A transformação digital vem alterando a dinâmica das áreas tributária e financeira nas empresas, com maior incorporação de tecnologias baseadas em inteligência artificial (IA) e análise de dados. O movimento amplia o uso de ferramentas voltadas à geração de informações estratégicas e análises preditivas, com impacto direto na forma como decisões de negócio são estruturadas. Nesse cenário, especialistas apontam a necessidade de profissionais que conciliem domínio técnico da legislação tributária com competências digitais e capacidade analítica.
Levantamento internacional sobre operações tributárias e financeiras indica que essa mudança já influencia políticas de contratação e desenvolvimento de equipes. A maioria dos líderes da área afirma buscar perfis que vão além do conhecimento fiscal tradicional, enquanto organizações também intensificam programas de capacitação interna. O estudo reuniu executivos de diferentes setores e países, mapeando tendências relacionadas à gestão de pessoas, tecnologia e estrutura das funções fiscais nos próximos anos.
Embora o conhecimento das normas tributárias permaneça como requisito central, habilidades comportamentais e estratégicas ganharam espaço. Pensamento crítico, capacidade de resolução de problemas, comunicação e colaboração são apontados como competências relevantes para lidar com mudanças regulatórias e com o aumento da complexidade operacional. Parte das empresas também relata reestruturação de funções, com criação de equipes voltadas a atividades de maior valor agregado.
A gestão de talentos aparece como um dos principais desafios. Dirigentes consultados demonstram preocupação com a saída de profissionais experientes do mercado de trabalho e com a redução no ingresso de novos contadores na profissão. Esse contexto pressiona organizações a rever estratégias de retenção, formação e sucessão.
Reestruturação da função fiscal e impactos para a contabilidade
O avanço tecnológico e a reorganização das equipes tributárias alteram a rotina dos departamentos fiscais e o papel estratégico da contabilidade nas empresas. A tendência de automatização de tarefas operacionais e de maior uso de dados amplia a necessidade de controles internos consistentes, governança de informações e integração entre áreas contábil, fiscal e financeira.
Outro movimento observado é a expansão do chamado co-sourcing, modelo em que parte das atividades é executada por parceiros externos. Funções como coleta e tratamento de dados, conciliações e preparação de obrigações acessórias vêm sendo direcionadas a prestadores de serviços especializados. Empresas que adotaram o modelo relatam ganhos de produtividade e maior disponibilidade das equipes internas para análises e suporte à tomada de decisão.
Dados do levantamento indicam que grande parcela do tempo das equipes ainda é dedicada a rotinas operacionais, enquanto uma fração menor é voltada a atividades especializadas. A expectativa dos gestores é reduzir o peso das tarefas repetitivas e ampliar a participação de atividades analíticas e consultivas, reforçando o posicionamento estratégico da área tributária e financeira dentro das organizações.
Com informações FSB/Assessoria de Imprensa













