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Inovação é chave para sucesso do Brasil na disputa por mercado externo

SÃO PAULO - Apostar na inovação em produtos, processos, negócios e vendas é a melhor solução para enfrentar a concorrência de produtos asiáticos, especialmente

17/02/2011 19:12:02

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SÃO PAULO - Apostar na inovação em produtos, processos, negócios e vendas é a melhor solução para enfrentar a concorrência de produtos asiáticos, especialmente os chineses, no mercado externo. A avaliação de especialistas é que será cada vez mais difícil competir com a escala e os custos reduzidos praticados pelos chineses, o que obriga os empresários a buscarem alternativas para assegurar a continuidade do crescimento das vendas para o exterior. Para o diretor do departamento de fomento à inovação do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Marcos Vinicius Souza, o maior desafio é disseminar a cultura de inovação entre empreendedores e executivos. “Precisamos ampliar o senso comum sobre inovação em tecnologia. Inovação ocorre em produtos, serviços, informações, marketing e processos. São as novidades, soluções e o estímulo à criatividade que podem tornar a oferta do produto mais atrativa, e é essa ideia que precisamos fazer chegar a todos”.

De fato, o incremento em qualidade e design de produtos já é aposta crescente entre as exportadoras do País. Segundo levantamento da CNI (Confederação Nacional da Indústria) divulgado este mês, 48% das companhias estão apostando nesta estratégia, enquanto reduzir custos e ganhar produtividade é a escolha de 45% dos industriários exportadores na acirrada competição com os produtos chineses. Mesmo assim, o estímulo à inovação ainda tem muito a avançar em território brasileiro. Segundo a Ompi (Organização Mundial de Propriedade Intelectual), que reúne os pedidos de patentes feitos por empresas em todo o mundo, o Brasil só tem 0,32% dos pedidos de patentes do mundo, mesmo tendo cerca de 2,7% da economia mundial.

O pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e um dos autores do livro “As empresas brasileiras e o comércio internacional”, Bruno César Araújo, exalta a crescente incorporação de iniciativas de inovação e criatividade, mas ainda não vê uma cultura inovadora consolidada no ambiente empreendedor brasileiro. Para ele, é necessário, primeiramente, desmitificar a ideia de que inovação só está ligada à criação de produto ou desenvolvimento de tecnologia. “Trata-se de uma mudança, uma solução, uma maneira diferente de vender o produto ou serviço. É uma forma de se diferenciar e, assim, diferenciar o preço, para competir numa situação mais confortável, sem ficar tão vinculado à variação cambial”, analisa.

Marcos Souza explica que o governo e as entidades incentivam a inovação e o investimento em design entre as empresas por meio de três fases. “Primeiro, buscamos mostrar o potencial da inovação para os negócios, casos de inovação, boas ideias que não demandaram muitos gastos como exemplos. É uma etapa de mobilização”. Depois, é a vez de apresentar aos empreendedores os incentivos para inovação e entidades que podem dar suporte aos empreendedores em diferentes segmentos. “Junto com Sebrae, fundações de pesquisa e federações de indústrias, buscamos dotar os empresários de instrumentos e recursos, inclusive a fundo perdido, para fomentar suas ideias e propostas novas”, aponta o diretor do MDIC.

Apesar do esforço, nem todas empresas alcançam financiamentos ou programas de fomento. É aí que entra a terceira fase do processo citado por Marcos Souza. “Aumentar o número de recursos, tornar os mecanismos cada vez mais simples, diminuir ainda mais a burocracia, ou seja, trabalhar com um 'refino' dos instrumentos existentes para ampliar as possibilidades”, explica.

