanças
Para profissionais que atuam com contabilidade, fiscal, financeiro e gestão, acompanhar as alterações antes que elas sejam incorporadas definitivamente à rotina pode facilitar a adaptação dos processos e a orientação aos clientes.
No caso do split payment, por exemplo, entender antecipadamente os efeitos sobre recebimentos, conciliação e capital de giro pode ajudar as empresas a se prepararem para uma nova dinâmica financeira.
O congresso reúne justamente diferentes áreas que passam a se relacionar com as mudanças trazidas pela Reforma Tributária, permitindo que os participantes ampliem a visão sobre os impactos da transição e sobre as competências exigidas do profissional contábil.
Serviço — CONBCON 2026
Evento: Congresso Online Brasileiro de Contabilidade
Tema: O contador no centro das decisões estratégicas
Data: 21 a 25 de setembro de 2026
Formato: 100% online
Participação: gratuita
Programação: mais de 60 palestras, painéis, lives e workshops
Principais temas: Reforma Tributária, inteligência artificial, gestão, compliance, BPO financeiro, Departamento Pessoal, tecnologia e contabilidade consultiva
Certificados: disponíveis conforme os critérios de participação
Inscrições: pelo site oficial do CONBCON 2026













