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Contabilidade é maior deficiência pós-SOX

Dificuldades na hora de contabilizar determinados passivos ou ativos, necessidade de comprovar a existência de controles internos, deficiências nos sistemas de

05/09/2005 00:00:00

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Dificuldades na hora de contabilizar determinados passivos ou ativos, necessidade de comprovar a existência de controles internos, deficiências nos sistemas de informação entre os diversos setores da empresa. As companhias abertas listas no mercado dos EUA começaram a reportar, nos primeiros balanços pós-Sarbanes-Oxley, as deficiências que encontraram na hora de implantar as regras. Pesquisa consolidada pela empresa de auditoria e consultoria KPMG com 654 companhias mostrou que foram muitos problemas e que a maneira correta de contabilizar determinadas receitas ainda é a principal dificuldade, destacada por 328 das empresas pesquisadas. Segundo Pieter van Dijk, sócio de Risk Advisory Services da KPMG, a questão da contabilização de receitas e estoques é um problema que ocorre em vários setores, mas concentra-se no setor de eletrônicos, softwares e serviços e no de manufaturados. "O reconhecimento da receita de serviços é algo muito complicado para alguns setores, como os que têm fluxos de pagamentos por leasing e outros que trabalham com determinados modelos de estoques", explicou ele. Deficiências ligadas indiretamente à contabilidade também aparecem em número grande no consolidado feito pela KPMG. De acordo com van Dijk, no item "problemas no fechamento contábil", apontado como problemático por 166 companhias, foi freqüentemente relatado por exemplo que ainda existem lançamentos de dados manuais nas companhias, o que torna o fechamento das contas muito suscetível a erros. "O lançamento manual dificulta revisões sistemáticas, é um risco grande", afirma. Um problema que também vem gerando polêmica no Brasil, a contabilização de passivos ou ativos contingentes é outra deficiência encontrada na pesquisa também ligada ao campo da contabilidade. Foram apenas 26 empresas, no entanto, a relatar dificuldades com relação a estimativas de contabilidade de contingências. A pesquisa mostrou ainda que as companhias, na hora de fazer o relatório, perceberam que alguns controles internos existiam, mas as políticas e procedimentos não eram formalizados, como exigem as novas regras, como foi reportado por 162 empresas. Mas é ainda maior o número de companhias (212) nas quais os controles internos foram percebidos como deficientes ou inexistentes. Um outro problema é a deficiência de pessoal, principalmente os de contabilidade e finanças, responsáveis pelas reconciliações de contas e fechamento de balanços pelas regras americanas. Foram 192 empresas a relatar essa deficiência. Segundo van Dijk, um dos motivos para isso é que antes os auditores externos acabavam ajudando os clientes a fecharem os ajustes finais, o que, a partir da SOX passa a ser totalmente proibido. Ainda dentro das questões que envolvem pessoal, a falta de segregação de funções, encontrada em 83 companhias. "Ou seja, a mesma pessoa é responsável por duas etapas, aquele que faz o procedimento é o mesmo que efetua o controle, por exemplo, algo que não deve ocorrer, pelas regras", explica o executivo. Todas essas dificuldades têm rendido trabalho e muito dinheiro extra para as consultorias nos EUA, movimento que também deve ocorrer no Brasil, no futuro, entre as empresas que possuem ADR. Na verdade, já começou a haver um aumento de demanda pelas consultorias, devido a contratações de serviços para ajudar na adaptação às regras da SOX, uma vez que as companhias estrangeiras ganharam mais tempo para se adaptar. van Dijk admite que o processo têm sido benéfico para as consultorias. A KPMG, por exemplo, já possui inúmeros serviços e programas que foram formatados pensando já no momento pós-SOX e esta pesquisa que está estudando as deficiências relatadas serve como base para aperfeiçoar esses produtos e criar novos.

Fonte: Valor Econômico

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