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Artigo: Fabulosa arrecadação

O governo continua arrecadando bilhões de reais. É só ver os fabulosos recordes da Receita Federal, enquanto a sociedade está à mercê de escândalos políticos

30/08/2005 00:00:00

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O governo continua arrecadando bilhões de reais. É só ver os fabulosos recordes da Receita Federal, enquanto a sociedade está à mercê de escândalos políticos e sem benefícios básicos assegurados pela Constituição Federal. No último dia 12, a imprensa noticiou que a sociedade brasileira pagou em julho R$ 31,649 bilhões em tributos, um crescimento real - já descontada a inflação - de 5,48%. Essa é a maior arrecadação para o mês já registrada na história do Brasil, segundo a Receita Federal. Mas, para onde está indo todo esse montante? Não é para o setor de Educação, ou para hospitais que atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Nem para estradas, segurança pública e benfeitorias sociais. Enquanto o Brasil sofre uma turbulência com a grave crise política, a arrecadação escorre pelos obscuros ralos da corrupção. O que nos atordoa é ver o administrador do País permanecer apático a essa crise que nos assola, e que poderá trazer seriíssimos problemas para o povo brasileiro, e que atinge fatalmente o seu partido. Partido este que ele mesmo fundou, e que o elegeu presidente da República. Luiz Inácio Lula da Silva, o operário e sindicalista do ABC paulista que alcançou o cargo executivo mais importante do País, parece que esqueceu de sua origem, de suas bandeiras políticas, onde a ética era a principal tônica, e ainda fala em reeleição? O Partido dos Trabalhadores (PT) não tem mais sustentação política para se manter no comando do País. As poucas manifestações de apoio que temos presenciado vêm de alguns segmentos da sociedade visivelmente beneficiados pelo atual sistema. Além disso, para enfrentar mais um processo eleitoral, mesmo que sob a égide de uma nova legislação, caso a Reforma Política se torne uma realidade, haverá necessidade de apoio econômico. E a pergunta seguinte é: de onde o PT tirará dinheiro? Dos empresários? Do setor produtivo, por meio da cobrança de impostos, que deixaria ainda mais pesada a insuportável carga tributária brasileira? Fato é que, no acumulado do ano, nos últimos sete meses, a arrecadação chegou a R$ 207,375 bilhões, com um aumento de 14% na comparação com o mesmo período de 2004. O valor também é recorde para o período. Esse volume de impostos, corrigido pela inflação, chega a R$ 209,653 bilhões, um crescimento de 6,09%. Mas será que, para o cidadão brasileiro, as melhorias de estradas, escolas, hospitais e segurança pública alcançam este maravilhoso índice de crescimento? É nítido que não. A sociedade civil organizada está atenta tanto à escorchante tributação quanto ao atual cenário de devastação política. Entidades conhecidas e respeitadas pela sociedade - como Ordem dos Advogados do Brasil - Secção São Paulo (OAB-SP), Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), Federação de Serviços do Estado de São Paulo (Fesesp), Força Sindical, Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Instituto de Engenharia e o Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis (SESCON-SP), a qual tenho a honra de neste momento presidir, e outras - organizaram o Movimento pela Legalidade, Contra o Arbítrio e a Corrupção. Este Movimento faz a defesa das instituições da República, da continuidade de todas as investigações de corrupção e malversação do dinheiro público, de forma profunda, transparente e rápida, dentro dos princípios constitucionais e dos limites da lei. Somente com a sociedade civil unida e organizada conseguiremos mudar o País. Como um dos primeiros passos desse Movimento, será realizado um ato público contra a corrupção no dia 6 de setembro, na Praça da Sé, em São Paulo, onde estaremos pressionando o Congresso para que as Comissões parlamentares de Inquérito dos Correios, do Mensalão e dos Bingos tenham um resultado social satisfatório. Isto é: que apurem realmente os fatos e punam severamente os culpados pela irresponsabilidade para com o dinheiro público. O autor é presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (SESCON) no Estado de São Paulo. DCI (30.08.2005) Antônio Marangon

Fonte: DCI

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