A elaboração do orçamento empresarial para 2027 terá um novo fator de atenção: a Reforma Tributária. Com a substituição do PIS e da Cofins pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), empresas precisarão revisar não apenas suas projeções tributárias, mas também a forma como calculam receitas, custos e despesas.
A mudança traz uma nova sistemática de cobrança e aproveitamento de créditos, com efeitos que variam conforme a atividade e o regime tributário de cada negócio. Para as áreas financeiras, compreender essas diferenças será essencial para construir um orçamento compatível com as regras previstas para o próximo ano.
O que muda na tributação a partir de 2027?
A partir de janeiro de 2027, a CBS substituirá o PIS e a Cofins, inaugurando uma nova etapa da transição tributária.
Uma das principais mudanças está na adoção de um modelo mais amplo de não cumulatividade, que permitirá o aproveitamento de créditos sobre aquisições de bens e serviços, observadas as condições e exceções previstas na legislação.
Outra diferença está na cobrança da CBS por fora do preço, com o tributo destacado sem integrar sua própria base de cálculo.
Essas alterações exigem uma revisão das premissas utilizadas pelas empresas para projetar seus resultados. Afinal, a mudança na forma de calcular os tributos pode modificar o custo efetivo das aquisições e a composição dos preços praticados.
Como a Reforma Tributária afeta receitas, custos e despesas?
Os efeitos não serão uniformes. Empresas com atividades e regimes tributários diferentes poderão apresentar resultados distintos diante das novas regras.
Receitas: mudanças na composição do faturamento
A CBS será calculada por fora, alterando a forma de apresentação da tributação sobre as operações.
Para empresas que já elaboram seus orçamentos a partir da receita líquida, o impacto na estrutura das projeções pode ser menor. Ainda assim, será necessário revisar a composição dos preços e a forma como os tributos são considerados no faturamento.
Vale lembrar que ICMS e ISS continuarão em vigor durante essa etapa da transição, mantendo parte das regras tributárias atuais.
Custos: novas possibilidades de aproveitamento de créditos
A ampliação da não cumulatividade poderá alterar o custo efetivo das aquisições realizadas pelas empresas.
Indústrias e empresas comerciais que já utilizam créditos de ICMS, PIS e Cofins poderão perceber mudanças menos expressivas em determinadas operações.
Por outro lado, empresas prestadoras de serviços e negócios atualmente sujeitos a regimes com aproveitamento mais restrito de créditos poderão experimentar alterações relevantes na composição de seus custos.
O impacto dependerá das aquisições realizadas, do enquadramento tributário e das condições legais para utilização dos créditos. Gastos com mão de obra própria, por exemplo, não geram créditos de CBS da mesma forma que aquisições tributadas de bens e serviços.
Despesas: ampliação da não cumulatividade
As despesas operacionais também deverão ser reavaliadas no orçamento de 2027.
Atualmente, o aproveitamento de créditos de PIS e Cofins sobre determinadas despesas pode depender de discussões sobre sua essencialidade ou relevância para a atividade empresarial.
Com a CBS, a legislação estabelece uma sistemática mais ampla de creditamento, que poderá alcançar diferentes aquisições utilizadas pelas empresas, respeitadas as restrições legais, como as relativas a bens e serviços de uso ou consumo pessoal.
Isso pode modificar o custo líquido de despesas administrativas e operacionais, criando novas possibilidades de análise para a gestão financeira.
Por que essas mudanças precisam ser avaliadas em conjunto?
O impacto da Reforma Tributária não está restrito a uma linha do orçamento.
Uma alteração no aproveitamento de créditos pode modificar os custos de uma operação. Essa mudança, por sua vez, pode influenciar a margem de contribuição, a política comercial e a formação de preços.
Considere uma empresa prestadora de serviços que hoje possui possibilidades limitadas de creditamento de PIS e Cofins. Com a CBS, determinadas aquisições poderão gerar créditos antes indisponíveis, modificando o custo efetivo da operação.
Entretanto, isso não significa necessariamente uma redução da carga tributária total. O resultado dependerá da combinação entre alíquotas, créditos disponíveis, estrutura de custos e características de cada atividade.
Por isso, analisar receitas, custos e despesas isoladamente pode levar a projeções que não refletem os efeitos reais da transição.
O que as empresas devem revisar no orçamento de 2027?
A preparação exige integrar as mudanças tributárias ao planejamento financeiro e comercial.
Essas análises devem considerar não apenas a substituição do PIS e da Cofins, mas também a permanência de outros tributos durante o período de transição.
O orçamento de 2027 precisa refletir a nova realidade tributária
A Reforma Tributária modifica elementos que fazem parte da estrutura financeira das empresas. A substituição do PIS e da Cofins pela CBS poderá alterar custos, despesas e decisões relacionadas à formação de preços.
Mais do que atualizar as projeções de tributos, o desafio será compreender como essas mudanças se relacionam com o resultado de cada negócio.
Incorporar os efeitos da Reforma ao orçamento de 2027 é uma medida importante para construir cenários mais consistentes, preservar a previsibilidade financeira e orientar decisões empresariais durante a transição.