Falta cultura
Um dos maiores desafios enfrentados por governos, entidades e organizações no estímulo à inovação no Brasil, visando dar mais competitividade, é disseminar a ideia de cultura entre os empresários de qualquer porte no país. O gerente executivo de estudos e políticas industriais de inovação, Paulo Mol Junior acredita que o histórico de dificuldades enfrentadas pelo empresário brasileiro acabaram o obrigando a dar mais atenção a outros temas, deixando a inovação de lado. “A verdade é que inovação é tratada, historicamente, como assunto acadêmico, embora tenha ampla receptividade entre o empresariado. Mas, se o empresário gosta, aprova e admira a ideia de inovação e o incremento em produto e serviço, por que não o faz? Na minha avaliação, a conjuntura do Brasil foi muito perversa, e tomou muito tempo do empreendedor, que se desdobrou para resolver assuntos como carga tributária e trabalhista, juros e burocracia e acabou deixando a inovação em segundo plano”, analisa.

Para Bruno Araújo, o cerne da questão é que o processo de inovação acabou ocorrendo muito tarde no Brasil, que agora, precisa correr para recuperar o tempo perdido. “Se analisarmos bem, a abertura econômica é um processo bastante recente no Brasil, e a tônica dos anos 90 foi o ajuste produtivo da indústria na incorporação de tecnologia estrangeira e competitividade, com foco na mão de obra. Por alguns anos, os olhos foram voltados para produtividade, e não em diferenciar, criar e inovar, e isso gerou um saldo”.

Universidade
Para que o conceito de inovação se espalhe mais rapidamente entre os empreendedores, no entanto, é necessário aproximar mais a principal fonte de pesquisas, inovação, criação e proposição de novidades no país – a universidade. Paulo Mol Junior, da CNI, compara a relação universidade/empresa do Brasil com a realidade de outros países do mundo. “O modelo de inovação no Brasil é 'ofertista', ou seja, a universidade desenvolve a pesquisa e depois pergunta se tem aplicação no mercado ou não. Em algumas nações desenvolvidas, há uma estreita ligação entre mercado e universidades e diversas teses respondem a demandas corporativas”, aponta. O gerente de estudos e políticas industriais e de inovação acrescenta que universidade e mundo corporativo têm tempos diferentes.

Para Marcos Souza, do MDIC, a relação entre universidade e empresa é um desafio em qualquer nação. “Porque são dois mundos e duas culturas diferentes. O que podemos ver é que os países que têm mais sucesso são os que criam mais e melhores mecanismos para fazer essa interação, e que facilitam a transformação de pesquisa, tese, dissertação em produto, melhoria ou serviço”. A análise do especialista é que os núcleos de inovação tecnológica existentes em agências, fundações e federações industriais canalizam esse processo no Brasil.

Competição
Só aplicar conceitos de inovação ou incrementar produtos com melhorias em design, no entanto, não é garantia de venda, aceitação ou respaldo de marcas e produtos no exterior. Para Bruno Araújo, do Ipea, para ter êxito no longo prazo, a empresa deve usar a posição de exportadora em seu próprio favor. “Ela passa a ter acesso a fornecedores do exterior com maior facilidade, e pode promover cooperação técnica com clientes e fornecedores, tendo acesso à tecnologia do mundo todo. Para isso, é necessário ser proativo, estar constantemente conhecendo, descobrindo e participando das novidades, feiras e exposições internacionais, transformando sua experiência em ganho de produtividade”.

Se o câmbio e os custos não são tão favoráveis, Marcos Souza elenca uma vantagem dos exportadores brasileiros sobre os demais. Para ele, o empresário brasileiro é criativo como nenhum outro, e está inserido em um contexto que o credencia a pensar inovação à frente dos demais países. “Por terem vivido tantas oscilações econômicas, passado por inflação alta e tantas outras dificuldades, nossos empreendedores se tornaram mais inventivos, criativos. Isto é muito reconhecido no exterior. Além disso, as empresas daqui se obrigam a descobrir e atuar com diferentes culturas, se capacitando para entrar em mercados com maiores exigências regionais”. O diretor do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio acrescenta que, atualmente, os executivos podem usar o vasto mercado da classe C para respaldar seus lançamentos e ideias inovadoras para exportação. “É uma oportunidade de 'testar' ideias, projetos e propostas, buscando os melhores produtos e serviços com o menor preço possível, e um enorme mercado para avaliar e dar o seu retorno”.


Fonte: InfoMoney

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