Pesquisa do Instituto Locomotiva mostra que 41% dos entrevistados não têm sobra de recursos ou convivem com dívidas; decisões financeiras se concentram no curto prazo
Oito em cada dez jovens de 18 a 30 anos se preocupam com o futuro financeiro, mas apenas 34% consideram que estão adotando medidas concretas para se preparar. Os dados são de pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva, a pedido da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), divulgada no 47º Congresso Brasileiro de Previdência Privada, em São Paulo.
O levantamento ouviu 1.000 jovens das classes A, B e C, com renda própria, em todas as regiões do Brasil. Embora 65% dos entrevistados acreditem que a preparação financeira para a aposentadoria deva começar antes dos 30 anos, 60% tomam decisões financeiras com horizonte de até seis meses.
Para metade dos participantes, pensar na aposentadoria provoca mais ansiedade do que motivação.
Orçamento e dívidas dificultam a formação de reservas
Segundo a pesquisa, 41% dos jovens não têm sobra de recursos ou convivem com dívidas. Apenas 19% possuem reservas suficientes para cobrir mais de três meses de despesas.
Entre as principais dificuldades para guardar dinheiro estão os imprevistos frequentes, mencionados por 28% dos entrevistados, a renda insuficiente (26%) e o endividamento (26%).
A independência financeira lidera os objetivos para os próximos anos, citada por 39% dos participantes. Na sequência aparecem a formação de uma reserva de emergência (36%) e viagens e lazer (25%). Guardar dinheiro para a maturidade ocupa a sétima posição, com 19% das menções.
“A pesquisa evidencia a distância entre o que essa geração deseja para o futuro e o que consegue colocar em prática no presente. Os jovens reconhecem a importância de se preparar financeiramente e valorizam a própria autonomia, mas as necessidades imediatas acabam ocupando grande parte de suas decisões”, afirma Renato Meirelles, fundador do Instituto Locomotiva.
Conhecimento e confiança são barreiras à previdência privada
Além das restrições orçamentárias, o estudo identifica dificuldades de compreensão dos produtos previdenciários. Entre os entrevistados, 65% afirmam conhecer pouco ou nada sobre previdência privada. O percentual chega a 75% na faixa de 18 a 23 anos.
As condições dos produtos também geram dúvidas: 62% receiam mudanças nas regras ao longo do tempo e 50% têm medo de não conseguir acessar os recursos quando precisarem.
Apesar dessas barreiras, 48% declaram alta disposição para começar a contribuir para uma solução de previdência nos próximos 12 meses, desde que encontrem uma alternativa adequada à sua realidade financeira. Essa intenção declarada não equivale à contratação efetiva de um plano.
Entre os atributos mais valorizados estão a possibilidade de interromper temporariamente as contribuições sem perder o valor acumulado (32%), a transparência sobre taxas e custos (32%) e a opção de começar com valores baixos (31%).
Autonomia financeira orienta expectativas
Para 59% dos entrevistados, envelhecer bem significa manter a autonomia e a capacidade de fazer as próprias escolhas.
Ao projetarem as próximas duas ou três décadas, os jovens apontam como principais preocupações a possibilidade de faltar dinheiro (37%), depender financeiramente de outras pessoas (27%) e enfrentar problemas de saúde (25%).
“Quando o planejamento financeiro se conecta à autonomia e à possibilidade de fazer escolhas no futuro, essa conversa passa a fazer muito mais sentido para os jovens”, avalia Meirelles.
Metodologia
A pesquisa “Desafios e Oportunidades para Previdência Privada para Jovens” foi realizada pelo Instituto Locomotiva, a pedido da Abrapp. A etapa quantitativa contou com 1.000 entrevistas digitais por autopreenchimento, com homens e mulheres de 18 a 30 anos, das classes A, B e C, com renda própria, de todas as regiões do Brasil. O estudo incluiu ainda seis entrevistas qualitativas em profundidade, realizadas online.
Fonte: Instituto Locomotiva e Abrapp













