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Artigo de Carreira

Série autossabotagem #2: A dificuldade em dizer não e querer agradar

Nesta série de artigos você vai conhecer os diferentes comportamentos de autossabotagem. Hoje, conheça o perfil do Prestativo.

30/03/2021 13:45:01

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Série autossabotagem #2: A dificuldade em dizer não e querer agradar

No meu artigo para a coluna, escrevi sobre um tema que afeta a todos nós: a autossabotagem. O artigo (“Por que você se sabota tanto?”) repercutiu bastante e muitas pessoas me procuram, até hoje, incomodadas com o quanto estão se sabotando e querendo saber mais e como podem melhorar. Você pode conferir o artigo clicando aqui!

Em suma, a autossabotagem é uma questão universal e afeta 100% das pessoas, fazendo com que apenas 20% delas alcancem seu verdadeiro potencial, ou seja, não é uma questão de se sabotar ou não, e sim o quanto e onde você está se sabotando.

Basicamente, como explico no artigo anterior, existem 10 formas diferentes das quais você pode se atrapalhar. Dada a grande importância e repercussão sobre este tema, resolvi escrever uma série de 10 artigos rápidos e práticos com casos reais e formas práticas de cada um destes mecanismos, além de apresentar formas de agir e também como melhorar em cada um destes sabotadores. Identifique na lista de 10 itens, ao final do artigo anterior, qual o sabotador que mais se assemelha ao seu comportamento, tanto pessoal quanto no trabalho.

Vamos ao segundo deles:

2º Sabotador

O Prestativo – tentativa de conseguir atenção e afeição dos outros por meio de elogios, agrados ou ajuda. Perde as próprias necessidades de vista.

Se você possui o Prestativo como sabotador, provavelmente tem muita dificuldade em dizer não aos outros. 

Agir com o sabotador Prestativo é uma forma de buscar atenção e afeição dos outros, colocando as necessidades deles como prioridade. Oferecer ajuda, elogiar, colocar-se à disposição ou estar sempre disponível são formas de conseguir aceitação.

É autossabotagem, pois agindo assim as suas próprias necessidades, vontades e até opiniões são colocadas em segundo plano, em detrimento de agradar aos outros. Isso pode gerar ressentimento e a sensação de não ser valorizado, já que o Prestativo acredita que expressar as próprias necessidades de maneira direta pode parecer egoísmo ou pode afastar os outros.

O Prestativo também foge de conflitos e embates, pois acredita que isso pode arranhar a relação com outras pessoas: “Se eu fizer isso, não vão gostar mais de mim”.

Caso prático na carreira

Nas sessões com um cliente de Coaching, identificamos que o sabotador Prestativo era o mais intenso e o que mais impactava na vida dele. Dono de seu próprio negócio, acreditava que tinha que estar sempre disponível quando seus funcionários precisassem de ajuda, pois assim iriam gostar dele e gostar de trabalhar lá.

Ele também tinha uma grande dificuldade em cobrar as atividades e desempenho dos funcionários, sentia muito desconforto em dar feedbacks construtivos ou mostrar que as atitudes de um funcionário específico não eram saudáveis ao negócio.

Quando questionei como ele se sentia em relação a isso, ele desabou. Disse que sentia-se inseguro e mau líder ao não conseguir cobrar, dar feedbacks precisos e fazer correções de rota. Sentia-se muito desconfortável quando tinha que entrar em qualquer tipo de conflito, inclusive na vida pessoal, com medo de afastar as pessoas ou de arranhar a relação, e isso o deixava frustrado e ressentido, pois não conseguia expressar suas necessidades e suas vontades. 

Ele também se sentia esgotado, pois ao se colocar à disposição para ajudar os funcionários sempre que precisassem, acabava fazendo tarefas que não eram suas (eram dos funcionários que ele contratou para fazer) e passava muito tempo depois do expediente para dar conta de tudo o que tinha que realizar.

O mais impactante foi quando calculamos em horas quanto tempo ele investia “trabalhando para os funcionários”. Eram, no mínimo, 2,5 horas diárias. Em uma semana, 12,5 horas semanais a mais de trabalho (!), pois tinha dificuldade em dizer não e cobrar de seus funcionários das atividades que realmente foram contratados para realizar.

Trabalhamos diversas dessas questões, ao longo de três semanas, e um planejamento claro para ele lidar melhor com isso (alguns dos trabalhos e reflexões que fizemos estão no tópicos abaixo). Ao final de um mês, ela já havia reduzido essas “horas extras” para apenas 2 horas por semana, havia feito uma reformulação em seu time e demitido um funcionário que estava gerando grande desgaste para ele e para o negócio. O feedback dele foi muito positivo, tinha a sensação de estar mais livre e recebeu elogios de um funcionário que “agora estava trabalhando melhor, pois conseguia desempenhar seu papel sem o chefe interferir tanto.”

