A inteligência artificial deixou de ser uma tendência do futuro e passou a fazer parte da operação diária da contabilidade brasileira. A pesquisa inédita realizada pela IOB, que une Inteligência em legislação e Tecnologia avançada para resolver os desafios de contadores e empresas, em parceria com a Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (FENACON) e o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), revela que 78% dos profissionais contábeis já utilizam ferramentas de IA no trabalho ao menos uma vez por semana. Desse total, 53% afirmam fazer uso diário da tecnologia.
O levantamento foi realizado entre abril e maio de 2026 com 393 profissionais da área contábil de todas as regiões do país e mostra um setor em rápida transformação digital, impulsionado principalmente pela busca por produtividade e redução de tarefas operacionais.
Os dados indicam que a adoção da IA ocorre em um momento em que escritórios e departamentos contábeis enfrentam pressão crescente por eficiência, análise estratégica e capacidade consultiva.
Hoje, segundo os contadores, os principais desafios da rotina contábil estão diretamente ligados a atividades repetitivas e operacionais:
- excesso de retrabalho manual (34%);
- falta de tempo para análise e consultoria (20%);
- dificuldade de integração entre sistemas e dados (17%);
- erros humanos em tarefas repetitivas (15%).
Na avaliação do mercado, a inteligência artificial surge justamente como uma ferramenta capaz de reduzir o peso operacional da profissão e ampliar a atuação analítica do contador.
A percepção sobre os impactos da tecnologia é majoritariamente positiva. Para 42% dos entrevistados, a IA será revolucionária e deve mudar significativamente o modelo de trabalho da contabilidade. Outros 37% consideram a tecnologia uma aliada importante para aumentar produtividade, melhorar análises e reduzir custos operacionais.
O receio de substituição profissional aparece de forma residual: apenas 2% afirmam enxergar a IA como ameaça ao trabalho humano.
Inteligência Artificial: valorização do contador
A leitura predominante entre os profissionais é de transformação da função contábil, e não de eliminação da profissão. Segundo a pesquisa, 58% acreditam que a inteligência artificial aumentará o valor estratégico do contador, enquanto 29% avaliam que algumas funções serão automatizadas, mas o profissional continuará essencial nos processos de interpretação e tomada de decisão.
“A contabilidade está entrando em uma nova etapa de transformação digital. A IA tende a automatizar tarefas operacionais, e, ao mesmo tempo, fortalece o papel consultivo e estratégico do contador dentro das empresas”, afirma Jorge Santos Carneiro, presidente da IOB.
"O contador não será substituído pela inteligência artificial. O que estamos vendo é a substituição de tarefas operacionais por profissionais cada vez mais estratégicos. Quem dominar tecnologia e capacidade consultiva terá vantagem competitiva nos próximos anos," destaca Reynaldo Lima Junior, presidente da FENACON.
Desafio: capacitação no uso da tecnologia
Apesar da rápida adoção, a pesquisa revela um descompasso importante entre uso da tecnologia e capacitação técnica. Embora a maioria dos entrevistados já utilize IA na rotina profissional, 62% classificam seu conhecimento sobre o tema como apenas básico. Apenas 5% afirmam possuir domínio avançado da tecnologia.
O cenário evidencia uma oportunidade relevante de qualificação no setor, especialmente porque a maior parte das empresas ainda não estruturou programas de treinamento:
- 68% afirmam que suas empresas ou escritórios não oferecem capacitação sobre IA;
- apenas 12% já possuem treinamentos voltados ao uso da tecnologia;
- 17% dizem que suas organizações pretendem implementar iniciativas futuramente.
Preocupação: segurança da informação
A pesquisa também mostra que a transformação digital da contabilidade vem acompanhada de preocupações crescentes relacionadas à segurança da informação e à governança de dados.
Entre os principais receios dos profissionais estão:
- vazamento de dados de clientes (33%);
- uso indevido de informações confidenciais (22%);
- decisões automatizadas sem supervisão humana (22%).
Mesmo diante dessas preocupações, o nível de confiança em relação ao uso da IA ainda é elevado. Ao todo, 83% afirmam se sentir muito ou razoavelmente confiantes quanto à segurança das ferramentas utilizadas.
Novas competências: intepretação e senso crítico
Outro ponto que chama atenção no levantamento é a mudança na percepção sobre as competências mais importantes para o futuro da profissão. Em vez de habilidades estritamente operacionais, os entrevistados apontam capacidades mais analíticas e estratégicas como diferenciais competitivos em um cenário de avanço da automação.
As habilidades humanas consideradas mais relevantes para os próximos anos são:
- interpretação de dados (32%);
- pensamento crítico (21%);
- comunicação e consultoria (20%);
- tomada de decisão estratégica (20%).
“Os dados reforçam uma tendência já observada em outras áreas intensivas em informação: à medida que tarefas repetitivas são automatizadas, cresce a demanda por profissionais capazes de interpretar cenários, orientar clientes e apoiar decisões de negócio”, conclui Jorge Santos Carneiro.
A maioria dos participantes da pesquisa atua em empresas de contabilidade (69%), enquanto 31% trabalham em outros segmentos empresariais.
"Algoritmos sofisticados continuarão produzindo decisões equivocadas quando alimentados por dados ruins. Por isso, quanto maior for o avanço tecnológico, maior será a necessidade de informações confiáveis. E o profissional da contabilidade é esse guardião da integridade da informação", ressalta Joaquim Bezerra, presidente do CFC.
Com informações da IOB












