A poucos meses do início efetivo de uma nova etapa da reforma tributária, empresas ainda não têm os percentuais definitivos que deverão orientar parte da tributação a partir de 2027. A indefinição envolve principalmente a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que substituirá PIS e Cofins, e o Imposto Seletivo (IS), previsto para entrar em vigor no próximo ano.
A situação aumenta a dificuldade para empresas concluírem o planejamento tributário, a formação de preços, contratos e adequações de sistemas. O cronograma prevê que a alíquota de referência da CBS para 2027 seja definida somente no fim deste ano, o que reduz o tempo disponível para adaptação.
Além da definição dos percentuais, as empresas precisarão lidar com mudanças na própria dinâmica de recolhimento dos tributos. Entre elas está o split payment, mecanismo previsto na reforma que poderá alterar a disponibilidade de recursos no caixa e exigir uma revisão das estratégias de capital de giro.
Alíquotas definitivas ainda não foram fixadas
Um dos principais pontos de atenção está na diferença entre estimativas utilizadas para cálculos e os percentuais que efetivamente serão aplicados aos contribuintes.
Em julho, o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (CGIBS) passou a trabalhar, para fins de projeção, com uma alíquota conjunta estimada de 27,91%, sendo 18,70% para o IBS e 9,21% como parcela implícita da CBS. O percentual, porém, não representa uma alíquota definitiva.
A própria documentação técnica diferencia a estimativa utilizada para projeções da alíquota que será efetivamente definida no processo de regulamentação. Portanto, os 27,91% não devem ser tratados como o percentual que todas as empresas necessariamente pagarão.
O número ganhou relevância porque supera a referência de 26,5% considerada na legislação para a soma dos novos tributos. A eventual superação desse parâmetro envolve medidas previstas na própria legislação da reforma.
Definição da CBS seguirá etapas
A definição da alíquota de referência da CBS envolve diferentes instituições. A Receita Federal é responsável pelos cálculos, enquanto o Tribunal de Contas da União (TCU) participa da validação da metodologia. Depois, cabe ao Senado Federal fixar a alíquota de referência por resolução.
O TCU já homologou a metodologia de cálculo elaborada pelo Poder Executivo para a alíquota de referência da CBS e comunicou ao Senado que caberá à Casa fixar o percentual para 2027.
Para 2026, o cenário é diferente. Este ano funciona como período de teste da reforma, com 0,9% de CBS e 0,1% de IBS, totalizando 1%. Para os contribuintes que cumprem as obrigações acessórias previstas, não há recolhimento efetivo desses valores no período de teste.
A partir de 2027, entretanto, a CBS passa a ter cobrança efetiva, enquanto o IBS permanece inicialmente com a alíquota de 0,1%.
Empresas precisam planejar mesmo sem percentual final
A indefinição não significa que as empresas possam adiar toda a preparação. A reforma já exige mudanças em processos fiscais, sistemas, cadastros, documentos eletrônicos e controles internos.
A Receita Federal destaca que a transição exigirá adaptação dos contribuintes e dos fiscos, além de investimentos em tecnologia e capacitação.
Na prática, empresas precisam trabalhar com cenários enquanto aguardam a definição dos percentuais. A formação de preços, por exemplo, pode ser afetada pela nova estrutura tributária e pela possibilidade de aproveitamento de créditos ao longo da cadeia.
A definição da alíquota também é relevante para contratos de longo prazo, projeções financeiras e decisões relacionadas ao regime tributário.
Split payment pode mudar gestão do caixa
A preocupação com a reforma não se limita ao percentual dos novos tributos. O split payment, também chamado de pagamento dividido, está entre os mecanismos previstos para operacionalizar o recolhimento do IBS e da CBS.
Nesse modelo, a parcela correspondente aos tributos poderá ser segregada no momento da liquidação financeira da operação. Em vez de receber o valor integral da venda e recolher os tributos posteriormente, a empresa poderá receber diretamente o montante líquido.
A mudança não representa, por si só, aumento da carga tributária, mas pode alterar a dinâmica financeira dos negócios. Isso ocorre porque recursos que atualmente podem permanecer temporariamente no caixa entre o recebimento da venda e o pagamento dos tributos terão sua disponibilidade reduzida.
O efeito tende a ser mais relevante para empresas que utilizam esse intervalo como parte da estratégia de financiamento das operações. Dependendo do setor, dos prazos concedidos aos clientes e da relação entre pagamentos a fornecedores e recebimentos, pode haver maior necessidade de capital de giro, antecipação de recebíveis ou crédito de curto prazo.
Por isso, a preparação para a reforma passa também pela simulação dos efeitos financeiros das novas regras e pela integração entre áreas como contabilidade, financeiro, tecnologia, faturamento e gestão.
