O mercado financeiro elevou de 5,01% para 5,22% a previsão da inflação oficial brasileira para 2026. A estimativa consta no Boletim Focus divulgado pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira (13) e representa a quarta alta consecutiva nas projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
A revisão ocorre após o índice oficial registrar alta de 0,82% em setembro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além da pressão dos preços no mercado interno, o cenário internacional também preocupa os analistas, especialmente diante dos conflitos no Oriente Médio e dos efeitos sobre a cotação do petróleo.
Mesmo com a elevação da expectativa para a inflação, o mercado reduziu a projeção para a taxa básica de juros, a Selic, ao fim de 2026, de 13,50% para 13,25% ao ano. A estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) permaneceu em 1,85%.
Inflação fica acima do teto da meta
A meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Com isso, o limite máximo permitido é de 4,5%.
A projeção de 5,22% para o IPCA em 2026 está 0,72 ponto percentual acima do teto. Segundo informações divulgadas pelo G1, o Banco Central calcula em 90% a probabilidade de a inflação ultrapassar o limite superior da meta neste ano.
A alta dos preços em setembro foi influenciada principalmente pela energia elétrica residencial, além de aumentos em passagens aéreas, combustíveis e alimentos. O fim do bônus de Itaipu também contribuiu para elevar a conta de luz.
O resultado reforçou a revisão das expectativas do mercado, que passou a considerar uma inflação mais elevada para o fechamento do ano.
Conflitos internacionais pressionam o petróleo
O cenário externo também influencia as expectativas para os preços. Os conflitos no Oriente Médio, incluindo a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, aumentam as incertezas sobre a oferta global de petróleo e contribuem para manter o barril em patamar elevado.
O encarecimento do petróleo pode afetar os preços dos combustíveis e de outros produtos que dependem de transporte e energia, pressionando os custos das empresas e, consequentemente, os preços ao consumidor.
Esse movimento representa um risco adicional para a inflação brasileira, embora o impacto final dependa da evolução dos conflitos, das cotações internacionais e do repasse dos custos ao mercado interno.
Projeções para a inflação nos próximos anos
O Boletim Focus também apresenta as expectativas dos analistas para os anos seguintes. Para 2027, a previsão do IPCA foi mantida em 4,30%. Em 2028, a estimativa recuou de 3,80% para 3,79%, enquanto, para 2029, passou de 3,51% para 3,50%.
As projeções indicam desaceleração gradual da inflação em relação à estimativa para 2026. Ainda assim, os números permanecem acima do centro da meta de 3% nos três anos seguintes.
Confira as estimativas para o IPCA:
- 2026: 5,22%;
- 2027: 4,30%;
- 2028: 3,79%;
- 2029: 3,50%.
As estimativas são medianas das projeções de instituições financeiras consultadas pelo Banco Central e podem mudar conforme a divulgação de novos indicadores econômicos e a evolução do cenário nacional e internacional.
Mercado reduz previsão para a Selic
Apesar da revisão para cima da inflação, os analistas reduziram a estimativa para a Selic no encerramento de 2026, de 13,50% para 13,25% ao ano. Atualmente, a taxa básica está em 13,75%.
A projeção para 2027 permaneceu em 12% ao ano. Para 2028, a expectativa continuou em 10,50%, enquanto, para 2029, ficou em 10%.
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Juros elevados encarecem o crédito e tendem a reduzir o consumo e os investimentos, ajudando a conter a demanda. Por outro lado, também aumentam o custo de financiamento para empresas e famílias.
As estimativas do Focus não representam decisões já tomadas pelo Comitê de Política Monetária (Copom), responsável por definir a taxa básica de juros.
Projeção de crescimento econômico permanece estável
A expectativa para o crescimento do PIB brasileiro em 2026 permaneceu em 1,85%. Para 2027, a projeção continuou em 1,40%, enquanto, para 2028, subiu de 1,81% para 1,83%.
No câmbio, o mercado reduziu a estimativa para o dólar no fim de 2026, de R$ 5,20 para R$ 5,15. Para 2027, a previsão passou de R$ 5,28 para R$ 5,26. Em 2028, permaneceu em R$ 5,30.
O Boletim Focus é divulgado semanalmente pelo Banco Central e reúne as expectativas de instituições financeiras para indicadores como inflação, juros, crescimento econômico e câmbio. Os dados ajudam a acompanhar as perspectivas do mercado, mas não constituem previsões oficiais da autoridade monetária.
Com informações do UOL e Agência Brasil













