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Subordinação no trabalho: entenda o conceito, seus tipos e os limites legais nas relações profissionais

Saiba como a subordinação no trabalho é definida pela legislação, seus riscos quando mal aplicada e as práticas para uma gestão equilibrada.

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Subordinação no trabalho: conceito, limites e aplicações

Subordinação no trabalho: entenda o conceito, seus tipos e os limites legais nas relações profissionais

A subordinação no trabalho é um dos elementos jurídicos que caracterizam a relação de emprego no Brasil. Ela estabelece o vínculo no qual o empregado se obriga a cumprir as ordens e diretrizes do empregador, dentro de limites legais e contratuais. 

O conceito integra a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e está presente desde a formação histórica do Direito do Trabalho no país, sendo fundamental para organizar funções, responsabilidades e expectativa entre as partes.

De acordo com a doutrina trabalhista, a subordinação representa o estado no qual o empregado se coloca sob o poder diretivo do empregador. Por isso, compreender como ela funciona, seus tipos e seus limites é essencial para prevenir conflitos internos, reduzir riscos jurídicos e manter um ambiente de trabalho equilibrado.

A seguir, veja o funcionamento da subordinação, suas características, as diferenças em relação ao autoritarismo e como aplicá-la de forma saudável.

O que significa subordinação no trabalho

A subordinação corresponde ao dever do empregado de seguir ordens, diretrizes e controles estabelecidos pelo empregador. Ela se soma a outros elementos da relação de emprego — pessoalidade, onerosidade e não eventualidade — para caracterizar o vínculo formal.

Segundo o ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Maurício Godinho Delgado, a subordinação é “o estado jurídico em que se coloca o trabalhador em face do empregador, no contrato de emprego, submetendo-se ao poder diretivo deste”.

Esse poder diretivo inclui:

  1. Orientação sobre como, quando e onde o trabalho deve ser realizado;
  2. Controle da atividade e supervisão;
  3. Estabelecimento de normas internas, métodos e rotinas;
  4. Definição de responsabilidades e metas.

O empregado, por sua vez, tem o dever de cumprir essas orientações, desde que estejam dentro dos limites legais e contratuais.

Como identificar a subordinação no dia a dia de trabalho

A subordinação aparece de forma prática nas seguintes situações:

  1. O empregador, ou seus representantes, determina procedimentos, prazos e padrões;
  2. O empregado deve seguir essas diretrizes no exercício de suas funções;
  3. A prestação de serviços ocorre de forma contínua, e não esporádica;
  4. Há pagamento de salário;
  5. O trabalho é realizado pela pessoa física contratada, e não por terceiros;

Essas características ajudam a diferenciar uma relação de emprego de vínculos autônomos, terceirizados ou eventuais.

Quais são os tipos de subordinação

A doutrina trabalhista apresenta diferentes naturezas de subordinação que podem surgir nas relações de trabalho:

1. Subordinação jurídica

É a forma clássica e prevista na CLT. Representa o poder diretivo do empregador e o dever de obediência do empregado, dentro dos limites legais.

2. Subordinação estrutural

Corresponde à integração do trabalhador à estrutura organizacional, mesmo quando o controle direto é menos evidente, como em modelos híbridos ou flexíveis.

3. Subordinação técnica e operacional

Ocorre quando o empregado se submete a processos, métodos, tecnologias, padrões de qualidade e prazos definidos pela empresa.

Essas variações mostram que a subordinação pode se manifestar de diferentes formas, sempre relacionada ao comando e à coordenação da atividade produtiva.

Subordinação não é autoritarismo: entenda a diferença

A subordinação está prevista em lei e é essencial ao funcionamento das empresas. Já o autoritarismo aparece quando o poder de direção é exercido de forma abusiva, impositiva ou desrespeitosa, sem considerar limites legais ou dignidade do trabalhador.

Enquanto a subordinação opera com base em regras, contratos e direitos, o autoritarismo se caracteriza por:

  1. Ausência de diálogo;
  2. Ordens arbitrárias;
  3. Imposição de condutas que geram medo ou insegurança;
  4. Desrespeito às necessidades da equipe.

A falta de abertura para comunicação e feedbacks também é sinal de desequilíbrio no exercício do poder diretivo.

Como aplicar a subordinação de forma saudável

Uma gestão equilibrada da subordinação contribui para organização, disciplina e resultados. Boas práticas incluem:

Definir regras claras e documentadas

Códigos de conduta, regulamentos internos e manuais evitam ambiguidades e organizam responsabilidades.

Estabelecer comunicação transparente

Gestores devem dialogar sobre expectativas, mudanças e avaliações. A comunicação clara fortalece a confiança e reduz conflitos.

Promover autonomia quando possível

A participação dos empregados em decisões e processos aumenta engajamento e reduz sensação de controle excessivo.

Reconhecer desempenhos e conquistas

A valorização reforça comportamentos positivos e reduz a percepção de que a subordinação limita iniciativas.

Consequências da subordinação mal aplicada

Quando a subordinação é conduzida de forma inadequada, os impactos podem comprometer o desempenho e a saúde organizacional.

1. Redução de produtividade e engajamento

Ambientes com controle excessivo ou pouca valorização diminuem motivação e desempenho.

2. Conflitos e alta rotatividade

A ausência de equilíbrio entre autoridade e respeito gera atritos, absenteísmo e demissões.

3. Riscos jurídicos e passivos trabalhistas

Ordem ilegal, abuso de poder e violação de direitos podem resultar em processos, indenizações e multas. A CLT prevê subordinação, mas limitando-a ao que for permitido pela legislação.

A subordinação é fundamento jurídico indispensável para caracterizar a relação de emprego no Brasil. Ela define obrigações, responsabilidades e o poder diretivo do empregador, mas exige limites, equilíbrio e respeito aos direitos trabalhistas.

Quando bem aplicada, contribui para organização, eficiência e segurança jurídica. Quando exercida de forma autoritária, pode gerar conflitos, queda de produtividade e riscos legais.

Investimentos em capacitação de lideranças — comunicação não violenta, gestão de conflitos, inteligência emocional e compliance trabalhista — ajudam empresas e profissionais a exercerem o poder de direção de forma responsável, fortalecendo o ambiente de trabalho e prevenindo desgastes.

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