A Reforma Tributária já está no radar das empresas brasileiras, mas uma parcela significativa ainda não conseguiu medir seus efeitos práticos. Um levantamento da Roit, companhia especializada em soluções para gestão tributária, mostrou que 24% das empresas ainda não simularam os impactos financeiros das mudanças no sistema de tributação do consumo.
O estudo foi feito entre maio e junho de 2026 com 70 gestores de médias e grandes empresas e aponta que a falta de preparação não se limita à carga tributária. As empresas também enfrentam dúvidas sobre os efeitos da reforma no fluxo de caixa, formação de preços, margens de lucro, contratos e sistemas de tecnologia.
Maioria ainda está em fase inicial de análise
Entre as empresas consultadas, apenas 9% afirmaram ter realizado estudos detalhados sobre os impactos da Reforma Tributária. A maior parte informou que a análise ainda é preliminar ou sequer foi iniciada.
Outro dado que chama atenção é que 37% das empresas não avaliaram o impacto do split payment no capital de giro. O novo modelo prevê a separação automática dos tributos no momento do pagamento da operação, o que pode alterar a disponibilidade de recursos no caixa das companhias.
Além disso, 34% dos participantes não sabem como a Reforma Tributária poderá afetar seus preços e margens de lucro.
Tecnologia também é ponto de preocupação
A adaptação dos sistemas aparece como outro desafio. Segundo o levantamento, apenas 1% das empresas consultadas se considera preparada para operar com os dois sistemas tributários durante o período de transição.
Ao mesmo tempo, 27% das empresas sequer discutiram internamente os impactos tecnológicos das mudanças.
A preocupação é relevante porque a transição para o novo modelo exige alterações em sistemas de gestão, emissão de documentos fiscais, cadastros de produtos e serviços e processos internos. A implementação da Reforma Tributária seguirá até 2033, período em que o modelo atual conviverá gradualmente com os novos tributos.
Empresas também não revisaram contratos
A pesquisa identificou que a preparação jurídica está em estágio semelhante. 37% das empresas ainda não revisaram seus contratos considerando os impactos da Reforma Tributária, enquanto 36% estão apenas começando esse processo.
A revisão contratual ganha importância diante das mudanças na incidência dos tributos, na apropriação de créditos e na própria composição dos preços negociados entre fornecedores e clientes.
Cláusulas relacionadas a preços, reajustes, responsabilidade tributária e reequilíbrio econômico-financeiro podem precisar de atenção durante a transição para o novo sistema.
Riscos superam oportunidades para maioria
A percepção dos gestores consultados também demonstra cautela. Para 54% das empresas, a Reforma Tributária apresenta atualmente mais riscos do que oportunidades.
Além disso, 83% acreditam que sua posição competitiva poderá ser alterada com a implementação das novas regras.
Os números indicam que, embora a transição já tenha começado, muitas empresas ainda não possuem informações suficientes para identificar de que forma as mudanças poderão afetar suas operações.
Planejamento antecipado pode reduzir riscos
A pesquisa reforça a necessidade de que as empresas não tratem a Reforma Tributária apenas como uma questão fiscal. Os efeitos podem alcançar diferentes áreas do negócio, incluindo financeiro, contábil, jurídico, comercial, tecnologia e gestão.
A criação da CBS no âmbito federal e do IBS, compartilhado entre estados e municípios, mudará gradualmente a tributação sobre o consumo. Por isso, a avaliação dos impactos precisa considerar não apenas a futura carga tributária, mas também a formação de preços, o aproveitamento de créditos, o fluxo de caixa e a relação com fornecedores e clientes.
Nesse cenário, empresas que ainda não realizaram simulações podem enfrentar menos tempo para ajustar processos à medida que as novas etapas da transição avançarem.
Com informações da Folha de São Paulo