Reforma terá transição até 2033
A mudança não ocorrerá de uma só vez. Em 2027 e 2028, haverá cobrança da CBS e do IBS em sua fase inicial. A partir de 2029, começa a substituição gradual do ICMS e do ISS pelo IBS.
O cronograma prevê redução progressiva dos tributos atuais entre 2029 e 2032, enquanto a participação do IBS aumenta. Em 2033, o novo modelo tributário deverá estar integralmente implantado, com a extinção do ICMS e do ISS.
Por isso, embora a atenção imediata esteja concentrada nas alíquotas de 2027, as empresas precisam considerar que a estrutura tributária continuará mudando nos próximos anos.
Simples Nacional terá tratamento específico
As empresas optantes pelo Simples Nacional também precisarão acompanhar as mudanças, mas terão regras próprias.
De acordo com as orientações do portal da Secretaria da Fazenda sobre a reforma, os contribuintes do Simples poderão recolher IBS e CBS dentro da sistemática do regime ou optar pela apuração desses dois tributos fora do Simples, no regime regular.
A escolha pode produzir efeitos diferentes em relação à apropriação e transferência de créditos, o que torna a análise do modelo de tributação uma questão relevante para empresas e profissionais da contabilidade.
Capacitação ganha espaço durante a transição
Diante de um cenário em que as alíquotas ainda dependem de definições e a operação das empresas também será afetada por novos mecanismos de arrecadação, a atualização profissional ganha importância.
É nesse contexto que o CONBCON 2026 terá a Reforma Tributária entre os assuntos discutidos durante a programação. A 10ª edição do Congresso Online Brasileiro de Contabilidade será realizada de 21 a 25 de setembro, em formato 100% online e com participação gratuita.
Com o tema “O contador no centro das decisões estratégicas”, o congresso terá mais de 60 palestras, painéis, lives e workshops, reunindo conteúdos relacionados à transformação da contabilidade e aos impactos das mudanças regulatórias e tecnológicas.
Além da Reforma Tributária e do split payment, a programação inclui temas como inteligência artificial, gestão de escritórios, planejamento tributário, compliance, BPO financeiro, Departamento Pessoal, eSocial, governança e contabilidade consultiva.
Entre os especialistas já anunciados estão Nathalia Lisboa, Roberto Dias Duarte, Anderson Souza, Graziella Santos, Pedro Nery, Pollyana Tibúrcio, Mauro Negruni, Elisane Rodovanski, Camila Oliveira, Jorge Matsumoto e Valter Koppe, além de outros convidados.
O formato totalmente online permite a participação de profissionais e estudantes de diferentes regiões do país. As apresentações seguirão os horários definidos na programação oficial, permitindo que os participantes escolham previamente os conteúdos de acordo com seus interesses.
Os participantes também poderão obter certificados das apresentações acompanhadas, desde que assistam a pelo menos 80% de cada conteúdo, sem avançar ou pular partes da transmissão. Ao final, será possível emitir ainda um documento geral com a carga horária e as atividades concluídas durante o congresso.
Incerteza reforça necessidade de planejamento
Com a aproximação de 2027, o desafio para as empresas deixa de ser apenas acompanhar a legislação e passa a envolver a preparação operacional e financeira para um sistema ainda em fase de implementação.
Enquanto os percentuais definitivos não são conhecidos, empresas podem utilizar as estimativas disponíveis para simular diferentes cenários, revisar contratos, avaliar impactos sobre preços, projetar o fluxo de caixa e verificar se os sistemas estão preparados para as novas regras.
A preparação também precisa considerar mecanismos como o split payment, que poderá modificar a disponibilidade de recursos e exigir mudanças na gestão do capital de giro.
Nesse cenário, acompanhar a regulamentação e capacitar profissionais tornam-se etapas importantes para reduzir riscos durante a transição. O CONBCON 2026 se insere nesse debate ao reunir, em uma programação online e gratuita, conteúdos sobre a reforma e outras transformações que devem impactar a atuação dos profissionais da contabilidade.
Serviço — CONBCON 2026
Evento: Congresso Online Brasileiro de ContabilidadeTema: O contador no centro das decisões estratégicasData: 21 a 25 de setembro de 2026Formato: 100% onlineParticipação: gratuitaProgramação: mais de 60 palestras, painéis, lives e workshopsPrincipais temas: Reforma Tributária, inteligência artificial, gestão, compliance, BPO financeiro, Departamento Pessoal, tecnologia e contabilidade consultivaCertificados: disponíveis conforme os critérios de participaçãoInscrições: pelo site oficial do CONBCON 2026.