Nos relacionamentos

O Prestativo interfere muito nos relacionamentos também. Por querer sempre agradar e ter grande dificuldade em dizer não, acaba fazendo na maioria das vezes coisas que não lhe agradam e aceitando situações que não são como gostaria que fosse.

Por expressar suas necessidades de forma indireta (já que acredita que expressar diretamente pode ser egoísmo ou pode afastar os outros), não diz de forma clara o que quer, o que é importante para si ou o que precisa. A outra pessoa pode não entender realmente o que você está querendo dizer ou que está precisando e pode não corresponder da maneira que você espera. Isso causa desgaste e ressentimento em você, mas na verdade a outra pessoa não entendeu o que queria. 

Expressar-se de maneira indireta, faz com que a outra parte não entenda sua real necessidade de forma clara e pode fazer com que ela não corresponda como você espera ou da maneira que você precisa naquele momento. Isso pode ser muito comum acontecer com o cônjuge na hora de expressar suas necessidades e vontades no relacionamento ou com seu chefe direto ao expressar insatisfações ou desejos de crescimento seu dentro da empresa.

Dizer não é necessário

Dizer “não”, por mais difícil que pareça, muitas vezes é saudável e necessário. Aceitar tudo o que pedem, a qualquer hora, pode sobrecarregar você e fazer com que não de conta de suas atividades ou de suas necessidades pessoais, emocionais e financeiras.

Ao receber um pedido de ajuda que você não pode atender no momento, explique para a outra parte a importância para você daquilo que está fazendo naquele momento e combine um prazo que seja razoável para você ajudá-la em outro momento, outro dia ou semana.

A crença de que isso pode afastar as pessoas não é verdadeira. Acredite, aconteceu comigo e com inúmeros dos meus clientes: você passa a ser mais respeitado.

Pessoas com dificuldade de dizer não para não desagradar, costumam ser muito sobrecarregadas, terem muito mais para fazer do que são capazes, pouco tempo para si mesmo e o sentimento de esgotamento. Perdem prazos, atrasam entregas, atrasam a compromissos para agradar aos outros.

Não é sua obrigação resolver todos os problemas e pedidos de ajuda que recebe. Dizer sempre sim a tudo e a todos, pode gerar dependência das outras pessoas a você e elas passam a enxergá-lo como a pessoa que vai sempre resolver os problemas delas, independentemente do dia e da hora. Isso não é saudável para você, para sua energia, para seu tempo, sua produtividade e sua satisfação.

Muitas vezes a dificuldade do Prestativo não é saber “falar não”, e sim ficar de boca fechada. Geralmente qualquer pedido de ajuda que escuta, ele já se oferece, sem a pessoa sequer ter pedido ajuda. Resultado: sobrecarregado e sem tempo para si novamente. Boca fechada! Treine.

Conflitos podem ajudar muito

O Prestativo faz com que você acredite que conflitos são sempre negativos e sempre destrutivos. Faz pensar que nada pode sair de bom de um conflito e arranham relacionamentos.

A consequência é que você acaba “abrindo mão” de si próprio para satisfazer a necessidade do outro. 

Conflitos não são sempre negativos, pelo contrário. Muitas vezes podem ser construtivos e ajudar para um ajuste nos relacionamento e interações com a outra pessoa. 

A tendência do Prestativo é fantasiar conflitos como grandes discussões, onde ambas as partes vão se ferir, se magoar e se afastar um do outro: “Se discutirmos por uma necessidade minha, serei visto como egoísta e a outra pessoas não vai mais gostar de mim”.

Uma discussão aberta e clara pode levar a entendimentos e um meio-termo que seja saudável para ambas as partes. Muitas vezes, conflitos e entendimentos são necessários e fugir deles apenas adia o problema e faz com que se torne maior ainda, fazendo você reprimir sentimentos e se ressentir.

Se eu não ajudar os outros, quem vai ajudar? 

A tendência do Prestativo é fazer você pensar que o mundo seria um lugar muito melhor se todos agissem como você, ajudando e servindo aos outros. São ensinamentos bíblicos. 

Isso é verdade, se ajudássemos mais uns aos outros, nos respeitando e trabalhando juntos, o mundo seria um lugar muito melhor.

Mas a mentira do prestativo está no fato de te dizer que precisa abrir mão do que é importante para você para agradar os outros e fazerem-se sentir-se bem. Lembre-se que em primeiro lugar é sempre você. E se não estiver bem consigo mesmo e bem para ajudar, não terá nada para doar ou ajudar aos outros.

É necessário o equilíbrio saudável entre suprir suas necessidades e ajudar os outros. É uma via de mão dupla. Focar somente no outro é uma única mão, e não levam a resultados sustentáveis para você.

Reflexão:

Invista 5 minutos e responda:

Onde o Prestativo mais te atrapalha hoje? Em qual situação?

Qual o pensamento ou crença que faz você achar que precisa agir assim sempre? Esse pensamento tem fundamento?

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