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SEGURANÇA DO TRABALHO

Riscos Psicossociais: o perigo que empresas ignoram na NR-1

Gestores, gritos e medo: A nova visão da NR-1 no ambiente de trabalho

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Riscos Psicossociais: o perigo que empresas ignoram na NR-1 IA — Portal Contábeis

Gestor que humilha, chefe que grita e funcionário que tem medo de falar também entram na conversa sobre riscos psicossociais

Imagine a cena: um funcionário entra no banheiro durante o expediente, fecha a porta e começa a chorar. Do lado de fora, a empresa continua funcionando normalmente: telefone tocando, clientes esperando, metas na planilha. Mas alguém percebeu o que aconteceu? Alguém perguntou por quê?

É justamente aí que começa uma conversa que as empresas não podem mais ignorar.

Desde a entrada em vigor da nova redação da NR-1 (Portaria MTP nº 673/2021), em janeiro de 2022, a nova redação do capítulo 1.5 da NR-1 passou a incluir expressamente os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais.

E isso vai muito além de equipamentos de segurança ou documentos. Também é preciso olhar para a forma como as pessoas são tratadas e como o trabalho é organizado.

Sua empresa tem um “rei do grito”? É aquele gestor que acredita que autoridade é sinônimo de intimidação. Grita, humilha funcionário diante dos colegas, chama a equipe de incompetente, ameaça demitir por qualquer erro e acredita que “pressão faz produzir”.

Ou trata os subordinados como se estivesse comandando um haras: ele manda, os outros obedecem.

Cobrar resultados faz parte da gestão. Humilhar, intimidar ou criar um ambiente de medo, não.

Sobrecarga, falta de apoio, conflitos persistentes, assédio e formas inadequadas de gestão podem contribuir para riscos psicossociais relacionados ao trabalho.

Na vida real, ninguém deveria precisar suportar o insuportável

É triste admitir, mas muitas pessoas sofrem dentro do trabalho e permanecem em silêncio porque precisam daquele emprego. Toleram gritos, humilhações, pressão excessiva e comportamentos abusivos porque têm contas para pagar e não podem simplesmente pedir demissão.

E é justamente por isso que situações como essas precisam ser discutidas.

Que os personagens que reproduzem esse tipo de comportamento na ficção sirvam como alerta sobre o que não deve ser feito na vida real. Afinal, ser Pilar ou Odete Roitman pode funcionar na televisão, mas não no ambiente de trabalho.

O problema pode estar acontecendo sem aparecer na planilha

Os riscos psicossociais nem sempre são visíveis. Muitas vezes, os primeiros sinais aparecem no comportamento das pessoas.

São sinais que a empresa precisa aprender a enxergar.

“Mas minha empresa é pequena. A NR-1 também vale para mim?”

O tamanho da empresa não deve ser usado como desculpa para ignorar o ambiente de trabalho.

Existem regras específicas e tratamentos diferenciados para determinados MEIs e micro e pequenas empresas, mas isso não significa que situações de assédio, sobrecarga, conflitos ou outras condições que afetem os trabalhadores possam ser simplesmente ignoradas.

Aliás, em uma pequena empresa, o impacto pode ser ainda maior. Em uma equipe de dez pessoas, por exemplo, um único gestor com comportamento abusivo pode contaminar todo o ambiente.

Enquanto algumas empresas ainda enxergam a NR-1 como burocracia, outras já estão se antecipando: revisam processos, preparam lideranças, criam canais de escuta e procuram identificar os riscos antes que eles se transformem em crises.

Prevenção não é apenas cumprir uma norma. É fazer gestão.

Antes de perguntar “quanto custa se adequar?”, talvez seja melhor perguntar: “quanto custa não perceber?”

Um problema ignorado pode resultar em afastamentos, conflitos, rotatividade, denúncias, processos e danos à reputação da empresa.

A pergunta, portanto, não é apenas se a documentação está em dia.

É outra: Se eu entrar hoje em todos os setores da minha empresa, o que vou encontrar?

Gestores preparados? Funcionários que se sentem seguros para falar?

Ou alguém chorando no banheiro enquanto, do outro lado da porta, a empresa continua funcionando normalmente?

A NR-1 não começa na fiscalização. Começa quando a empresa decide enxergar o que acontece dentro dela.

Fonte: Eduardo Marciano, gerente de departamento pessoal da King Contabilidade

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