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Teto do MEI: projeto que amplia limite de faturamento deve ser votado após eleições

Governo defende mudança apenas para o MEI, enquanto Congresso quer atualizar também os limites de ME e EPP.

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Teto do MEI: projeto que amplia limite de faturamento deve ser votado após eleições Antônio Cruz/ Agência Brasil

A votação do projeto que amplia o teto de faturamento do MEI deve ocorrer somente após as eleições de 2026. O adiamento está relacionado à falta de acordo entre o Congresso e o governo sobre quais limites do Simples Nacional devem ser atualizados.

Enquanto o governo defende alterações exclusivamente para o MEI, parlamentares ligados ao setor empresarial querem ampliar os limites também para microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP). O relator da comissão especial que analisa a atualização do MEI, deputado Jorge Goetten (Republicanos-SC), afirmou que pretende discutir a atualização de todas as faixas do regime.

O projeto enviado pelo governo em junho prevê elevar o limite anual do MEI, atualmente em R$ 81 mil, para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil a partir de 2028. Como ainda não houve consenso sobre o alcance da proposta, a definição dos novos valores permanece em negociação.

Governo e Congresso divergem sobre alcance da mudança

O principal ponto de divergência está na quantidade de categorias que seriam beneficiadas pela atualização dos limites. O governo pretende restringir a mudança ao MEI, enquanto parlamentares defendem que a atualização alcance também as demais faixas do Simples Nacional.

O relator da comissão especial, Jorge Goetten, afirmou que buscará incluir todas as faixas do regime na discussão. Segundo ele, o aumento dos limites é considerado certo, mas os valores que serão adotados ainda estão sendo debatidos.

A definição depende de um entendimento entre os parlamentares e o governo antes da votação do texto. Sem esse consenso, a análise do projeto deverá ficar para um período posterior às eleições.

O cenário também está relacionado ao calendário político. Câmara e Senado devem ter redução das atividades parlamentares após a próxima semana, quando deputados e senadores retornam aos estados para se dedicar às campanhas eleitorais.

Projeto do governo prevê novo teto para o MEI

O PLP 186/2026, enviado pelo governo ao Congresso em junho, estabelece uma elevação escalonada do limite de faturamento do MEI.

Pelo texto, o teto passaria dos atuais R$ 81 mil para R$ 110 mil por ano em 2027. A partir de 2028, o limite subiria novamente, chegando a R$ 140 mil anuais.

A mudança permitiria que mais empreendedores permanecessem enquadrados na categoria de microempreendedor individual, segundo a justificativa apresentada pela equipe econômica.

O governo estima que a medida teria impacto de R$ 8 bilhões nas contas públicas até 2029, em razão da redução da arrecadação tributária decorrente do maior número de empreendedores enquadrados como MEI.

Ampliação para ME e EPP elevaria impacto fiscal

A discussão sobre a atualização dos limites não se restringe ao MEI. Parlamentares defendem que os valores de enquadramento das microempresas e empresas de pequeno porte também sejam corrigidos.

Atualmente, são consideradas microempresas aquelas com receita bruta anual de até R$ 360 mil. As empresas de pequeno porte possuem receita superior a R$ 360 mil e de até R$ 4,8 milhões por ano.

De acordo com estudo da Receita Federal encaminhado aos parlamentares, uma mudança que também elevasse os limites dessas duas categorias poderia gerar impacto de R$ 50 bilhões na Previdência em dois anos.

O valor representa um impacto superior ao estimado pelo governo para a proposta restrita ao MEI, ampliando a discussão sobre o alcance e os custos da atualização do Simples Nacional.

O que está em discussão no Simples Nacional

A proposta atualmente em análise tem como ponto de partida a elevação do limite de faturamento do MEI, mas o Congresso discute uma ampliação para outras categorias do Simples Nacional.

O debate envolve, portanto, tanto os valores dos novos limites quanto quais faixas do regime serão contempladas pela mudança.

Para o MEI, os valores previstos no projeto do governo já estabelecem R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil a partir de 2028. Esses números, porém, podem ser alterados durante a tramitação diante da discussão sobre uma atualização mais ampla.

A definição deverá ocorrer após a retomada das atividades legislativas e dependerá do acordo entre governo e parlamentares.

Impactos para a classe contábil

A possível alteração dos limites de enquadramento do Simples Nacional pode afetar a análise tributária de microempreendedores e empresas que estejam próximas dos atuais tetos de faturamento.

Para profissionais da contabilidade, a definição sobre quais categorias terão os limites atualizados será relevante para avaliar o enquadramento dos clientes e os efeitos tributários decorrentes de eventual mudança na faixa de receita.

Enquanto o projeto não for votado e os novos valores não forem definidos, permanecem vigentes os limites atuais. A proposta do governo e as alterações que eventualmente forem apresentadas pelo Congresso ainda dependem de tramitação legislativa.

Com informações Portal da Reforma Tributária

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