O Dia Internacional da Proteção de Dados e Privacidade, celebrado em 28 de janeiro, foi criado com o objetivo de conscientizar governos, empresas e cidadãos sobre a importância da proteção de dados pessoais e da privacidade em um mundo cada vez mais digital.
No entanto, para o Brasil, a data está longe de ser apenas comemorativa. O cenário atual revela fragilidades preocupantes que colocam o país entre as maiores vítimas de ataques cibernéticos no mundo.
Nos últimos anos, o Brasil tem figurado com frequência nos rankings globais de países mais atacados por crimes cibernéticos. Vazamentos massivos de dados, ataques de ransomware, fraudes digitais e acessos não autorizados a bases de dados tornaram-se eventos recorrentes, atingindo desde grandes empresas até pequenos negócios, além de órgãos públicos e milhões de cidadãos.
A entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) em 18 de setembro de 2020, representou um avanço significativo no ordenamento jurídico brasileiro, estabelecendo regras claras sobre o tratamento dos dados pessoais. Contudo, a existência da lei, por si só, não foi suficiente para reduzir os incidentes de segurança. Na prática, ainda há um grande distanciamento entre o que a legislação exige e o que efetivamente é implementado pelas empresas e pelo governo.
Um dos principais problemas é a baixa maturidade em segurança da informação e governança de dados. Muitas empresas ainda encaram a proteção de dados como um custo ou uma obrigação meramente formal, deixando em segundo plano investimentos em medidas técnicas e administrativas, treinamento de empregados e monitoramento contínuo de riscos, conforme determina o artigo 46, da LGPD.
Além disso, a cultura de privacidade no Brasil ainda é incipiente. Falta conscientização não apenas nas empresas, no governo, mas também entre os próprios titulares de dados, que são os donos dos dados, que muitas vezes desconhecem seus direitos ou não percebem os riscos envolvidos no uso indiscriminado de informações pessoais no ambiente digital.
Outro fator relevante é o aumento da sofisticação dos ataques cibernéticos. Criminosos digitais utilizam técnicas cada vez mais avançadas de engenharia social, exploração de vulnerabilidades e sequestro de dados, explorando justamente ambientes despreparados, com processos frágeis e ausência de planos de resposta a incidentes.
Nesse contexto, o Dia Internacional da Proteção de Dados e Privacidade deve ser visto pelo Brasil mais como um alerta do que como uma celebração. A data reforça a urgência de transformar a proteção de dados em prioridade estratégica e não apenas jurídica. É fundamental que empresas, profissionais da área contábil, gestores e líderes compreendam que a privacidade está diretamente ligada à confiança, à continuidade dos negócios e à sustentabilidade das empresas.
Enquanto o país continuar liderando estatísticas de ataques cibernéticos e vazamentos de dados, o 28 de janeiro seguirá sendo um lembrete incômodo de que ainda há muito a ser feito. Mais do que comemorar, o Brasil precisa agir, com prevenção, investimento, educação e compromisso real com a proteção da privacidade e dos dados pessoais.













